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É bastante divertido, até por vezes cómico, visitar as tentativas dos nossos antepassados adivinharem o porvir. Inevitavelmente influenciados pelo presente, as antecipações surgem demasiadas vezes deturpadas pelo alarido emergente da espuma dos dias.
Vem-me esta questão à consciência, à boleia da discussão que por estes dias nos sobressalta através das notícias, sobre os pretéritos erros nas políticas de imigração, e perspetivas de soluções que mitiguem a desordem causada e o sentimento de insegurança com as nossas fronteiras deixadas ao abandono por demasiado tempo. Como referia há algumas semanas Rui Ramos numa sua crónica, “não há nada que a extrema-esquerda mais receie do que ver os imigrantes integrarem-se nas sociedades ocidentais, como se integrou a velha “classe operária”. Deseja vê-los confinados em guetos, inseguros e desconfiados, e assim disponíveis para a guerra santa contra o capitalismo e a democracia liberal.”
É por isso que importa o poder político gerir com todo o cuidado este dossier, que vem afligindo as populações por essa Europa, amedrontadas com as radicais alterações às “paisagens sociológicas e culturais” à porta das suas casas. Talvez egoistamente não tenho uma visão alarmista do panorama com que nos deparamos pelas nossas bandas. Julgo que é ainda é possível por esta altura restaurar alguma normalidade, repor sinais de controlo sobre os fluxos de imigração, e principalmente com a implementação de políticas de integração dos estrangeiros sempre a chegarem, a que nos teremos de habituar ao longo das próximas décadas. Essa inevitabilidade, não tem tanto a ver com a tão propalada sustentabilidade da Segurança Social, mas com a crise demográfica de que já se vem sentindo os resultados e se irá agravar nas próximas décadas. Não é ciência oculta antever o que nos reserva o futuro do nosso país: “Em 2050, a população portuguesa irá contrair-se 7% face a 2022. Em 2050, a população portuguesa entre os 20 e 64 anos irá contrair-se 21% face a 2022. Em 2050, a dependência da população com mais de 65 anos da população entre os 20 e os 64 anos passará de 40% em 2022 para 70%.” Se hoje temos menos 44% de alunos inscritos no primeiro ciclo do que há 30 anos, como será daqui a 50 anos?
Espero estar muito enganado, mas em face à realidade da actual crise demográfica, que não se antevê resolúvel com subsidiarização de nascimentos, daqui a cinquenta anos teremos um Portugal sem portugueses. E um Portugal sem portugueses, além de me causar alguma amargura (problema meu, evidentemente), será por certo muito diferente daquilo que aqui tivemos o privilégio de conhecer e experimentar nas nossas vidas. Estarão dispostas as populações vindouras a manter o legado do nosso modo de vida que há tantos séculos se vem construindo e afirmando? O mundo à nossa volta mostra-nos à saciedade que o facto de se possuir legislação ou sistemas políticos sofisticados não garante um modo de vida equivalente, uma sociedade tolerante e próspera, de pessoas responsáveis e livres para circular na rua em qualquer sítio e a qualquer hora sem receios. A questão não se resolve com o sistema, é com a autorregulação, pela cultura imperante nas pessoas, estabilizada nas famílias e organizações que lhe concedem eficácia. Preocupações de um monárquico, sempre tendo em vista o longo prazo.
Espero estar enganado, como o estiveram tantos quantos antes de nós, previram erroneamente o futuro com base em fenómenos circunstânciais, tecnologias datadas, receios ou expectativas ditadas por modas ou acontecimentos passageiros. Mas olhando pela perspetiva optimista, é com agrado que por estes dias descubro que já são bastantes as paróquias que são dirigidas por sacerdotes católicos oriundos das mais exóticas paragens para onde os portugueses emigraram deixando as suas sementes cristãs e também a língua de Camões - com que nos vamos entendendo.
ResponderEliminarsoluções que mitiguem a desordem causada e o sentimento de insegurança
Mitigar a desordem, acho muito bem. Não é correto que centenas de pessoas tenham que dormir ao relento por não haver casas para arrendar, nem que centenas de pessoas tenham que fazer fila dezenas de horas para tentar obter um documento que lhes dê o direito de cá viverem e trabalharem. Neste ponto, estamos de acordo.
Já tentar mitigar o sentimento de insegurança, ou qualquer outro sentimento totalmente fictício e injustificado, é que não me parece ser boa política. Todas as estatísticas indicam que os imigrantes cometem menos crimes e crimes menos graves do que os não-imigrantes, e que não constituem fonte de insegurança. O "sentimento de insegurança", a existir, é espúrio e injustificado e não deve servir de orientação política.
dizem na net que se fala a língua de 'camones'
ResponderEliminar"
ResponderEliminarSe estamos a definhar, precisamos de imigrantes, mas não é de qualquer maneira, têm que ser os necessários para a economia e mais, têm que falar e escrever em português e aceitarem o nosso hino nacional e as leis.
ResponderEliminarSubscrevo.
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ResponderEliminar(Uma falácia é um raciocínio errado sob as regras da lógica. Não é uma falsidade.)
Leia o livro de Hein de Haas (um investigador neerlandês) recentemente publicado em Portugal sobre o tema da imigração. Verá lá referências a essas estatísticas.
ResponderEliminartêm que falar e escrever em português
Se está à espera de imigrantes que saibam falar e escrever português, espere sentado.
Se só aceita imigrantes que saibam falar e escrever português, então é porque, de facto, não quer imigrantes. Mais vale dizê-lo diretamente. Não vale a pena essa hipocrisia que é dizer que "precisamos de imigrantes", para logo a seguir exigir que eles saibam falar e escrever português.
Não é preciso falar e escrever português para limpar sanitas nem para apanhar morangos nem mesmo para tratar de idosos ou crianças ou limpar casas.
O inglês é atualmente lingua franca.
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ResponderEliminarNão se arme em burro.
ResponderEliminarPortugueses são os que têm nacionalidade portuguesa, não vejo outra defenição. Não faz sentido dizer que não vão existir portugueses, a menos que Portugal fique despovoado.
ResponderEliminarPor essa ordem de idéia todos os nossos monarcas foram estrangeiros, visto terem pelo menos um pai estrangeiro, quando não os dois.