quarta-feira, 17 de abril de 2024

Pessoas comuns

Voltando à Montis, gostaria de fazer um comentário sobre estes gráficos, que estavam na apresentação de balanço dos seus dez anos.


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Um dia destes um amigo meu estranhou eu estar sempre a falar de pessoas comuns, como se quisesse marcar uma diferença moral entre grupos sociais diferentes, mas na realidade é o inverso, eu recuso as designações de activistas, jovens, ambientalistas, etc., porque não quero atribuir categorias morais a pessoas por fazerem isto ou aquilo.


A Montis sempre quis ser, até hoje (amanhã não sabemos, os sócios é que irão determinando o rumo), uma associação de pessoas comuns que se juntam para um objectivo específico: ter o controlo de propriedades que sejam geridas com o objectivo principal de produzir biodiversidade.


Não há nenhuma oposição à posição mais tradicional de procurar ter o controlo sobre a gestão de áreas de valor natural elevado, para evitar a sua degradação, mas havendo tanta gente e tanta organização empenhada nisso, pareceu-nos mais útil pegar em terrenos que não valem nada, mesmo do ponto de vista de conservação, e criar valor de biodiversidade a partir da gestão sensata dos processos naturais.


Esta gestão custa dinheiro e, mesmo inscrevendo a Montis nos seus objectivos aumentar o valor da biodiversidade e procurando rentabilizar o que for possível sem afectar o objectivo principal de produzir biodiversidade, isto quer dizer que não é possível sem recursos externos.


Os que os gráficos mostram é a evolução nos primeiros (e últimos) dez anos da Montis, mostrando à esquerda como tem evoluído o número de sócios e à direita como têm evoluído das receitas e despesas.


Há duas conclusões que me parecem relevantes.


Uma é a de que o crescimento dos sócios tem sido mais difícil do que se pensou e há menos capacidade de ter pessoas a pagar 25 euros por ano como contribuição para ter propriedades que não valem nada a ser transformadas em coisas úteis para todos, através do aumento do seu valor natural.


A segunda é a de que até é fácil aumentar rapidamente os recursos disponíveis com base em projectos, mas isso tem dois problemas: a) o desfasamento entre o momento em que as receitas sobem e o momento em que sobem as despesas inerentes à execução dos projectos; b) os parcos recursos da associação concentram-se na execução dos projectos, que respondem a objectivos dos financiadores, em vez de estarem concretados no que se pretende, isto é, na gestão de terra e no crescimento de sócios.


Felizmente depois de um valor artificialmente alto de receitas e despesas, resultante da aprovação de um grande projecto, a Montis conseguiu fazer uma aterragem suave para níveis de receita e despesa compatíveis com a natural evolução da associação.


E, tendo-o feito, parece muito sensata a opção de lançar agora, através de uma campanha de crowdfunding que pode ser visitada aqui, um fundo de aquisição de propriedades que recentre os próximos dez anos no essencial, o reforço de uma associação de pessoas comuns que se juntam para gerir propriedades com objectivos de conservação da natureza.


Se gostarem da ideia, é boa altura para uma contribuição na dita campanha de crowdfunding.

5 comentários:


  1. é fácil aumentar rapidamente os recursos disponíveis com base em projectos, mas isso tem dois problemas


    Pois tem problemas mas, uma vez que é essencial fazê-lo, a questão é somente determinar qual o montante-limite dos projetos em que se deve envolver.


    Ou não?


    Eu faço as contas assim. 400 sócios a pagar 25 euros por ano dá dez mil euros por ano. Se o orçamento atual da Montis é de cem mil euros por ano, conclui-se que 90% do orçamento não é financiado pelos sócios, mas sim por projetos (diversos e cuja natureza exata eu desconheço e não pretendo debater). Portanto, já hoje (e desde sempre) a Montis foi em grande parte financiada por projetos.


    Ou estou a ver mal a coisa? Talvez esteja.

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  2. Estás a ver mal porque as doações não são nem quotas de sócios, nem projectos, tal como acordos, protocolos e prestações de serviços.

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  3. as doações não são nem quotas de sócios, nem projectos


    Quer o Henrique Pereirs dos Santos dizer que há alguém (quem, concretamente? Particulares? Empresas? Municípios? Em troca de quê?) que doa à Montis dezenas de milhares de euros por ano? Custa-me a conceber, mas talvez seja verdade...


    acordos, protocolos e prestações de serviços


    Que tipos de serviços remunerados presta a Montis a quem? (Sejam esses serviços pontuais, ou prestados no âmbito de um acordo ou protocolo.)



    Eu tenho uma propriedade minha entregue à gestão da Montis. A Montis gere-a mas eu não lhe pago nada por isso. Será que a outras entidades a Montis cobra dinheiro pela gestão?

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  4. Prefiro tudo o que é comercial, lucrativo, ao que é solidário e pro bono. No geral este fica mais caro e o serviço é pior. 

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  5. Todas as perguntas que fazes têm respostas claras e simples em documentos públicos, portanto não vou perder tempo eu, para te poupar a ti o tempo que não queres gastar a responder às tuas dúvidas.
    O extraordinário é que te custe a conceber que há doações que representam milhares de euros, exactamente quando faço um post sobre uma campanha em curso que visa recolher 20 mil euros de doações.

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