Já por aqui escrevi que o Chega é um partido que não me interessa, não vejo que traga nada de especialmente útil ao país e à sociedade.
Mas vários amigos meus de esquerda (na verdade, de direita também) ficam espantados e incomodados com o facto de lhes aparecer tanta gente a defender e votar no Chega, alguns por quem têm muito mais consideração que pelo Chega, ao ponto de quererem banir qualquer contacto com essas pessoas.
É aqui que entra Descartes:
"“O bom senso é a coisa que, no mundo, está mais bem distribuída: de facto, cada um pensa estar tão bem provido dele, que até mesmo aqueles que são os mais difíceis de contentar em todas as outras coisas não têm de forma nenhuma o costume de desejarem mais do que o que têm. E nisto, não é verosímil que todos se enganem; mas antes, isso testemunha que o poder de bem julgar, e de distinguir o verdadeiro do falso que é aquilo a que se chama o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; da mesma forma que a diversidade das nossas opiniões não provém do facto de uns serem mais razoáveis do que outros, mas unicamente do facto de nós conduzirmos os nossos pensamentos por vias diversas, e de não considerarmos as mesmas coisas”
Quando virem alguém que nunca imaginariam que pudesse apoiar um partido como o Chega, lembrem-se do que está escrito em cima e não se zanguem: muito provavelmente essas pessoas não se aproximaram e apoiaram o que vocês acham que é o Chega, mas o que elas acham que é o Chega, o que podem ser coisas muito, muito diferentes.
Por mim, é um partido como os outros.
Para uns é um partido racista, xenófobo, misógino, anti-democrático, etc..
Para outros é outra coisa qualquer diferente disso, que acham que merece o seu apoio por razões que provavelmente nunca imaginaram que fosse possível associar a esse partido.
Exactamente da mesma maneira que eu associo o PC às ditaduras e desastres sociais que ocorreram à sombra da ideia da apropriação colectiva dos meios de produção e conheço muita gente que, pelo contrário, o associa ao sonho de um mundo melhor de amanhãs que cantam.
É a vida.
Sem qualquer impertinência, mas se o dito Chega! não lhe interessa para nada, para quê o texto?
ResponderEliminarPorque o Descartes me interessa
ResponderEliminarDigamos que são um tanto lumpen. Lumproletariado, lumpenburguesia, lumpenluminárias. Enfim...gente a quem se abre a porta como aos prosélitos das seitas religiosas.
ResponderEliminarJá contei para aí uma meia dúzia de textos onde, para o autor da prosa o Chega"não lhe interessa para nada".
ResponderEliminarOs psicólogos e psicanalistas têm um nome para isto...
ResponderEliminarNão se preocupem (todos vós que achais o Chega um partido anti-democratico,e isto aquilo e aqueloutro) pois o ainda inquilino de S.bento disse ontem em Espanha (um país também "muito bem" entregue como se sabe) que não vão deixar a extrema-direita ocupar o poder em Portugal (talvez por meio de mais um acordo com a extrema-esquerda?).
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ResponderEliminarhttps://observador.pt/opiniao/a-crise-da-representacao/
Não, não é. É antes a ideia de inimigo. Há sempre um inimigo, uma quinta coluna dentro de portas. Durante séculos os judeus serviram o prato. Agora são outros. Mas tem de haver sempre um inimigo para fazer o contraste entre o povo bom e o povo mau, entre o povo bom e as élites traidoras. No geral acaba mal. Savonarola acabou no churrasco, Cola di Rienzo acabou nas mãos da multidão, Marat acabou à facada no banho. Fora o que acabou pendurado num gancho como um boi em Milão ou o outro de que os russos guardam a dentadura.
ResponderEliminarvivem à custa dos contribuintes privados ... de tudo:
ResponderEliminaros partidos em cacos com menos votação do Chega;
os sindicatos mais diversos.
as tvs enchem chouriços: agora aproveitam os 'desbastes' pouco polidos.
«a bola é qu'instrói»
Houve por aí um cronista que denominou um indefinido ente, cujo nome se escusou a explicitar, mas que muita gente entendeu que se referiria ao partido Chega!. O autor do texto invoca o partido Chega para citar Descartes e o que disse sobre o bom senso.
ResponderEliminarOutros muitos mais já escreveram sobre o Chega! nem sei a que pretexto ...
Está a falar da Amália Rodrigues a "fascista" e de todos os "fascistas" num país que nunca teve Fascismo?
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ResponderEliminarSocial-fascismo teve certamente,no tempo do Prec.
ResponderEliminarA caminho dos 50 anos de regime "democrático"
ResponderEliminarhttps://oplanetadosmacacospoliticos.blogs.sapo.pt/a-caminho-dos-50-anos-de-regime-84177
Ainda bem que no nosso país existe a liberdade de escolha partidária, já em outros...
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ResponderEliminarSerá que estão a pensar ocupar o espaço dos abstencionistas portugueses?
ResponderEliminarhttps://poligrafo.sapo.pt/fact-check/be-propoe-direito-de-voto-a-qualquer-imigrante-que-esteja-em-portugal-desde-que-tenha-autorizacao-de-residencia (https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/be-propoe-direito-de-voto-a-qualquer-imigrante-que-esteja-em-portugal-desde-que-tenha-autorizacao-de-residencia)
Só o Chega pode pôr cobro aos beneficiários desde o 25 Abril.
ResponderEliminarTêm medo de perder as benesses, tais como, Ana Gomes e os seus camaradas.
Bem utilizado " o idiota útil" todos depois de Pedro Passos
Deve ser por isso que é tão popular nos distritos que mais beneficiam das transferências do OGE. É só ir ao portal da Associação Nacional de Municípios.
ResponderEliminarO bom senso cultiva-se. Há quem não queria saber, como pelos vistos o Henrique, e está no seu direito. Outros são só preguiçosos. Em ambos os casos, o seu bom senso mantém-se inalterado. O bom senso sobre o Chega está a ser criado pelos preguiçosos, e pelo establishment em pânico, há mais de 4 anos. Bastava não ser preguiçoso, ou ter interesse, para perceber que o Chega não é o que dele dizem que é. De todo o modo, fiar-se apenas no Descartes pode ser meio caminho para dar para o torto. A questão do PC não é uma questão de bom senso ou do que associa ou não, é um facto, independentemente do bom senso do Henrique ser educado. É algo diferente.
ResponderEliminarO problema é a maioria dos ditos eruditos de opinião tratarem os partidos políticos como se algo de abstrato fosse, conotando-os por isso de esquerda ou de direita, de cento, de centro esquerda ou centro direita, ou qualquer outra coisa que se lembrem de inventarem.
ResponderEliminarAmigo, os partidos são pessoas.
Muitas dessas pessoas são ingénuas ou mesmo ignorantes, por isso continuam a votar sempre nos mesmos como se acreditassem que eles não fazem mais porque não podem, e os outros são o diabo.
Outras, inteligentes, mas têm interesse que tudo continue na mesma porque de uma forma ou de outra retiram dividendos disso.
Outras pessoas ainda, que provavelmente vão votar no tal partido Chega, não sendo burras nem estúpidas, sabem no entanto que a maior estupidez não é votar num partido novo com medo de vir a ser igual aos outros etc, a maior estupidez é continuar a votar sempre nos mesmos que à 50 anos reduziram o país e as pessoas à pobreza.
Entende?
As pessoas, não o partido chega. São as pessoas que estão fartas. E não são estúpidas. Por isso não as ofenda com essa sua opinião erudita condescendente. Ninguém passa um cheque em branco ao partido Chega. Quem o dirige se se vier a revelar mais um igual aos outros, rapidamente desaparece, tão rápido como surgiu, porque as pessoas não são burras.
Burros são aqueles que continuam a votar nos mesmos que a 50 anos os levaram a uma vida de pobreza. Inteligentes são aqueles que preferem arriscar algo novo com a esperança de ser diferente. Porque não perdem nada.
Compreende?
Porque não têm nada a perder.
Treta pegada.
ResponderEliminarCaro Senhor
ResponderEliminarFelicito-o pela clareza da exposição sobre a utilidade do Chega.
Já votei nele, André, para substituir o rapazinho falador que está em Belém.
Reconheço sim a importância do Chega e André Ventura, que representam uma oposição ao actual meio político Português, e uma esperança de melhoria para que um dia os Valores se sobreponham à legalidade (ética republicana ?!)
Com os meus cumprimentos
Vasco Silveira