domingo, 20 de novembro de 2011

Domingo

Acto Penitencial 


 



Perdoa, Senhor, o nosso dia,
a ausência de gestos corajosos,
a fraqueza de actos consentidos,
a vida dos momentos mal amados.

Perdoa o espaço que Te não demos,
perdoa porque não nos libertámos,
perdoa as correntes que pusemos
em Ti, Senhor, porque não ousámos.

Contudo, faz-nos sentir,
perdoar é esquecer a antiga guerra.
E partindo, recomeçar de novo,
como o sol, que sempre beija a terra.



 


Daqui

3 comentários:

  1. Hoje, um Kyrie bem cantado seria imbatível.

    Um poema/cantiga sobre desculpas pindéricas, logo hoje, no dia do "Juízo Final"? Não pode ser.

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  2. É muito difícil ser complacente com comentários assim boçais... 

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  3. Calculo que o qualificativo de boçal tenha que ver com o qualificativo de pindéricas. Mas, caro João, foi o mais suave que eu consegui arranjar.

    Então não se vê que isto (o tal poema/cantiga) é puro onanismo religioso? Sugiro uma experiência: imagine-se a ser infiel à sua esposa; depois, a ter de a olhar nos olhos consciente da merda que fez; e a começar a cantar uma balada sobre perdão, cujas palavras e música o deixariam no fim, a si, num estado de perfeito consolo, enquanto os seus filhos exclamavam "Que lindo!", batiam palmas e quase choravam de felicidade. O que é que acha que pensaria a sua mulher? Certamente que você estava a gozar com a cara dela. Não chegava a sacanice praticada, e você ainda queria sentir-se bem, fazer uma experiência de bem-estar, de beleza e tranquilidade por pedir desculpa? O mais certo era ela ir buscar uma faca à cozinha. E quem poderia censurá-la?... 

    E pior ainda por ser ontem. Se o caro João foi à igreja, terá ouvido, como eu, um texto a falar do momento em que já não haverá mais desculpas nem perdões, nem oportunidades, nem recomeços; o dia em que cada um assumirá por inteiro as suas responsabilidades por aquilo que fez ou deixou de fazer, e será tratado em conformidade; dia esse que pode estar aí ao virar da esquina.
    Ontem, para um cristão, não era dia de pedir desculpas; mas de tomar a decisão de mudar, ou de fazer melhor, enquanto é tempo.

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