quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A pieguice instrumental

 


No princípio de Abril de 2008, o antigo presidente Jorge Sampaio deslocou-se à Universidade de Aveiro para um doutoramento honoris causa. Pregando um sermão fértil em agitação interior, Sampaio avisou que não alinhava no "campeonato das lamúrias". E acrescentou que Portugal precisava de "uma iniciativa privada que não esteja sempre com lamúrias".
 Durante os dez anos em que ocupou o Palácio de Belém, Sampaio bateu-se ardorosamente contra a lamúria e os lamurientos. Num dos seus discursos afirmou: "Para quem, como eu, tem feito da luta contra a lamúria um desígnio prioritário." Estava certo. (…) Em 2005, numa visita oficial ao Chile, disse que "não é com lamúrias e braços caídos que os problemas se resolvem". Triste destino de Passos Coelho. Caso se chamasse Jorge Sampaio, teria a vida mais facilitada. (…) Só que Passos Coelho não é Sampaio. Também não é José Sócrates, que no seu tempo fez uma expedição ao Oeste, elogiando os agricultores da zona por "não ficarem na lamúria". Vergonha, José. (…)
Às vezes o que mais deprime em Portugal não é a pieguice ou a lamúria. É sermos tão previsíveis e inconsequentes, ao ponto de uns continuarem a achar que têm o monopólio do coração e outros fecharem os olhos à verdadeira desvergonha. 


 


Pedro Lomba hoje no Público. Ler versão intergal na versão papel.

2 comentários:

  1. E, como já foi referido no CF, o que PPC afirmou foi "Devemos persistir, ser exigentes, não sermos piegas e ter pena dos alunos, coitadinhos, que sofrem tanto para aprender”."

    PIEGAS COM OS ALUNOS QUE SOFREM MUITO PARA APRENDER, chiça, será assim tão difícil de entender?!

    Toda esta discussão sobre PPC ter chamado piegas aos portugueses é completamente idiota.

    E o debate neste pobre país decrépito não passa destas irrelevâncias...


     

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  2. O Sampaio é de esquerda, por isso pode dizer o que quiser!!!

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