terça-feira, 30 de janeiro de 2024

O pior cego

Miguel Santos Carrapatoso, "poveiro por direito e convicção" é um jornalista de política (editor adjunto de política no Observador) que aplica ao jornalismo a mesma opção que aplica à descrição de si próprio: em vez de dizer que é poveiro porque nasceu na Póvoa, diz que é poveiro por direito e convicção.


Hoje tem um artigo de opinião no Observador que ilustra bem a forma como funciona a sua cabeça, o que se reflecte na cobertura jornalística que faz e influencia.


A tese base do artigo é mais ou menos a de que não são todos iguais, mas parecem porque não demonstram ser diferentes "PS e PSD bem se podem queixar das cabalas e de todas as conspirações do mundo. Bem podem lamentar e denunciar quem aproveita estes casos para dizer que os políticos são todos iguais. Não são. Mas se PS e PSD não fizerem nada, nem mesmo depois disto, já ninguém vai acreditar no que dizem".


Como não dei por ninguém no PSD a falar de cabalas a propósito da Madeira (não digo que não exista, evidentemente, estou a dizer que não dei por isso) mas tenho dado pelo PS, desde os mais exóticos aos mais responsáveis, a falar de cabalas sempre que há alguma questão com o PS, incluindo no formalismo da tribuna do congresso partidário, fiquei com curiosidade sobre o fundamento que leva Miguel Santos Carrapatoso, poveiro por direito e convicção, à sua tese.


"Preferem sempre a tese da cabala. O alvo é laranja? O PS exige consequências políticas, o PSD queixa-se de perseguição. O alvo é rosa? O PSD exige consequências políticas, o PS queixa-se de perseguição. António Costa disse-o, com todas as letras. “Podem-me ter derrubado, mas não me derrotaram.” Quem o derrubou? Vítor Escária, o homem que escolheu para chefe de gabinete e que guardou 75 mil euros em dinheiro vivo na residência oficial do primeiro-ministro? Não, provavelmente foi o Ministério Público, a direita ou o Presidente da República.


Luís Montenegro, justiça lhe seja feita, ainda não deu esse passo para justificar o que aconteceu na Madeira. Mas qualquer destacado dirigente social-democrata com quem se fale por estes dias acredita piamente que o que está acontecer com Miguel Albuquerque obedece a uma lógica de compensação pelo que aconteceu no continente. Olho por olho, dente por dente, ora cai o PS, ora cai o PSD, como se fosse uma regra não escrita com que todos têm de aprender a jogar".


Resumindo a fundamentação, afinal o PS e o PSD portam-se publicamente de maneira diferente, mas o jornalista sabe, falando com pessoas que não identifica, que nos bastidores é tudo a mesma coisa.


Que retrato magnífico.


Não dos partidos, evidentemente, mas do jornalismo.


Ressalve-se, no entanto, que eu sei que os jornalistas não são todos iguais e o jornalismo não é todo igual, estou apenas a dizer que o retrato que este jornalista em concreto faz de um jornalismo que embora reconheça que os factos verificáveis são uma coisa, sabe, a partir de fontes anónimas, que a realidade é outra coisa.


É um retrato bem lúcido de grande parte do jornalismo político em Portugal.

17 comentários:

  1. O problema do artigo, e do "jornalismo político" aqui do burgo, é o "tom Anabela Neves", ou seja, um discurso pomposo, condescendente e sarcástico em que o jornalista assume que é a única pessoa séria e inteligente na sala e que os políticos que "analisa" são todos umas crianças estúpidas e corruptas (Dâmaso Salcede em modo David Attenborough a falar dos babuínos). Admito, até, que eles terem esse "tom" é uma condição para terem emprego. Quanto à substância, não duvido que as pessoas do PSD, apesar de terem o bom senso de não o dizerem publicamente, achem que o Director Nacional da PJ é um homem-de-mão do PS (e não só as pessoas do PSD, veja-se a insólita exclusão da PJ das diligências da "Operação Influencer"), e, por tal, que o timing da excursão da PJ à Madeira foi a contrapartida do espectacular donativo que o PS - perdão o Governo - deu à PJ (e só à PJ), sob a forma de "subsídio de missão", com um ano de retroactivos.

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  2. jornalistas, repórteres, comentadores são, com raras excepções,:
    LIXO HUMANO

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  3. Até pode ser exactamente assim, mas não é irrelevante que se assuma isso como linha de combate político, como faz o PS, ou não, como faz o PSD.

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  4. Sendo um artigo de opinião, dá a sua opinião. Não é "jornalismo", pois não quer transmitir a verdade dos factos.

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  5. E é uma opinião muito lúcida sobre o jornalismo político

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  6. Quais comentadores? É que aqui (e na net em geral) também somos todos comentadores. 
    Refere-se aos comentadores/ opinadores dos média regimentais ?

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  7. O Carrapatoso? Não sei  se é lúcida ou não, é a dele. A suposição / insinuação que faz, uns concordarão, outros não. Não está certo ou errado.

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  8. Os que têm opinião oposta à minha. São burros, avençados, ou ambos. Assim diz a Palavra do Woke.

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  9. Está a afirmar que não existem opiniões erradas?

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  10. Não faz suposição, nem insinuação. Afirma que os partidos se "queixa[m] das cabalas e de todas as conspirações do mundo" e que "preferem sempre a tese da cabala".


    Pelo que quer mesmo "transmitir a verdade dos factos" e como reconhece que está a mentir, tem que acabar por dizer que afinal uns não se queixam nada nem de cabalas, nem de conspirações, mas que qualquer um com quem se fale por estes dias...



    Enfim.


    O Houllebecq escrevia "os jornais de centro-esquerda, ou seja, na verdade todos os jornais".

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  11. Só as dos que discordam de mim

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  12. Mas qualquer destacado dirigente social-democrata com quem se fale por estes dias acredita piamente que o que está acontecer com Miguel Albuquerque obedece a uma lógica de compensação 


    É  uma suposição. Que ele cre ser real. Ê falsa? Não sei, não falei com destacados dirigentes 

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  13. por má fé pensam que sou ignorante e estúpido.
    deturpam factos a que assisti
    querem que viva na CELA social fascista para nas horas de recreio me colocarem a SELA.

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  14. estão a prender os SUPERDRAGÕES

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  15. A minha verdade.
    Entrada no dicionário Oxford, via Wokeville

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