sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Eles vêm aí...

 



(...) Quando os cortes verdadeiros na despesa chegarem - e vão chegar, porque não há outra hipótese - o choque será grande. Longe de ser algo inócuo, cortar na despesa vai significar uma de duas coisas: ou menos dinheiro no bolso das pessoas (que têm de entrar onde o Estado recua) ou menos serviço público (o que se verá, por exemplo, na Saúde). No documento apresentado esta semana pelo governo não há os ansiados detalhes sobre os cortes, mas está explicado onde vai cair o esforço em 2012 e em 2013: 70% do lado da despesa e 30% do lado da receita. Os famosos consumos intermédios (associados às "gorduras") valem apenas 15% da luta contra o défice - é dinheiro (1,8 mil milhões de euros), mas é menos de metade do esforço nas prestações sociais, saúde e salários no Estado (38% do esforço). Será curioso ver se as mesmas pessoas que agora clamam pelos cortes serão as primeiras a denunciar a respectiva dureza. 
A demora actual até pode ser boa para todos se resultar em cortes menos cegos e mais eficazes. Veremos em Outubro se Vítor Gaspar mastiga os números tão bem como as palavras. Por outro lado, descontando a demagogia barata da taxa sobre os "ricos", os impostos adicionais justificam-se com a sensibilidade do momento e com a dimensão do ajustamento: ninguém poderia esperar que era possível cumprir este programa da troika sem mais impostos. (...)


 


Uma boa síntese de Bruno Faria Lopes no jornal i, a ler a integra aqui

4 comentários:

  1. Como já comentei aqui (sou chato mesmo), não deixa de ser curioso que se tenha completamente deixado de falar dos cortes no despesismo ou nas gorduras do Estado.

    Agora é só cortes na despesa e está o assunto arrumado.

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  2. Haja boa disposição2 de setembro de 2011 às 14:50

    http://inimigo.publico.pt/Noticia/Detail/1510000 (http://inimigo.publico.pt/Noticia/Detail/1510000)

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  3. Um mau texto com esta aberração suicida:
    "ninguém poderia esperar que era possível cumprir este programa da troika sem mais impostos."
    É claro que era possível. Até era possível baixar os Impostos.
    Mas os Socialistas de Direita não querem porque lhes destrói o seu poder baseado no Estado.

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  4. É preciso ter lata! Ou ser um grande amigo...

    http://umjardimnodeserto.wordpress.com/2011/09/02/assim-os-portugueses-vao-mesmo-ver-se-gregos/

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