sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

A estranha campanha do PS

Os resultados eleitorais, parece-me, têm relativamente pouca relação com as campanhas eleitorais, são as dinâmicas sociais que condicionam as campanhas e não a inversa, diria eu.


Dito isto, a campanha do PS tem sido estranha sob muitos aspectos.


Um deles é a excessiva obsessão com o Chega, convencidos que parecem estar de que terá sido o medo do Chega que deu origem à maioria absoluta anterior, e não a tristeza de Rui Rio, o desinteresse de grande parte do eleitorado e a irritação de alguns com o jogo duplo do BE e do PC, que ora apoiavam o governo, ora lhe tiravam o tapete.


Não me parece que haja grande maneira de saber como se alinharam os astros para que o PS tivesse uma maioria absoluta que ninguém achava possível, mas alguns convenceram-se de que o medo do Chega desempenhou um papel central.


Vai daí, acharam que o melhor era dizer que Montenegro era dúbio em relação a um acordo com o Chega e por isso não era claro em relação ao assunto, depois passaram a dizer que tinha feito uma declaração relativamente clara, mas na verdade não fechava todas as portas, depois passaram a dizer que dizia que fechava todas as portas, mas na verdade tencionava fazer o contrário e agora aparece uma nova versão, que vou buscar à descrição jornalística de uma entrevista a Alexandra Leitão: " a socialista diz não ter razão para duvidar da palavra de Luís Montenegro em relação ao “não é não” a Ventura, mas adianta outro cenário: se o PSD precisar do Chega para governar, vai libertar-se de Montenegro e arranjar outro líder que faça essa aliança".


Este assunto é um assunto que não interessa a ninguém a não ser a meia dúzia de jornalistas e espanto-me que Alexandra Leitão não tenha percebido o que está a dizer, se é que a descrição jornalística corresponde ao que disse (não fui verificar).


O que está dito acima é que o caminho mais curto para o Chega ir para o Governo é votar no PS de tal forma que Montenegro se vá embora e o PSD escolha alguém que vá fazer um acordo com o Chega.


A mim parece-me isto tudo uma mão cheia de nada, mas será mesmo que a melhor forma de apelar ao voto no PS é convencer as pessoas de que a maior probabilidade de ter o Chega no Governo é fazendo o PS ganhar sem uma maioria da esquerda?


Se as campanhas eleitorais valessem muito na decisão dos eleitores, suspeito que o PS levava um grande arraso nestas eleições, só comparável ao arraso da famosa campanha de Almeida Santos a pedir 43% para ter uma maioria absoluta, de que resultou uma votação de 20,77% para o PS.

11 comentários:

  1. anda alguma desorientação nas 'cópulas' do ps.
    lembra os delinquentes de '

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  2. Estranha?! Desde o eng. Sócrates que o PS é uma fábrica de fantasias é um partido de mitómanos que nos conduzem a desastres. 
    Numa linguagem mais chã pode resumir-se: são uns pobres vendedores da banha-da-cobra sem préstimo. Todavia, conseguiram ir subindo todos os degraus do Princípio da Incompetência de Peter, i.e., . 

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  3. Pelo menos as propostas destes ainda são possíveis de cumprir...
    AD - 150000 milhões de despesas anuais (mínimo dos mínimos), redução de 90% nos impostos das empresas (colocando o IRC em 15% e dando 50000 milhões em novos benefícios fiscais), redução do IRS em 6600 milhões (quem ganhe mais de 90000 euros poderá poupar 40000 a 700000 euros de IRS anualmente), crescimento do PIB 35,5% nos 4 anos e o "misterioso desaparecimento" de 70000 milhões da dívida pública, que aparecem nas contas iniciais e não volta a aparecer.
    IL - 64000 milhões de despesas anuais. Redução de 100% (com benefícios fiscais de 500000 milhões) para empresas e redução de 6600 milhões no IRS (proposta quase igual à da AD), crescimento do PIB de 260% nos 4 anos e o pagamento de 130000 milhões de dívida pública, fim do IA, IMT e IUC, sem explicarem de onde aparece tanto dinheiro nem como vão reduzir a despesa pública em 57000 milhões; 
    Chega - 500000 milhões em despesas anuais. Redução de 100% nos impostos empresariais, redução de 6600 milhões no IRS (comum à AD e IL), crescimento do PIB de 11630% nos 4 anos, aumentos de salários de 60000% para forças policiais, 21600% para forças militares, 13000% para médicos, 21000% para enfermeiros, 17000% para professores e 50000% para professores universitários, fim do IUC, IA, IMI e IMT, sem explicar como vai quintuplicar a receita pública para fazer face a essas promessas. 
    É normal que apontem ao Chega, pois é quem faz propostas que as pessoas ouvem e adoram (um polícia passar a receber 80000 euros anuais, de salário base, podendo chegar aos 6 milhões de euros, anuais, com gratificações ou um professor receber 76000 euros anuais, como base ou pensões de 1500 euros mensais para quem descontou sobre o salário mínimo toda a vida) sem pensar nas contra partidas. Principalmente porque o Chega usurpou o controlo que o PSD tinha nas universidades portuguesas. Tem sido aí que a seita, liderada por André Ventura, mais têm agido para captar votos dos jovens. 
    Assim como seria bom os jornalistas explicarem porque é que a AD, IL e Chega, poderão realizar 12260 conferências, em universidades/institutos públicos portugueses mas, PS e a esquerda não as podem fazer, dentro dos recintos. Seria engraçado saber porque é que os reitores, associações de pais e associações de estudantes só permitem que AD, Chega e IL realizem conferências patrocinados pelos dirigentes, enquanto proíbem os outros de o fazer, maioria delas à porta fechada e com bloqueadores de sinal de telemóvel, para não existirem passagens de informações para o exterior. Qual será o medo de se saber o que lá é discutido? 

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  4. não se importa de dizer em que galáxia vive?

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  5. Deve ser na galáxia dos números mirabulantes.

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  6. Precisamos de perder por poucos para fingir-mos que há democracia. Claro que a direita que se recusa a dizer que é direita não poderá mudar nada de relevante no funcionamento do pais = mudar um átomo da sua cultura. 

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  7. Mais um com alergia à realidade, ou então, sem tabaco na mistura ... Ou ainda, talvez influenciado pelos paineleiros que comentam os debates, pensa que tudo é futebol ...

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  8. Mas quem ouve alguns deles, e não os conhece, pode pensar que são grandes estadistas. Por exemplo, tem pouco tempo  que ouvi na rádio Observador o sr Francisco Assis a perorar sobre o estado de direito e a democracia e por aí fora (todas essas tretas para enganarem o pagode no discursos) a propósito do sr Putin e da morte do sr Navalny. 

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  9. O PSnão faz campanha : manda  os  lacaios  ( "jornalistas", "comentadores", "analistas" e toda uma corja de psitacídeos ...) fazê-la nos seus terminais mediáticos ...
    Juromenha

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