Reduzidas as medidas de coacção ao mínimo, e terminado o prazo legal para a conclusão do inquérito judicial sem uma acusação, José Sócrates encontra-se em condições excepcionais para fazer aquilo que mais gosta: actuar sob as luzes da ribalta. A estreia da nova temporada dá-se hoje em Vila Velha de Ródão.
Com extraordinários dotes de retórica e um ego alucinado, o “animal feroz” que com inaudita determinação conduziu os destinos do País ao descalabro financeiro, confronta-se hoje, não já com a sua sobrevivência política que é um caso perdido, mas com o desfio da sua defesa na justiça. Uma oportunidade para protagonizar uma novela de grande audiência em que, respeitando um minucioso guião, se vai dedicar a gerir os danos infligidos na sua fustigada reputação. Independentemente do desenlace, para a história constará que foi o primeiro-ministro que levou o país à falência, e que depois foi para Paris viver à grande e à francesa, à custa dos milhões dados em espécie por um amigo que geria uma empresa com negócios com o seu governo. Como foi possível semelhante personagem entrar na História do meu país ao tempo da minha geração, é para mim uma pergunta perturbadora.
Publicado originalmente no Diário Económico
Todos os dias o Corta Fitas vai dar aqui propaganda às actividades do Sócrates, no género pregação contra o demónio. Melhor do que ir à Igreja Universal, vai ser vir aqui.
ResponderEliminarO Sócrates agradece a publicidade, claro.
Pergunta que quase todos farão.Como é possível?
ResponderEliminarA ideia peregrina de enriquecermos assim está presente,temos sempre a esperança de um dia.
Para mim a pergunta perturbadora é como gente do calibre de Portas, Passos, Gaspar, Crato, Pires de Lima e outros estiveram 4 anos a supostamente governar um país... nem para o Burkina Faso serviam, o neo-liberalismo, está visto, não resolve os problemas das populações...Sócrates ao pé desta gente não fez mal a ninguém...
ResponderEliminarA partir do caso Casa Pia, tudo era possível.
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