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sábado, 12 de julho de 2014

Portugal no Mundial do Brasil, uma parábola


Aquela mórbida idolatria promovida à volta de Cristiano Ronaldo no mês que precedeu o Mundial de Futebol, que ironicamente coincidiu a campanha publicitária da sua parceria com a D. Inércia do Banco Espirito Santo, definitivamente não era um bom prenúncio. Para mais, além de ser um excepcionalmente dotado atleta que não se poupa ao empenho nos seus objectivos, acontece que o melhor futebolista do mundo tem o ego de um adolescente, e aquela inebriante mistificação tinha tudo para se tornar numa parábola sobre o triste fado dos portugueses. Pensar ser possível que um jogador sozinho mude o carisma de uma equipa de futebol mediana para vencedora, é por si uma ingenuidade infantil característica dos latinos em geral e dos portugueses em particular. Repare-se como é um exercício bem mais difícil fulanizar a selecção alemã através de uma só individualidade, tendo em consideração a alta preparação física, abundante qualidade técnica e inteligência táctica que fazem dela uma equipa absolutamente excepcional. Repara-se na ironia, ou enganador desliquilibrio, que reflectem os media ao personificarem o duelo da final de amanhã nas figuras de Müller e… Messi.
Talvez não seja abusivo extrapolar esta característica messiânica para outros planos da mentalidade portuguesa, como a excessiva valorização das lideranças de empresas e instituições, que são comummente mimoseadas com ordenados absolutamente desproporcionais à mais-valia que podem significar. Ou do fulanismo que representa o exagero de expectativas que os actores e comentadores políticos nacionais depositam nas decisões e opiniões de um só homem - cujo juízo só por natureza é limitado e imperfeito - o presidente da república, a quem ironicamente, “apenas” lhe sobeja o poder de dissolução do parlamento, um órgão colegial legitimamente eleito que reúne em confronto uma elite de representantes das diferentes facções nacionais, órgão que pela sua natureza plural tende à permanente autofiscalização e autocrítica.
Seja qual for o resultado do Mundial que termina amanhã no Brasil, podemos ter já a certeza de que os louros duma vitória jamais dependeriam de um Neymar, um Ronaldo, ou um Messi (qua amanhã vai estar devidamente vigiado), por mais que a natureza humana reclame por ídolos. Não tenho a mais pequena dúvida de como a influência de um só indivíduo, uno e irrepetível, pode sempre fazer muita diferença, para o bem e para o mal, numa comunidade e na História de um povo. Mas a esta certeza junto a de que, quando uma comunidade tem depositada sobre um só indivíduo excessivas expectativas, o mais das vezes isso significa a sua demissão do papel que cabe a si e cada um na transformação dessa realidade, e é o reflexo de uma profunda infantilidade civilizacional, que faz prever os mais desastrosos resultados.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Para a Rússia com (muito) amor


 


Tirando os óbvios ganhos para o turismo e hotelaria que adviriam duns quantos jogos do Mundial em terras lusas, resultado que se consegue de forma mais sustentada com o mesmo investimento numa boa promoção pelos canais tradicionais, não antevia qualquer vantagem na empreitada - antes pelo contrário. De resto, a respeito do tão propalado “prestígio” que a organização do campeonato em 2018 nos traria estamos conversados: a total subalternização do nosso país perante a Espanha verificada na distribuição dos jogos, em que não nos cabe nem abertura nem a final, não nos permite qualquer veleidade. Por tudo isto confesso que me deixa satisfeito a vitória da Rússia, um mercado emergente carente de auto-estima, com petróleo, matérias primas e dinheiro para gastar em betão.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

domingo, 11 de julho de 2010

Venceu uma monarquia...

 



 


A Espanha já tinha ultrapassado na meia final o melhor resultado de sempre de Portugal e sem dúvida exibiram um belo futebol. A Holanda perdeu a 3a final.

Vamos ao prolongamento!

 


O seleccionador Del Bosque parece um centurião romano desenhado por Urdezo, tem uma fisionomia caricata, todas as feições são um exagero. A rainha Sofia é elegante e fina como o futebol espanhol quando os holandeses o deixam fruir. Não há dúvida que os bárbaros nesta história são os holandeses, com um futebol pragmático, físico e traiçoeiro. Mas a ignição das emoções futeboleiras são básicas e eu roo-me de irritação com os tugas ali na rua aos gritos pela Espanha, que em tempos foi a nossa rival de estimação, em Aljubarrota, no Hóquei Patins e ao berlinde. Certo, certo, é que vai ganhar uma monarquia.

sábado, 10 de julho de 2010

Declaração de (des) interesse

 


O jogo de apuramento do 3º lugar do Mundial de Futebol não tem interesse algum, e desconfio que mais do que uma “consolação” representa uma cruel punição em que as duas equipas se arrastam num cruel confronto dos atletas com o seu fracasso e a sonhar com as férias.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Joguem à bola!

 



 


O campeonato do mundo de futebol começou hoje em Joanesburgo e na Cidade do Cabo enfastiado e em passo de caracol: dois jogos, dois golos e dois empates. Um enorme bocejo com um insuportável enxame de vuvuzelas em fundo. Nestas circunstâncias dá para perceber a caricatura que os norte-americanos fazem do nosso desporto rei, vergado pelos milhões dos patrocínios a tácticas de jogar para os lados, sem rasgo ou espontaneidade, à imagem da decadência do Velho Continente. No pasa nada!


Não fossem os assaltos aos jornalistas, os caprichos esmiuçados dumas quantas "celebridades" e os estados d’alma de Nelson Mandela, pouco haveria a reportar da África do Sul. Nas rádios e televisões, nos intermináveis e omnipresentes debates, análises e mesas redondas, sobram lugares comuns e vulgaridades ad nauseam – uma incontornável praga. Acontece que quanto mais anos vive um consumidor minimamente instruído, menos crédulo ele é nas piruetas de marketing e demais folclore: torna-se exigente em relação ao produto final - o futebol, quando acontece é no relvado, magia pura, jogo e vertigem. Que os atletas joguem à bola e deixem-se lá de tretas.


 


Post Scriptum: O mundo está perdido: hoje até o Expresso da Meia-noite se converteu à bola com comentários de Francisco José Viegas e a Marta Rebelo (surpreendentemente uma paineleira nata)!

sábado, 5 de junho de 2010

Nobre povo?


 


Dominado pelos patrocinadores e sem espontaneidade, pareceu-me profundamente deprimente o folclore na partida da Selecção Nacional para a África do Sul, uma das mais débeis de sempre presente num mundial. Pobre da Nação que, há falta de outra motivação pendura o seu ânimo no futebol: não haverá vuvuzela que nos salve.


Ou muito me engano ou o País, desenganado pelo socialismo e tolhido pela crise, se prepara para passar um Verão profundamente deprimido. São urgentes valores consistentes para elevadas aspirações.


 


Imagem DN

domingo, 30 de maio de 2010

A vuvuzela


Não é só em prémios pró Mexia, catálogos e cartões de fidelização que a Galp gasta os cêntimos a mais que nos cobra pelo seu combustível. Agora, para além da matéria-prima e refinação, a omnipresente gasolineira nacional investiu em centenas de milhares de vuvuzelas, uma corneta comprida em plástico, com a qual pretende democraticamente iniciar este nobre povo nas artes musicais durante o campeonato mundial de futebol.


As más notícias sabem-se depressa e aqui no bar dos meus vizinhos lampiões já este fim-de-semana se fizeram vivas demonstrações da ruidosa versatilidade deste instrumento - os meus filhos estão avisados que só por cima do meu cadáver entra cá em casa. De resto ficou comprovado que de pouco adiantará esta minha radical coacção, pois aquilo tocado na rua produz o mesmo efeito como se fosse ali no hall da entrada. Já na semana passada tinha notado durante um zapping aquela azuenga desafinada e insistente, que mais parecia centenas de elefantes a assoarem-se durante o emocionante duelo de titãs que foi o Cabo-Verde-zero-Portugal-zero. Ainda bem que não havia este instrumento quando o Benfica foi campeão, que para dores, bastaram-me as de cotovelo.


Confesso-vos que isto do ruído parece uma conspiração internacional para nos pôr a todos mais doidos do que somos: onde quer que haja silêncio, alguém se encarrega logo de colocar um motor, uma batida, uma música de fundo ou um martelo pneumático. Agora a Galp quer pôr os portugueses todos a soprar numa vuvuzela, e eu pego em mim e vou ali e só venho depois do mundial. O que vale é que, ou muito me engano, ou a veleidade de Queiroz vai durar apenas três amargos jogos, que a concorrência na África do Sul é grande e o futebol de alta competição não é para meninos.

É uma escolha que se faz

Um comentador, ou uma plataforma de inteligência artificial, é irrelevante, escreve: "Passei o ano a estudar e queria ter o processo de...