(...) "Tanto o Chega como o Livre medram na sua ambiguidade ideológica, ou, melhor dizendo, no seu relativo vazio ideológico. O Livre e a sua enigmática “esquerda verde nórdica” é um vazio, e Rui Tavares o seu profeta. O Chega, uma amálgama de crendices popularuchas sobre o país e a origem dos respetivos problemas, é o beneficiário liquido de uma reação genuína e virulenta contra certos delírios mais excêntricos da cultura woke, a que o Livre, nos seus exatos antípodas e à falta de melhor, dedica o grosso do seu torrencial paleio. Que a esquerda útil aliene sectores sociais inteiros à conta do wokismo é coisa que não tira o sono ao Livre: é um partido de nicho, nada incomodado por viver dos votos dos departamentos mais exóticos das ciências sociais, desde que os abocanhe quase a todos, logrando três ou quatro deputados para o antifascismo-verde-nórdico-cicloviário.
O Chega, por sua vez, rapa votos nas imediações. Sempre que o Livre nos recorda as perfeições morais inerentes ao acolhimento irrestrito, em Portugal, de todos os deserdados da Terra, Ventura, como um carro-vassoura, limpa eleitores por atacado, da variedade farta dos ditos deserdados.
Monopolista do tema, o Chega fatura com uma realidade escassamente debatida por quem o poderia fazer com equilíbrio, pedagogia e tino, sem atear no processo as brasas da xenofobia, e sem medo dos santos apóstolos que pretendem resgatar a humanidade, transferindo-a para Vila Nova de Milfontes.
A ideologia comunista, já defunta, libertou multidões maltratadas pela vida do seu enquadramento sociopolítico. O lume do ódio de classe continua aceso, mas já não ilumina a luta de classes. Agora arde nos altares do Chega. O Alentejo pós-comunista pode, finalmente, deixar de dizer que ganha quando perde e de chamar à derrota catastrófica “desenvolvimento negativo”. (...)
Sérgio Sousa Pinto no Expresso
A luta de classes está tão viva quanto no tempo dos camaradas. A diferença está nos estratos.
ResponderEliminar
ResponderEliminarGosto particularmente da parte em que as nossas (e até as dos comunistas) visões e teses sobre "o país e a origem dos respetivos problemas" são ideologia, mas as daqueles que cheiram mal dos braços são "crendices popularuchas".
O Livre é o Bloco dos 2020.
ResponderEliminarO Chega, e restantes "populistas" (sim, que a classe política é só gente séria) não são problema, são consequência de problemas. À falta de melhor, querem acabar com eles ou por decreto (ilegalizando) ou com cantigas de intervenção. Mas não vai dar...
Só vê 10% do Chega.
ResponderEliminarRecomendar-lhe ia um pouco de tino, já que até o discurso socialista lhe serve.
ResponderEliminarMas, pensando melhor sugiro-lhe a leitura de Alberto Gonçalves, na sua crónica de hoje no Observador.
Talvez o ajude a perceber o que se passou
O autor logicamente não copiou o texto todo por isso não sei se o autor do Expresso referiu, mas vindo de onde vem suspeito que nem sequer tocou.
ResponderEliminarO Chega representa muitas das pessoas que dependem do próximo para entrar pela sua loja ou negócio para comprar um produto ou serviço.
Esses não têm progressão nas carreiras, não ganham mais por antiguidade, dependem do número de clientes que lhes entra pela porta e quanto compram.
O Mercado Livre que a aristocracia de esquerda e a aristocracia de direita tão odeiam.
São aqueles que não existem - quando não são odiados - no jornalismo marxista que apenas dedicam as notícias ás reivindicações dos seus companheiros ideológicos dos sindicatos.
Um jornalismo que cada vez menos representa o povo e é provavelmente a profissão menos democrática em Portugal.
Ps + pcp + Pan + BE e ainda o .... Deus nos livre. Chega de gerigonças esquerdistas. Quanto ao Chega não será a solução mas é no quadro actual, e dos últimos anos, necessário e inevitável(os avisos que foram feitos ao longo dos anos para o sistema político se reformar foram ignorados não é verdade? ).
ResponderEliminar
ResponderEliminar
ResponderEliminarhttps://observador.pt/opiniao/a-ma-vontade-popular/
Aqui o Sérgio acordou agora? Porque não levantou a voz antes nos tempos de antena que tem no comentariado falado e escrito !?... Ao invés, calou-se e alinhou na unanimidade do partido à volta do seu líder. Pois é, tal como no futebol, no fim do dia, a lealdade ao "Clube", fala sempre mais alto.
ResponderEliminarExcelente crónica. Obrigado por partilhar.
ResponderEliminarPorque é que esse cavalheiro me faz lembrar o "bom ladrão"?
ResponderEliminarÉ tudo faxo. Os comunas de Setúbal e Beja eram fascistas reprimidos à espera do momento para se revelarem.
ResponderEliminarOs velhos sentem saudades do salazar. Os emigras são uns boçais frustrados. Os jovens afinal são alienados pelo tik tok (excepto os Climaximos, esses são esclarecidos). A única solução para colocar portugal no rumo certo é dar direito de voto aos imigrantes. Desde que estes provem que sabem votar.
Consta que o Chega só vem para fazer a limpeza e arrancar a alcatifa,outros depois virão(ou não) colocar a nova alcatifa.
ResponderEliminarEntretanto chegou ao último conselho de ex-ministros(na Caixa geral de contas certas)às 9,55 o sr Rebelo de Sousa. Consta que o primeiro a chegar foi o sr Carneiro (ainda ministro) e os temas são o PRR e os sem abrigo.
ResponderEliminar