A AD informa todos os grupos parlamentares que tenciona seguir as práticas institucionais anteriores ao seu abandono por António Costa, isto é, interpretar a constituição de maneira racional: os lugares da Mesa da Assembleia da República seriam distribuídos de acordo com a representação de cada grupo parlamentar, que indicariam os nomes para os ocupar.
Note-se que as regras do regimento da Assembleia da República para materializar o que é a letra da constituição - "Eleger por maioria absoluta dos Deputados em efetividade de funções o seu Presidente e os demais membros da Mesa, sendo os quatro Vice-Presidentes eleitos sob proposta dos quatro maiores grupos parlamentares" - são más, ao introduzirem um mecanismo que permite que as maiorias conjunturais boicotem, ad aeternum, a indicação dos partidos que a constituição manda respeitar ("4 - É eleito Presidente da Assembleia da República o candidato que obtiver a maioria absoluta dos votos dos Deputados em efetividade de funções. 5 - Se nenhum dos candidatos obtiver esse número de votos, procede-se imediatamente a segundo sufrágio, ao qual concorrem apenas os dois candidatos mais votados que não tenham retirado a candidatura. 6 - Se nenhum candidato for eleito, é reaberto o processo.").
Como as regras para a eleição da mesa são semelhantes - "1 - Os Vice-Presidentes, Secretários e Vice-Secretários da Assembleia da República são eleitos por sufrágio de lista completa e nominativa. 2 - Cada um dos quatro maiores grupos parlamentares propõe um Vice-Presidente e, tendo um décimo ou mais do número de Deputados, pelo menos um Secretário e um Vice-Secretário. 3 - Consideram-se eleitos os candidatos que obtiverem a maioria absoluta dos votos dos Deputados em efetividade de funções. 4 - Se algum dos candidatos não tiver sido eleito, procede-se de imediato, na mesma reunião, a novo sufrágio para o lugar por ele ocupado na lista, até se verificar o disposto no número seguinte. 5 - Eleitos o Presidente e metade dos restantes membros da Mesa, considera-se atingido o quórum necessário ao seu funcionamento." - na prática, onde a Constituição pretendia garantir a pluralidade e representatividade, as regras de materialização permitem que maiorias conjunturais impeçam essa pluralidade e representatividade, dando origem a situações como as da legislatura anterior, em que vários lugares ficaram vagos por imposição da maioria de esquerda, ou a situação actual em que há um acordo de rotatividade que o regulamento não prevê (o Presidente da Mesa é eleito para a legislatura, só com a sua renúncia é que pode haver substituição, um típico esquema manhoso em que PS não só se especializou, mas em que tem orgulho).
Retomando o fio à meada, a AD decidiu repor a normalidade institucional que António Costa, por pura conveniência política conjuntural, tinha mandado às malvas.
O Chega resolveu fazer uma performance, anunciou que tinha um acordo com a AD (como vimos, tinha o Chega e tinha toda a gente, a AD ia repor a normalidade que o Chega tinha passado a legislatura toda a exigir em vão, nada mais que isso) e depois manda às malvas a normalidade institucional, juntando-se ao PS no seu desprezo pelas regras e instituições (e à esquerda em geral, mas os partidos anti-institucionalistas da esquerda da esquerda sempre foram contra a democracia burguesa e sempre se comportaram em conformidade), do que resulta um bloqueio que visava uma de duas coisas: 1) garantir o beija-mão de Montenegro a Ventura; 2) em alternativa, obrigar os partidos mais responsáveis a encontrar uma saída institucional, permitindo ao Chega apresentar-se como o partido que se mantém fora do sistema.
Se dúvidas houvesse, basta ouvir os vários dirigentes do Chega a dizer que teria bastado um telefonema para Ventura (Montenegro deveria ter dito "peço desculpa, houve um desentendimento, nem sempre consigo manter uma linha condutora, um fio condutor na Aliança Democrática, tenho vozes que não consigo controlar e Paulo Rangel teve uma declaração que não corresponde à linha orientadora do PSD ou Nuno Melo também teve um momento de deriva apenas e só do CDS e estava a situação esclarecida", explicou candidamente Rita Matias), absolutamente transparentes na identificação do problema: Montenegro teria de ir ao beija-mão de André Ventura, independentemente de esse beija-mão não ter qualquer utilidade prática para o que estava em causa - eleger a Mesa da Assembleia - como se demonstra pelo facto de tudo ter acabado exactamente como estava previsto.
Ou melhor, quase tudo, porque como Montenegro se recusou a ir ao beija-mão, teve de ir resolver o assunto de outra maneira, o que obrigou a uma concessão irrelevante para o PS não perder a face e o assunto poder ser desbloqueado, antes que o PS começasse a sentir os efeitos eleitorais do bloqueio institucional que não estava nos seus planos.
A questão de fundo parece-me muito simples, e pode-se ilustrar com uma hipótese absurda, mas que ajuda a tornar mais claro o que está em causa.
Imaginemos que a AD fazia então um acordo a sério com o Chega, entregando a Presidência da Assembleia durante dois anos ao Chega, com o compromisso de que daqui a dois anos a pessoa indicada pelo Chega renunciava ao mandato para permitir uma nova eleição, desta vez da AD (é esse o acordo com o PS, com a ordem dos partidos trocada).
Alguém no seu perfeito juízo pode garantir que o Chega cumpria o acordo e, depois de dois anos, não inventava uma desculpa qualquer para dizer que as regras não obrigam ninguém a renunciar ao cargo?
Este é o problema prático com o Chega e a flor de estufa que o lidera: um adulto que amua por falta da atenção a que se julga com direito não dá confiança a ninguém, impedindo acordos sérios seja de que tipo for.
"Águas (limpas ou sujas) passadas não movem moinhos". "A procissão ainda não saiu da igreja". "O caldo está entornado". "Três é a conta que Deus fez"?.
ResponderEliminaré de toda a conveniência para o Chega que o impeçam de fazer má figura....continuem assim , sem o deixar provar o que vale , que na próxima legislatura consegue 70 deputados. ah pois é , a melhor forma de expor alguém é dar-lhe espaço para que aja , não ao contrário.
ResponderEliminarChamar adulto a André Ventura é um exagero.
ResponderEliminarO mesmo defeito defeito pode ser apontado a António Costa, um adulto que amua por falta de atenção. No caso de António Costa, também, amuou por excesso de atenção, achou que foi dada atenção excessiva a 75 800 euros em notas de 500 e de 200 € que estavam "esquecidas" nuns livros na sua (dele) casa.
Joel Neto explica tudo num livro:
"Todos nascemos benfiquistas (mas depois alguns crescem)"
Ventura e Costa são uma espécie de Peter Pan embrulhados em licra vermelha, não cresceram, eternamente, meninos na Terra do Nunca.
ResponderEliminar"Imaginemos que a AD fazia então um acordo a sério com o Chega, entregando a Presidência da Assembleia durante dois anos ao Chega ...", que raciocínio mais arrevesado!
A questão fundamental é: o encarregado da gestão do problema a resolver, eleição do PAR, é (foi) o PSD. de o resolver ou então pretendia a solução encontrada e nesta segunda opção, o que aconteceu terá sido apenas aranzel para dar protagonismo ao Chega.
Mas conhecendo PSD como conheci, que resolvem tudo em cima do joelho, apenas se confirma a sua incapacidade para sequer gerir a eleição do presidente de um pequeno clube recreativo.
O resto é conversa para disfarçar esta realidade.
Eu próprio disse que era uma hipótese absurda.
ResponderEliminarO facto é que evitou responder à questão de fundo: alguém garante um compromisso do Chega para daqui a dois anos?
ResponderEliminar50 deputados... A AD é que é só criancinhas mimadas e narcisicas... O líder da AD não falar com o André Ventura é de uma burrice tão grande! Montenegro é burro!!
ResponderEliminarAproveito o facto de estar tão envolvido na propaganda do Chega para lhe perguntar uma coisa: por que razão devem as pessoas normais achar que Montenegro não falar com Ventura é uma burrice quando ele tem 50 deputados, mas Ventura não falar com Montenegro, que tem 78 deputados, é inteligentíssimo?
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ResponderEliminarNão sei o que o Chega pensa sobre isso, mas nunca ouvi que o dito pretendesse a PAR, tal como foi entregue ao PS.
Acerca da garantia de cumprimento de compromissos não tenho informação suficiente, e não concluo a partir de suposições, que me leve a concluir que o Chega não cumprirá compromissos e este episódio algo pindérico da eleição do PAR não é suficiente para me garantir isso
Acrescento mais isto apenas, o foco não deve ser o Chega, e acho escusado entrar em pormenores do dito episódio, o foco deve ser a incapacidade do PSD, que como responsável pelo processo não conseguiu resolvê-lo capazmente. E gostaria de pensar que esta revelação de incapacidade não seja prenúncio de outras coisas bem mais importantes.
Quem precisava de quem para eleger A Branco?
ResponderEliminarAguiar Branco precisava dos deputados para ser eleito, e foi
ResponderEliminarEu faço posts sobre o que eu acho que deve ser o foco. Há alguma razão para eu lhe perguntar a si antes qual é o foco sobre o qual devo escrever?
ResponderEliminarLimpinho. Foi à 1ª e tudo.
ResponderEliminarBem. Suponho que "confiável" era o Dr. Paulo Portas. Ou o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Ou a Dr.ª Catarina Martins. Tudo gente séria, estável e que nunca "" E, no entanto, houve quem tivesse unha para lidar tais toiros, enquanto, agora, só apareceram uns amadores que, com medo de uma cornada, preferem pegar de cernelha e, depois, sair pela esquerda baixa.
ResponderEliminarAlém de qualquer consideração que possamos fazer(uns são burros e/ou os outros são infantis etc etc.) há uma questão essencial que é evidente, os partidos escolhem uma estratégia para alcançar certos e determinados objectivos. Tudo o mais são opiniões(sinceras ou não) e frases feitas conforme a posição ideológica e partidária de cada um e seus interesses particulares ou de grupo.
ResponderEliminarAo fim da quarta tentativa e com um acordo para partilha do lugar, para o qual foi proposto para toda a legislatura
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ResponderEliminarNão há, nem podia haver.
Escreverá sobre os assuntos que entender, com o enfoque que entender.
Como o post tem abertura a comentários, limitei-me a comentar sem, seguramente, a pretensão que parece sugerir.
Ja se percebeu que Ventura age por caprichos e gosta de, à amaricana, mostrar os músculos. Já se percebeu que o melhor que lhe pode acontecer é ser desprezado pelos "partidos tradicionais ". Queiram ou não, de momento ele é o mestre de cerimónias do circo. Para já, está como quer.
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ResponderEliminarExacto. Esta é uma boa resposta à pergunta de HPdS. Não gostam do comportamento de um chefe de partido?. É verdade, pois votar em (chefes de) partidos dá nisto.
Na verdade não é eleitor comum quem seleciona o chefe de um partido. Isso é uma responsabilidade interna dos partidos.
Mas o eleitor comum tem que ser ele a escolher um, uninominalmente, o seu deputado no/do seu círculo eleitoral, seja ele de que partido for, ou mesmo um independente. Actualmente minimaliza-se tudo ao ter que votar num partido. O eleitor reage à limitação, não admira a abstenção. E a distorcida resultante. A atribuição de poder político a um candidato tem que ser fruto de uma seleccão uninominal realizada directamente pelo eleitor.
Desrespeito óbvio, atitude anti-democrática para com os cidadãos eleitores vindo de quem, com poder mas sem a devida atitude cívica, mantém o actual sistema. De que lado está a virtude cívica?.
Sempre votei PSD, agora votei Chega passo a ser extremista, racista, xenófobo e outros doces ...
ResponderEliminarNão! eu queria mudanças.
Só um cego não vê que o país foi tomado literalmente pelo PS. Quem não era filiado levava zero. Até os concursos para dentro e fora (Europa) foram viciados.
Com este PSD a agredir 1,2 milhões tudo ficará na mesma, o que lamento.
Costa comprou em Benfica um T1 de luxo por 247.000 € um familiar meu pedem por um T0 com 44 m2, 550.000€.
Belos exemplos!
Foi quando foi, e nas circunstâncias em que foi, em consequência da opção do Chega, o que interessa é que foi eleita a mesa que a AD queria e que respeita a constituição, incluindo os nomes indicados pelos outros partidos, como Ventura passou a legislatura a reclamar (com razão).
ResponderEliminarSe o melhor que se pode dizer sobre a confiabilidade de Ventura é falar de Portas, Marcelo e Catarina Martins, estamos conversados
ResponderEliminarEncontra uma única linha minha a dizer isso do Chega, dos dirigentes do Chega ou dos votantes do Chega?
ResponderEliminarNão, não encontra, portanto não percebo o seu comentário.
Acredita no que propõe Ventura?
Bom proveito, vote nele.
Eu já num post disse que o Chega, politicamente não me interessa nada, nem consigo perceber o que fará o Chega se tiver maioria absoluta, limito-me a escrever umas coisas sobre o que me parece demonstrar que em vez do reforço das instituições, Ventura parece pretender chegar à posição de maior partido da direita através do seu enfraquecimento, exactamente como António Costa e numa aliança objectiva com o PS.
Será que também queria partilhar a presidência durante o mandato?
ResponderEliminarO é só, partilha porque partilha.
ResponderEliminarParece-me que o HPS está a ficar confuso,
"o que interessa é que foi eleita a mesa que a AD queria"
Talvez sim talvez não! Parece lhe.
Afinal onde está o estigma de as partes em questão assumirem um acordo de "gestão" sobre a forma de eleição / contrapartidas?
Não foi público o acordo final do PS com a AD?
O Montenegro foi um "Pato" no dia em que afirmou o "não é não"
Teria sido mais digno dizer que "o mundo é uma bola que rebola sem fim"
ResponderEliminarNão é a única, mas concedo um pouco de razão a quem tem dúvidas.
O Ventura é "inpactante", é um dos melhores Tribunos que Portugal tem tido. Confesso que a sua luta é uma luta que valerá a pena, provávelmente não para mim que já tenho mais de 8 décadas. Convém não esquecer que um Povo é o Passado o Presente e o Futuro.
ResponderEliminarMais coerente é uma Sra. comentatriz que na TV esplica não querer conspurcar os seus lábios proferindo certa palavra. Imagina-se que no restaurante ao ser servida afirma: "obrigado, basta, não quero engordar". Sinónimo salva digestão.
ResponderEliminarSim, a generalidade das pessoas sabem com o que contam na prática institucional do PSD
ResponderEliminarPartilha porque o Chega obrigou a AD a ir discutir com o PS uma solução para o impasse institucional que criou artificialmente (a AD estava simplesmente a propor o que o Chega andou a legislatura anterior a reclamar, com razão, não se percebendo, até hoje, o que pretendia o Chega com a rábula que inventou. Em concreto, qual era a questão do Chega em relação à mesa da assembleia que foi proposta?).
ResponderEliminarAgradeço que não me atribua coisas que eu não disse em lado nenhum. A opção de pôr Ventura no mesmo clube de credibilidade dessas pessoas é sua, não minha.
ResponderEliminarTalvez sim, para além da luta para ocupar o poder, não faço ideia de qual é a luta de Ventura.
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ResponderEliminarE minha, pois. E é (aposto) a opinião dos que confiaram (e dos que souberam, de antemão, que não podiam confiar)
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ResponderEliminar"... (a AD estava simplesmente a propor o que o Chega andou a legislatura anterior a reclamar, ..."
Quando se propõe qualquer coisa, não é impor ou pedir, é, em princípio, para haver acordo, logo, qual foi a intenção dos dois ou três principais elementos da AD, pois foram nomeados ministros, virem dizer que da parte deles não havia acordo?
Também pudemos supor, meramente por hipótese, que depois a AD não cumprisse o acordo para a vice-presidente
Nenhum dos três era candidato, mas isso não releva para o facto de pretender ilustrar a credibilidade de Ventura invocando essas pessoas, diz bastante sobre essa credibilidade
ResponderEliminarA luta dos todos os dirigentes políticos é sempre ocupar o poder para melhorar a vida dos outros
ResponderEliminarA diferença está na forma e na maneira de o fazer
Basta à bolonhesa? Òu à napolitana?
ResponderEliminarJá vamos em ratings de credibilidade?
ResponderEliminarBem, não há muitos que se safem.
Ventura, para já cumpre o requisito de alguns que votatam nele para ver o circo pegar fogo.
Só discordo da parte do pegar fogo.
ResponderEliminarSim o PSD, segundo uns propôs voltar aos modos do tempo anterior ao Costa, segundo outros não
ResponderEliminarEvidente, o Ventura inspira menos confiança que a malta do PCP, por isso não conta para o totobola. E se for preciso ir para novas eleições, que se vá.
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ResponderEliminaruma no cravo, outra na ferradura.
ResponderEliminarAfinal o que importa é o seu entendimento, podia perfeitamente nos ter poupado á parte formal (as regras constitucional e regimento).
O ch nao é contra o sistema, é só a forma de dar nas vistas, vender a banha da cobra aos que a anseiam desde ...sempre.
Isto para dizer : se o (ch) entende contra o sistema, porque raio o critica por nao ser confiável...