domingo, 16 de setembro de 2012

Começar de novo

 


Apesar de estar convicto que a saída do beco em que nos encontramos exige muita audácia e rasgo ao executivo legitimado pelo voto há pouco mais de um ano, apesar de tendencialmente antipatizar com unanimismos, não consigo deixar de retirar as minhas ilações perante a eloquente e unívoca reacção gerada à volta da arquitectada desvalorização fiscal tão desastradamente anunciada pelo primeiro-ministro há dias. Há que encontrar uma boa alternativa.


Mas que não hajam ilusões: penhorada a soberania nacional pelo humilhante resgate financeiro assinado por Sócrates, é para mim claro que o cheque trimestral só nos será endossado se percorremos um estreito e amargo caminho de “ajustamento”. E quanto mais depressa, maelhor.
Trágico é como o mais penoso desafio alguma vez colocado a um governo da terceira república, tenha que ser cumprido sob a liderança do mais inábil primeiro-ministro de que há memória (eu não disse aldrabão). Mas mais trágico será caso esse handicap não seja colmatado com um reforçado empenho do restante (e remodelado) executivo, relançado na hercúlea missão de reformar e libertar o Estado ainda sequestrado pelas máfias e clientelas que o arruinaram.
É neste panorama que se exige um renovado sentido patriótico ao mais experiente político do governo, o ministro de Estado Paulo Portas: que assome mais vezes das Necessidades, em má hora tornado um exilio dourado; por forma a reforçar a coesão e motivação de uma equipa governativa que não possui outra opção do que ficar na História. Por cumprir. Cumprir as promessas mesmo no limite das suas forças e resistência, assumindo o sacrifício das suas vidas, carreiras e… agendas pessoais. Quanto antes, antes que se dissemine por todos o paralisante Síndrome de Estocolmo.
Finalmente, as imagens de centenas de milhares de portugueses a protestar nas ruas, significa um salutar sinal de salubridade dum povo sacrificado e compreensivelmente desiludido com o destino da sua História. Cuja responsabilidade ninguém, mesmo ninguém se pode eximir. 

12 comentários:

  1. O senhor Tabosa, hoje tão produtivo, não vai gostar.

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  2. Dizes bem, caro João: Passos é "inábil", porque de 'habilidades' já teve o País que chegue ao longo destes 38 anos...
    De resto, antes inábil que sem caráter!
    Abraço

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  3. Isto vai de vento em popa:

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  4. Será que podemos mesmo considerar um governo "legitimado pelo voto" quando esse voto foi dado em resposta a promessa eleitorais que se sabia que nunca poderiam ser cumpridas e que, em vez disso, foram totalmente invertidas?
    Ele foi eleito a prometer o exato oposto do que veio a fazer.
    Logo, não acho que esse voto legitime nada do que está a ser feito

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  5. Pode achar o que quiser, José Luís, mas num país civilizado poder é instituído pelo voto secreto e universal segundo a sua lei magna. 
    O Poder não é imposto ou destituído arbitrariamente pela rua. Se assim passar a ser, têm que me avisar antes e vamos resolver isto na rua. Eu e os outros 9.000.000 de pessoas que ontem não compareceram às manifestações. Acho esta conversa absolutamente lamentável.

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  6. Caro João Távora,


    Com todo o respeito, está a deturpar o que eu disse. Embora esteja muito longe de partilhar a visão deste governo, acho que as legislaturas são todas para levar até ao fim e, da mesma maneira que achei mal terminar-se precocemente a legislatura anterior, acharia mal acabar também esta antes do tempo. Mudar de governo custa muito ao país em dinheiro, credibilidade e em reformas que não são feitas.
    Outra coisa, muito diferente, é afirmar que o voto secreto e universal legitima tudo. O voto legitima as escolhas que são colocadas ao eleitorado. Dizer ao eleitorado que não se vai suprimir subsídios, que não se vai subir impostos e muitas outras coisas que foram prometidas na campanha, não dá depois ao partido vencedor legitimidade para rasgar essas promessas na semana seguinte e governar conforme se quiser durante quatro anos.
    Seria o mesmo que eu contratar umas férias num cruzeiro nas Caraíbas e, depois de o ter pago, me colocarem a atravessar o Tejo de Cacilheiro. Seria um rompimento de contrato e não seria honesto. Sobretudo, não daria legitimidade ao operador para pôr e dispôr das minhas férias, só porque eu optei por ele e não pelo concorrente.
    O governo deve governar? Deve sim senhor. Tem legitimidade para fazer o que bem entender, mesmo quando é diametralmente oposto ao que prometeu? Isso, queira desculpar, mas não tem.

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  7. faz parte das regras inscritas na Constituição a avaliação da prestação do (qualquer) governo (mesmo que não seja de Esquerda) no final da legislatura. 

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  8. Posso então depreender que, se numas próximas eleições, o PS for eleito com um programa de privatização das empresas, redução dos impostos, liberalização da economia e, depois de se ver eleito, nacionalizar a banca, espoliar as fortunas e subir os impostos, o meu amigo não terá nada a apontar. Ficará aí em silêncio, à espera dos final da legislatura.
     É bom saber.

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  9. Claro, José Luís. 
    Numa situação dessas espero que os restantes órgãos de soberania cumpram as suas obrigações. Principalmente o parlamento, onde estarão os nossos representantes. 
    Não impede que eu me manifeste na rua. 

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  10. Pois, teremos de concordar em discordar.
    Eu não entendo o meu voto como uma carta branca para se fazer tudo o que se quiser, que não tenha sido debatido, mesmo que em linhas gerais, na campanha eleitoral. Sobretudo, não acho que o meu voto permita aos eleitos fazer o contrário daquilo que me levou a dar-lhes o meu voto.
    E, embora sendo um grande adepto de legislaturas completas, penso que isso não equivale a fazer-se o que se quiser durante quatro anos e só responder por isso no final. Às vezes pode já ser demasiado tarde.

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  11. A politica nao e igual a politiquice.
    A politica e governar um pais a bem e favorecendo o bem comum e se possivel dssenvolvendo o dito pais.
    O bem comum entende-se de todos os habitantes, ou pelo menos da maioria destes.
    Temos assistido a governacoes legitimadas por uns poucos, nao intetessa o motivo, mas ja se mudava a forma considerada de representativa deste pais. Mas dizia legitimada por poucos e vejo que lucrativa para uns ainda mais poucos.
    Nas reformas estruturais nao se veem medidas tendentes a equilibrios, nem ao aumento da eficiencia na regulacao dos chamados actores da economia.
    O despudor com que certos senhores e senhoras ditos com responsabilidades dizem ao sabor das mares as coisas mais dispares, mais desprovidas de sensibilidade social e humana, a despudorada troca de galhardetes entre uns quantos leva-me ao primeiro conceito e a concluir que em portugal se faz politiquice.
    Talvez a reforma estrutural necessaria seja a despartidarizacao e a formacao de movimentos civicos com capacidade de intervencao sobre agentes politicos eleitos por si mesmos e nao por clubismo partidario.
    A educacao, a saude e a justica sao os pilares do desenvolvimento duma sociedade livre, justa e saudavel (nas varias vertentes que a definicao de saude comporta).
    Esperemos que estes pilares sobrevivam aos sucessivos desgovernos que foram por nos legitimados e, temo, no futuro por nos tambem sancionados.
    Somos um pob
    vo de fraca memoria e pouco interventivo. Espero que o bom senso impere.
    Obrigado

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  12. Apenas duas notas sobre afirmações que constam do postal e que me parece não serem exactas:
    1) "

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  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...