Não tenho particular devoção pela Selecção Nacional mas como gosto de futebol acabo por me deixar contagiar por esta afeição. O futebol é para mim um divertido ritual em que solto as minhas emoções básicas até à rouquidão. Com o futebol vivem-se vertiginosas e efémeras alegrias, tristezas e euforias, desilusões que se curam depressa, com uma boa noite de sono e um pouco de juízo. No estádio ainda salto como se tivesse 12 anos, porque "quem não salta é lampião”, canto, assobio e insulto a mãe do árbitro, a quem sinceramente não quero mal nenhum. Mais, tenho muita pena que “a bola” em Portugal não leve mais público aos estádios - gostava mesmo de os ver sempre cheios e vibrantes como acontece em Inglaterra. Infelizmente por falta de recursos e monolitismo de interesses, verifico que a malta entretém-se é na TV antes e depois dos jogos onde se rumina ad nauseam os preliminares, e no final as “incidências da partida”… como se não houvera amanhã.
O jogo de futebol é um saudável escape: onde é que já se viu alguém desanuviar das tensões nervosas a ler “Em Busca do Tempo Perdido” ou a ver o Canal Parlamento? De resto, parece-me que o que faz mal aos portugueses não é futebol a mais ou a menos, mas antes a sua proverbial aliteracia e a congénita tendência para a irresponsabilidade a qual nem a Europa nem o ensino obrigatório nos conseguiram libertar. Mas isso já é outra história.
Adaptado daqui
Sem comentários:
Enviar um comentário