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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

O Brasil no chão

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Evidentemente que o problema do Brasil estará a montante do presidencialismo vigente, mas fico com a ideia de que o sistema não ajuda nada, antes pelo contrário. A somar a tudo isto, porque dois males nunca vêm sós, verifica-se que, por contingências que mereceriam outra análise mais profunda, a disputa presidencial se dá entre dois absolutos desqualificados institucionais: um esquerdista venal e outro boçal populista. Venha o diabo e escolha, ainda bem que não tenho de resolver o dilema.


Como em Portugal, no Brasil o Chefe de Estado também é um chefe de facção, que a cada eleição deixa uma significativa parte das comunidades nacionais órfã de representação, com a agravante de acumular a chefia do governo. Num sistema complexo como o brasileiro, um país descomunal, de frágeis instituições e precária homogeneidade geográfica étnica e cultural, persistentes índices de desigualdade e pobreza endémica, a democracia clama por uma figura agregadora e consensual. E não nos esqueçamos que foi a monarquia bragantina que vigorou por três gerações que criou esta potência mundial, a quinta maior democracia do mundo – o milagre brasileiro, eterna promessa.


Quem assistiu ao debate eleitoral de ontem não terá conseguido evitar um calafrio na espinha perante tanta despudorada alarvidade esgrimida. Sempre precária e tumultuosa, os testemunhos que nos chegam, é de que a democracia brasileira chega a 2022 com o país multifracturado, num clima insalubre de conflitualidade, que as eleições de domingo vêm exponenciar, arriscando-se acender o rastilho da violência ou da tirania. Isto tudo porque o povo brasileiro tem de escolher uma de duas figuras tóxicas e sectárias. Rezemos então a Deus que afinal é brasileiro, pois os tempos reclamam por um novo milagre.

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

De coração aberto


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Bolsonaro e Lula são lamentáveis excrescências democráticas e modernas de que ninguém civilizado em Portugal ou no Brasil verdadeiramente gosta de assumir "paternidade" histórica.

Bem esteve o presidente da Câmara Municipal do Porto Rui Moreira ontem em directo do Brasil na SIC a "desinfectar" essa aparente ferida, dando ecos da cerimónia da entrega por si ao Chefe de Estado brasileiro do coração do imperador D. Pedto I daquela grande e desconcertante nação inventada pelos portugueses - a única bem sucedida monarquia da América Latina. Este foi cedido pela edilidade no âmbito da relação entre dois estados soberanos e irmãos, não por especial favor a nenhum dos candidatos presidenciais. Pena que não tenha havido espaço na entrevista para a contextualização da pertença ao Porto da relíquia - são mais os brasileiros em romagem à Igreja da Lapa que os portuenses, que mal conhecem a história da sua Cidade Invicta na Guerra Civil entre liberais e tradicionalistas.

Já o estranho culto a um órgão humano conservado em formol numa espécie de cálice, é uma modernice idolatra. Os mais antigos só se ajoelhavam a Deus, nunca aos seus iguais. A história não é só progresso...

quinta-feira, 17 de março de 2016

À descarada

A situação política no Brasil tresanda a "ética republicana". O presidente da república protege os da sua facção... 

sábado, 12 de julho de 2014

Portugal no Mundial do Brasil, uma parábola


Aquela mórbida idolatria promovida à volta de Cristiano Ronaldo no mês que precedeu o Mundial de Futebol, que ironicamente coincidiu a campanha publicitária da sua parceria com a D. Inércia do Banco Espirito Santo, definitivamente não era um bom prenúncio. Para mais, além de ser um excepcionalmente dotado atleta que não se poupa ao empenho nos seus objectivos, acontece que o melhor futebolista do mundo tem o ego de um adolescente, e aquela inebriante mistificação tinha tudo para se tornar numa parábola sobre o triste fado dos portugueses. Pensar ser possível que um jogador sozinho mude o carisma de uma equipa de futebol mediana para vencedora, é por si uma ingenuidade infantil característica dos latinos em geral e dos portugueses em particular. Repare-se como é um exercício bem mais difícil fulanizar a selecção alemã através de uma só individualidade, tendo em consideração a alta preparação física, abundante qualidade técnica e inteligência táctica que fazem dela uma equipa absolutamente excepcional. Repara-se na ironia, ou enganador desliquilibrio, que reflectem os media ao personificarem o duelo da final de amanhã nas figuras de Müller e… Messi.
Talvez não seja abusivo extrapolar esta característica messiânica para outros planos da mentalidade portuguesa, como a excessiva valorização das lideranças de empresas e instituições, que são comummente mimoseadas com ordenados absolutamente desproporcionais à mais-valia que podem significar. Ou do fulanismo que representa o exagero de expectativas que os actores e comentadores políticos nacionais depositam nas decisões e opiniões de um só homem - cujo juízo só por natureza é limitado e imperfeito - o presidente da república, a quem ironicamente, “apenas” lhe sobeja o poder de dissolução do parlamento, um órgão colegial legitimamente eleito que reúne em confronto uma elite de representantes das diferentes facções nacionais, órgão que pela sua natureza plural tende à permanente autofiscalização e autocrítica.
Seja qual for o resultado do Mundial que termina amanhã no Brasil, podemos ter já a certeza de que os louros duma vitória jamais dependeriam de um Neymar, um Ronaldo, ou um Messi (qua amanhã vai estar devidamente vigiado), por mais que a natureza humana reclame por ídolos. Não tenho a mais pequena dúvida de como a influência de um só indivíduo, uno e irrepetível, pode sempre fazer muita diferença, para o bem e para o mal, numa comunidade e na História de um povo. Mas a esta certeza junto a de que, quando uma comunidade tem depositada sobre um só indivíduo excessivas expectativas, o mais das vezes isso significa a sua demissão do papel que cabe a si e cada um na transformação dessa realidade, e é o reflexo de uma profunda infantilidade civilizacional, que faz prever os mais desastrosos resultados.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Mundial do Brasil


Estive a ver um directo do treino da selecção em Campinas e desconfio que segunda-feira muita gente vai ficar surpreendida quando descobrir que Portugal tem mais jogadores para além de Cristiano Ronaldo. Que ele é um jogador fora de série não tenho dúvidas, mas nunca gostei de idolatrias.


 


Imagem daqui.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Não, não é uma questão cromática

 


As avenidas e praças do mundo podem encher-se de protestos contra o inimigo, contra o sistema, contra o governo, contra os partidos do governo, contra os gastos e contra os cortes, mas nunca contra a Esquerda. O ambiente de intolerância, o ódio e o medo (sim, o medo do Daniel Oliveira) são instrumentos legítimos, mas nunca contra Esquerda. Só se começa a sentir apreensão e ouvir vozes indignadas, não quando os manifestantes incendeiam bancos ou multinacionais (destroem emprego), não quando vandalizam monumentos ou vilipendiam símbolos ou instituições, mas quando o povo “contra os partidos” queima bandeiras… vermelhas. Isso nunca, toca a rebate, que a democracia está ameaçada. A da esquerda, que é a que importa. Sim, eu conheço muito bem este filme. 


 


Imagem e notícia daqui

Justiça e povo: um divórcio perigoso

O Supremo Tribunal espanhol decretou que pessoas que atravessassem a fronteira numa zona onde não existissem «barreiras físicas» não poderia...