sexta-feira, 10 de maio de 2024

História, reparações e histórias da carochinha

No programa "É ou não é", de 7 Maio (ver aqui a primeira parte e aqui a segunda), discutiam-se as reparações dos erros no nosso passado.


O programa, para além da moderadora, tinha quatro historiadores e três vítimas. Uma das vítimas explicou que tinha um trauma porque quando tinha nove ou dez anos via o seu pai, nas obras, a tratar mal os seus empregados, as outras vítimas não percebi por que razão eram vítimas e de quê, portanto não percebi bem que reparações se pretendia discutir.


Ao que parece, um dos historiadores acha que ter nacionalidade portuguesa é tão melhor, mas tão melhor, que ter nacionalidade angolana, moçambicana ou cabo-verdeana, que considera que uma das formas de reparação é criar uma espécie de via verde para atribuir a nacionalidade do país colonial aos cidadãos dos países colonizados: "Estas minorias devem encontrar formas de apoio, para já, de aquisição de nacionalidade, aqueles que nasceram em Portugal vindos dos países independentes devem obter a nacionalidade portuguesa …".


Uma das vítimas, uma retornada que chegou de Angola com cinco anos de idade, em 1975, acha que os cabo-verdeanos têm uma dissonância cognitiva pelo facto de Cabo-Verde sempre ter sido o servente, a ponte, entre Portugal e África (não, não estou a inventar, eu gosto de dizer umas piadas, mas nunca seria capaz de inventar uma tão boa).


Um dos historiadores acha que as três vítimas presentes têm todas origem nas antigas colónias e sabem do que estão a falar.


Acontece que uma nasceu em Lourenço Marques, de onde saiu com uns onze ou doze anos, outra nasceu em Angola de onde saiu com cinco anos para a aldeia da mãe no Norte de Portugal, e outra nasceu e cresceu no concelho de Cascais, nunca tendo vivido em África, portanto não percebi se o dito historiador acha que basta ter a pele mais escura para se saber alguma coisa em matéria de colonialismo, ou se também considera que eu, que nasci em Angola e saí de Moçambique com 14 anos também seria imediatamente classificado como uma fonte credível de informação sobre as colónias.


A menos que essa frase do dito historiador seja a mera expressão do preconceito racista que atribui a qualquer pessoa com um tom de pele mais escuro uma autoridade natural em discussões sobre a história de África.


Aliás, há uma cena muito engraçada no debate, para quem conhecer o contexto das pessoas que falam.


Um dos historiadores, João Paulo Oliveira e Costa, cita um parágrafo da tese de doutoramento de Iva Cabral (filha de Amilcar Cabral) em que, referindo-se às primeiras elites cabo-verdeanas, refere que se a primeira elite era proveniente de Portugal, logo depois aparece uma elite da terra, considerada branca, mesmo quando alguns dos membros dessa elite eram pretos, dando origem a um bruáá por parte das vítimas presentes.


Note-se que este reconhecimento de pretos como brancos, em função do contexto social e não da cor da pele, é referida, por exemplo, no livro "Exploradores portugueses e reis africanos", de Filipe Verde e Frederico Delgado Rosa, mas o mais interessante é que é mesmo Ana Cristina Pereira (ou Kitty Furtado) que refere exactamente o mesmo na sua tese de doutoramento, referindo-se a si própria e aos três meses que passou em Maputo, no âmbito da sua tese de doutoramento, tentando convencer os moçambicanos de que era negra, e não branca, como sistematicamente eles lhe faziam notar.


Até aqui, isto é essencialmente folclore, o problema é quando se pretende deturpar a História para contrabandear histórias da carochinha, como pretendeu fazer Francisco Bethencourt.


Já há alguns dias tinha reparado na tese de Kitty Furtado (Ana Cristina Pereira, para outras pessoas) de que "a escravatura existiu em Portugal, em termos de praxis, até aos anos 1960" (Público, 2 de Maio), mas enfim, o direito à asneira é sagrado e não vejo nenhuma razão relevante para dar crédito às visões criativas da história vindas de activistas cuja área de trabalho tem pouca relação com a história.


Questão diferente é quando um académico prestigiado, como Francisco Bethencourt, especialista em racismo e colonialismo, diz com a maior das tranquilidades que "a escravidão foi seguida de trabalhos forçados, que se tornou a norma nas colónias portuguesas até 1960" ou, usando as suas palavras no debate "Há uma passagem clara da escravatura para o trabalho forçado".


Que se estabeleça uma relação de continuidade entre escravidão e trabalhos forçados, parece-me uma forma pouco rigorosa de análise histórica, mas é compreensível (ver aqui, de onde tirei a citação seguinte, propositadamente, de uma historiadora angolana), mas dizer que o trabalho forçado era a norma nas colónias, vinda de um especialista na matéria, só tem uma resposta: é mentira.


"aquilo a que muitas vezes assistimos hoje, nas vozes dos que se apresentam como representantes das vítimas, pode ser tão estereotipado, tão ideológica e politicamente determinado como o discurso dos defensores do sistema.


Dentro das (quase) omissões que ainda persistem na historiografia do trabalho nas colónias africanas, a mais injusta, pela dimensão do universo que abrange, é a das camponesas. Na zona de África onde se insere Angola, a principal força de trabalho na agricultura foi, até tempos relativamente recentes, a das mulheres, exceto para trabalhos iniciais mais pesados.


Do que acima foi dito decorre que, apesar da violência e do peso específico de diversas formas de trabalho forçado na colonização portuguesa no período analisado, a maior parte dos “trabalhadores” de Angola (considerando “trabalhadores” os produtores de bens e serviços) não se verá abrangida por estudos sobre “escravatura” ou “trabalho forçado”.


...


Qualquer consulta atenta às estatísticas coloniais revela a importância da dita economia “indígena”, “tradicional” ou “familiar” (por oposição à “empresarial”) na economia de Angola, especialmente antes da industrialização dos últimos anos coloniais. Portanto, seja no fim do século dezanove ou no século vinte, há um mundo de produtores (“trabalhadores” em sentido lato) que é maioritário mas que tem ficado na sombra: pequenos agricultores, criadores de gado, coletores, caçadores, artesãos, gente de ofícios diversos, produzindo tanto para o mercado interno como para exportação. O mesmo se pode dizer de pequenos comerciantes, carregadores, estivadores, marinheiros, criados e prestadores de serviços vários". (De Escravos a “Serviçais”, de “Serviçais” a “Contratados”: Omissões, perceções e equívocos na história do trabalho africano na Angola colonial (Maria da Conceição Neto)).


Uma tão evidente dissonância cognitiva (para usar a expressão de Kitty Furtado/ Ana Cristina Pereira em relação aos cabo-verdeanos) por parte de um prestigiado académico não deixa de ser assombrosa mas, ao mesmo tempo, muito ilustrativa de como se contrabandeam histórias da carocinha a reboque o prestígio académico associado à investigação da História.


Se dúvidas houvesse, peguemos no argumento base de Francisco Bethencourt para ser favorável a reparações, o argumento de que toda a sociedade portuguesa beneficiou largamente do colonialismo, a um nível tal, que se reflecte em injustiças até ao dia de hoje: "in the Portuguese case, colonial exploitation was responsible for at least 20% of per capita income from 1500 to 1800, the highest rate among the European colonial powers (a study by Jaime Reis, Nuno Palma and Leonor Freire Costa)".


Em poucos dias (desde o dia 2 de Maio, em que pela primeira vez vi este argumento ser usado por Francisco Bethencourt no Público), vi três vezes Francisco Bethencourt apoiar-se neste estudo para dizer que o seu argumento está validado pela investigação histórica.


Só há um problema: é falso, redondamente falso, que o artigo citado diga o que Francisco Bethencourt diz que diz, três vezes seguidas, em poucos dias, que eu tenha notado.


Chamaram-me a atenção para essa falsidade, fazendo notar que o artigo não trata da exploração colonial mas do comércio transatlântico, parte dele não decorrente de exploração colonial (por exemplo, o comércio com a Índia e China) mas, sobretudo, que os 20% apenas dizem respeito a um período relativamente curto do século XVIII (como se sabe, há em curso um debate muito aceso sobre os efeitos desse período no desenvolvimento de Portugal e há quem argumente que teve um efeito negativo, e não positivo, no desenvolvimento de Portugal, como é o caso de Nuno Palma).


Mesmo não sendo especialista em história, qualquer pessoa com dois dedos de testa se perguntará como seria possível que a exploração colonial representasse um aumento de 20% do rendimento de Portugal no século XV (mesmo considerando o fim do século XV), quando a feitoria portuguesa do Golfo da Guiné, em São Jorge da Mina, é fundada em 1482, que o caminho marítimo para a Índia tenha sido descoberto apenas em 1498 e o Brasil em 1500.


Como gosto de informação primária, fui ler a citação no original:


"At the Dawn of the sixteenth century, when the empire concentrated on the Indian Ocean and the China Sea, the disparity between national income with and without colonies, respectively, was less than1percent, an indication that the legendary riches of Orient were much exaggerated by contemporaries (Pedreira1998). The gradual retreat from Asia, following the initial expansion and the ensuing repositioning to Brazil, changed Portugal’s colonial vocation, from trade and navigation to tropical slave plantations and mineral extraction. It also increased relative gains from overseas activity significantly. By 1600, these had risen four-fold relative to the 1500 level and seven-fold by 1700. By 1800, the “historical” real wage was around 20 percent higher than if the empire had not existed. (The great escape? The contribution of the empire to Portugal’s economic growth, 1500–1800, LEONOR FREIRE COSTA, NUNO PALMA, JAIME REIS)".


Conclusão: o facto de se ser um académico de prestígio em História pode não ser suficiente para que se deixe de substituir a História por histórias da carochinha, quando estão em causa convicções políticas e sociais profundas, ao ponto de se torturar a investigação de terceiros até que ela diga o que queremos que ela diga.

25 comentários:





  1. É de facto melhor, porque permite imediatamente emigrar para Portugal e trabalhar em Portugal sem quaisquer complicações com autorizações de trabalho e residência, etc, coisas que, ao que outros imigrantes se queixam, demoram imenso tempo e dão imenso trabalho a obter.
    Uma pessoa com nacionalidade portuguesa tem ademais via aberta para a plena integração em Portugal, isto é na sociedade portuguesa.
    (Eu bem me lembro quando em 1990 eu vivia na Alemanha, na qual era considerado um estrangeiro, e encontrei no curso de alemão que frequentava uma rapariga polaca, que falava alemão infinitamente pior do que eu, mas que me disse que tinha nacionalidade alemã porque um dos seus avós era, supostamente, alemão. Eu fiquei com inveja dela.)

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  2. aqueles que nasceram em Portugal vindos dos países independentes devem obter a nacionalidade portuguesa


    Eu creio que atualmente (aliás, já há bastantes anos) qualquer criança que frequente a totalidade da escola primária em Portugal tem automaticamente direito a adquirir nacionalidade portuguesa, independentemente de ter nascido em Portugal, em Angola, na Ucrânia ou noutro país qualquer.


    Pelo que, de facto, não é muito difícil adquirir a nacionalidade portuguesa para quem nasça em Portugal: basta ficar em Portugal até aos 10 anos de idade e ir à escola...

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  3. By 1800, the “historical” real wage was around 20 percent higher than if the empire had not existed.


    Penso que esta é a frase crucial, na qual aparece a tal percentagem 20%.


    O que a frase diz é que os salários dos trabalhadores eram 20% maiores do que se não houvesse império. O que me parece significar que, efetivamente, nesse tempo (no qual Portugal já estava bastante atrasado em relação ao restante da Europa Ocidental...) os trabalhadores eram 20% mais ricos do que teriam sido sem império.



    (Entretanto, não percebo o que seja um salário real "histórico".)

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  4. os 20% apenas dizem respeito a um período relativamente curto do século XVIII


    É verdade que os 20% se referem apenas aos salários por volta de 1800. Entretanto, o artigo diz que de 1600 até 1800 Portugal ganhou cada vez mais com o comércio colonial, até chegar a esse belo valor 20%, o qual foi, aparentemente, o pico (porque pouco depois de 1820 o Brasil tornou-se independente e a mama acabou).
    Portanto, sem dúvida Francisco Bethencourt exagera e falseia muito, mas sempre tem um fundo de verdade, como toda a boa mentira, segundo António Aleixo.

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  5. Caro Henrique,


    Esta celeuma, regurgitada pelo Presidente da República, só tem que ver com agenda mediática e ideologia pós-colonialista. Os historiadores e todos os que gravitam à volta do interesse em História, não deixam fazer um Museu dos Descobrimentos porque têm cedido, nos últimos vinte anos, a estas posições de Piketty racializado (como eu gosto de lhe chamar). Não é uma reforma de ensino da História, é tão-somente a aplicação do programa do Livre (https://programa.partidolivre.pt/propostas/7.18 (https://programa.partidolivre.pt/propostas/7.18)). 


    Cumprimentos!

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  6. Simplesmente bom texto. Haverá alguns estóicos telespectadores que não terão voado imediatamente para outros canais. 
    Os que permaneceram no referido programa e conhecem as Áfricas, sorriram perante tanta presunção, ignorância e despudor, sobre o tema. Fruto de óbvia falta de vivência, experiência, havia por ali uns laivos do usual teórico desasjustadíssimo complexo de "culpa colonial", bem assim como uma irremediável infelicidade feita ganância.

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  7. Nessa altura Portugal tinha um dos maiores PIBs per capita do mundo

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  8. Os estudos publicados não dizem isso. Já em 1820 éramos um dos países mais pobres da Europa. Mais pobre mesmo só a Finlândia, a quem tinha saído poucos anos a sorte grande de ser um grão-ducado dos czares. Mas também é verdade que a divergência era relativamente pequena. O grande tropeção dá-se no período que vai de 1820-1870. Todos cresceram substancialmente menos nós. Foi no que deu a independência do Brasil, as guerras civis e a boa governação de vintistas e cartistas.

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  9. E que responsabilidade tenho eu de que se resolvam fazer comentários sem ler as referências bibliográficas?
    O comentário diz que a independência do Brasil (1822) é responsável por declínio que começa por volta de meados do século XVIII (1750), considerando que a expressão "By 1800"

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  10. Onde estão esses gráficos para consultar?
    Vi uns do maisliberdade, mas aquilo é um pouco rebuscado, assume que em 1700 já havia Itália, ou Bélgica 

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  11. Terei de ver. 
    O problema das reparations é que se baseiam na ignorância americana, cujo conhecimento histórico se resume à chegada do Colombo em diante. 
    A exploração de África e o comércio de escravos mada tem a ver com o período colonial. A Europa não tinha meios ou capacidade para deter território em África, para lá de umas feitorias ou citadelas.

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  12. difícil perceber racismo sem raças


    HISTORIA DE LA ESTUPIDEZ HUMANA de PAUL TABORI

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  13. Porque não experimenta pôr no google o título da referência bibliográfica em causa?
    Em qualquer caso, pode sempre ler o livro do Nuno Palma, por exemplo.

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  14. Simplesmente um péssimo trabalho da RTP, uma televisão que sendo pública deveria primar pelo debate honesto e imparcial o que pressupõe que, quando se fala em algo com este impacto e poder de fratura, se garanta que ambos os lados (os que são pro e os que são contra), estejam presentes e devidamente representados, dando-lhes o direito de apresentar argumentos e de rebater os do outro lado. Jornalismo não é nem nunca foi apresentar a narrativa de um dos lados apenas. Jornalismo não é, nem nunca foi, dar esta espécie de lição ética e moral sobre os telespectadores como se eles fosse completamente acéfalos e incapazes de, num debate com ambos os lados, perceber quem tem ou não razão. A RTP não tem o direito de, utilizando os dinheiros de todos, cancelar os que bem lhe aprouver e muito menos de se arrogar na mãezinha da plebe de estúpidos que precisam que ela lhes diga o que é ou não certo e errado, que é o que este ipo de peças enviesadas acabam por fazer.
    Pagar taxas para ter esta vergonha, não muito obrigado, vendam-na e vendam-na já!

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  15. Fico na dúvida sobre se viu o debate, visto que havia diferenças substanciais de pontos de vista

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  16. Obrigado pela resposta. Nada como colocar um "fato" em causa para o verniz da civilidade estalar.

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  17. Mas havia exploração colonial em 1500?

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  18. O Nuno Palma é um oráculo ou também se engana?

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  19. Também se engana, mas como perguntou onde estavam gráficos, eu dei-lhe uma das indicações possíveis.
    Se tem outras melhores, óptimo.

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  20. "... e três vítimas. ...", de quê ?. Afinal não pareciam ter 200 ou 300 anos de idade?.

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  21. Depende dos livros.
    Quanto vale isto?
    sack of MadeiraBarbary Corsairs (https://en.m.wikipedia.org/wiki/Barbary_Corsairs)

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  22. Alguém pergunta sobre uma coisa em 1500 e responde com um incidente em 1617?
    Qual é exactamente a sua ideia?

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  23. A ideia, e porque o tema é indemnizações, é perceber como se faz a contabilidade. E a partir de quando. Porque tenho sérias dúvidas que alguns contabilistas saibam que andaram africanos (isto se considerarem argelinos africanos) na Islândia a colher pessoal caucasiano para o mercado de escravos.
    Como dizia o outro, isto está tudo ligado. O conceito de colonialismo, o conceito de tráfico de escravos, e nesmo de potência imperialista, que parece reservada à Europa.

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