O essencial do título deste post está no "me", ou seja, o que escrevo daqui para a frente diz-me respeito a mim.
Recebi ontem um mail para pagar a minha quota do Instituto +Liberdade, o que farei com gosto.
E faço-o com gosto porque os 50 euros que me pedem por ano me parecem justos face ao trabalho de mediação que me é entregue de volta.
Nesse instituto a produção de informação é menos alinhada politicamente que nos jornais?
Não, de maneira nenhuma, o Instituto tem uma orientação política e ideológica muito clara, é liberal.
Por exemplo, um dia destes publicaram este boneco numa coisa que têm chamada +Factos.

O boneco é uma resposta à OXFAM, uma organização antigamente respeitada (como a Amnistia Internacional), antes de ser tomada de assalto pelo pessoal das boas intenções (como a Amnistia Internacional) "Esta semana, um relatório da Oxfam (uma confederação internacional que atua na busca de soluções para os problemas da pobreza e desigualdades) destacou que a fortuna dos 5 homens mais ricos do mundo aumentou 114% desde 2000. O relatório incita ainda que "o poder público pode controlar o poder empresarial descontrolado e a desigualdade", relacionando o aumento da fortuna dos ricos com a desigualdade económica e pobreza. Mas será que esta relação verifica-se?".
Teria preferido que a frase final fosse um bocadinho melhor "Mas será que esta relação se verifica?", mas isso não é essencial, a imperfeição será sempre um dado do problema, nas coisas humanas.
O que me interessa é que politicamente motivado, o medidador do Instituto +Liberdade não opta por treta, mas por factos.
Bem sei que o boneco que está acima não diz tudo o que se poderia dizer sobre o assunto, bem sei que há argumentário sério sobre esse boneco (os países mais ricos exploram os mais pobres, de maneira que a questão não está em saber se os pobres dos países mais ricos são menos pobres que os pobres dos países mais pobres, mas sim se não seríamos todos mais bem servidos com menos ricos e menos pobres), o que o +Liberdade faz é trazer informação concreta, verificável, com fontes identificadas, para a discussão.
E fá-lo não apenas desta forma, mas prosseguindo "a nossa missão de desenvolver conteúdos e análises no projecto +Factos, escrever e publicar livros da colecção +Liberdade, criar vídeos didácticos, enriquecer a Biblioteca +Liberdade com novos títulos, preparar aulas e palestras, bem como organizar eventos (como o Campus da Liberdade), exposições, concursos de ensaios e outras iniciativas em prol da promoção da literacia económica e financeira e do desenvolvimento do nosso país".
É verdade que não produzem informação todos os dias, é verdade que não seguem obsessivamente a espuma dos dias, é verdade que escolhem a realidade que preferem ver, mas isso serve-me bem melhor que a maioria dos jornais, porque olha para realidades diferentes, a escalas de tempo e espaço diferentes e, sobretudo, com dados bem mais objectivos (como no livro "Trancas à porta" de que falei recentemente, editado por este Instituto, em que os dados são todos de fontes oficiais comprováveis, o que não impede que algumas pessoas insistam que haverá outros números que dizem coisas diferentes, numa renovação da ideia infantil de que Natal é sempre que um homem quiser).
Caros jornalistas, se querem que a sociedade vos respeito mais, sugiro que comecem por se dar mais ao respeito, respeitando regras básicas da mediação, cujo exemplo prático podem ver nas práticas de organizações como o +Liberdade.
ResponderEliminarpagar a minha quota do Instituto +Liberdade
Não fazia a menor ideia de que esse instituto tivesse membros e cobrasse quotas, como uma associação ou um partido.
O título (ou o oposto) em si é uma falácia pois implica uma dependência entre os dois factores. É o resultado de não matemáticos a escreverem acerca de conceitos baseados na matemática.
ResponderEliminarcada vez há mais:
ResponderEliminar«
Mais tabaco na mistura ...
ResponderEliminarqueria dizer «má temática»?
ResponderEliminarou
Porque...
ResponderEliminar
ResponderEliminaro que não impede que algumas pessoas insistam que haverá outros números que dizem coisas diferentes
Que números e o que dizem?
e a ^1ª vez que ouço que nos países onde há mais concentração de bilionários há mais desigualdade e pobreza...os bilionários de hoje fazem negócios globais, logo isso não faz sentido. , a pergunta seria se à medida que aumentam os bilionários no mundo aumentam a desigualdade e pobreza no mundo.
ResponderEliminarÉ a chamada lavagem de dinheiro.
ResponderEliminarDesigualdade sim, pobreza não.
ResponderEliminarÉ natural qud a concentração de capital ou riqueza possa fazer aumentar a desigualdade, mas isso não implica que aumente a pobreza.
Com mais liberalismo ou mais socialismo o fim será o mesmo: Globalismo
ResponderEliminarpode aumentar a pobreza de recursos como água ou floresta. a minas de lítio dão cabo da águas subterrâneas , por exemplo . a forma de "fazer riqueza" hoje em dia baseia-se na descapitalização brutal da Natureza.
ResponderEliminarmais para a frente , se continuarem com a conversa das alterações climáticas , as correlações que terão de verificar se existem é entre capitalistas e alterações climáticas...
eu recuso-me a reciclar e coisas dessas enquanto os ricaços gastarem Natureza como se não houvesse amanhã. não são mais que eu , não têm direitos especiais , não são divinos. ou poupam todos e se estabelece uma quota de gasto de recursos por cabeça , ou nada feito.
e aumentou a pobreza , há mais 165 milhões de pessoas em pobreza extrema.
ResponderEliminarhttps://www.dw.com/es/hay-165-millones-de-nuevos-pobres-en-el-mundo-seg%C3%BAn-la-onu/a-66225614
ResponderEliminarAinda mais factos. Depois da "fotografia" olhe-se agora para o "filme": a evolução do Índice de Gini (IG) ao longo do tempo para os 10 países com maior concentração de bilionários, de acordo com a figura apresentada no post. Um gráfico com essa evolução pode ser visto aqui https://ourworldindata.org/grapher/economic-inequality-gini-index?tab=chart&country=USA~AUS~DNK~DEU~IRL~ISR~CAN~SWE~CHE~NOR
Convém recordar que "The Gini coefficient measures inequality on a scale from 0 to1. Higher values indicate higher inequality." (World Bank)
Valores do IG para o primeiro e último ano de dados disponíveis
EUA - 1974 IG = 0,35; 2019 IG = 0,42; mínimo em 1979, tendência crescente desde então
Suíça - 1982 IG = 0,36; 2018 IG = 0,33; mínimo em 2012 (0,32) e máximo em 1982
Alemanha - 1991 IG = 0,29; 2018 IG = 0,32; mínimo em 1998 (0,28) e máximo em 2018
Irlanda - 1987 IG = 0,35; 2018 IG = 0,31; mínimo em 2018 e máximo em 1995 (0,37)
Suécia - 1967 IG = 0,34; 2019 IG = 0,29; mínimo em 1981 (0,23) e máximo em 1967
Noruega - 1979 IG = 0,27; 2019 IG = 0,28; mínimo em 2011 (0,25) e máximo em 2004 (0,32)
Dinamarca - 1987 IG = 0,26; 2018 IG = 0,28; mínimo em 1995 (0,23) e máximo em 2013 (0,29)
O "filme" genérico do neo-liberalismo é este: aumento da desigualdade medida pelo IG nos últimos 20-40 anos, depois de ter vindo a diminuir. Nos EUA, o país mais liberal do mundo, a tendência é de aumento contínuo quase desde o início dos dados.
E ainda mais factos:
"The gap between the average incomes of the top 10% and the bottom 50% within countries has almost doubled, from 8.5 to 15.
(...)
Indeed, the share of income captured by the poorest half of the world population is about 2 times lower today than in 1820 ..."
(https://wir2022.wid.world/chapter-2/)
"The wealth of richest individuals on earth has grown at 6 to 9% per year since 1995, whereas average wealth has grown at 3.2% per year. Since 1995, the share of global wealth possessed by billionaires has risen from 1% to over 3%. This increase has been exacerbated during the COVID pandemic. In fact, 2020 marked the largest increase in the share of global billionaires wealth available on record."
(https://wir2022.wid.world/chapter-4/)
Notícias censuradas do jornalismo Português e outro...
ResponderEliminarhttps://www.spectator.co.uk/article/donald-tusks-plot-against-the-populists/
Sugiro que em vez de notícias da treta, vá a fontes de informação mais consistentes
ResponderEliminarExtreme poverty: How far have we come, and how far do we still have to go? - Our World in Data
É a técnica do costume: escolher o que se quer para apoiar o argumento.
ResponderEliminarSó que o argumento inicial, do post, compara situações e o seu comentário evitou comparar os dez mais ricos com os outros.
Faça a comparação, e depois volte cá com os dados (e não se esqueça de o argumento é o de haver mais pobreza porque há mais ricos, o que manifestamente não pode ser avaliado apenas pelo índice de Gini que apenas avalia desigualdade: pode haver mais desigualdade e menos pobreza).
"
ResponderEliminarÉ uma boa filosofia, até pensarmos que para não sei quantos muitos milhões de pessoas nós somos também ricaços.
ResponderEliminarFactos
ResponderEliminarcinco homens mais ricos do mundo (https://www.seudinheiro.com/2023/internacional/esses-5-bilionarios-de-tecnologia-ficaram-us-337-bilhoes-mais-ricos-em-2023-veja-os-ricacos-que-mais-ganharam-e-perderam-dinheiro-neste-ano-davs-miql/)
Qual é a fonte para esta afirmação: "O património de 5 mil milhões de pessoas diminuiu no mesmo período".?
ResponderEliminar
ResponderEliminarA fonte é o relatorio da Oxfam
( https://oi-files-d8-prod.s3.eu-west-2.amazonaws.com/s3fs-public/2024-01/Davos%202024%20Executive%20Summary%20English.pdf )
Factos que não afirmo serem reais. Nem era esse o propósito do comentário.
Essa demonstração pode fazer-se "a contrario". Nos países onde há menos desigualdade há menos crescimento (não vou citar mas basta pensar que a ausência de muito ricos indicia falta de iniciativa económica relevante).
ResponderEliminarOnde desconfio da mensagem que o gráfico indirectamente sugere é na questão do capital. E aí começo com um pressuposto: não se cria riqueza sem capital. Ora o que acontece no caminho para o socialismo, é que a voracidade fiscal concentra o capital no Estado, deixando pouco para a iniciativa privada e, no limite, para o consumo privado. Mas o mesmo acontece se o capital estiver maioritariamente na posse de um pequeno número de super-ricos. Em qualquer dos casos diminui a capacidade de crescimento. Nesse sentido o caso português é paradigmático porque concorrem ambos os fenómenos: aumenta a carga tributária e a concentração da riqueza. Os resultados falam por si.
O mesmo relatório que, habilidosamente, escreve isto: ".Each crisis has widened the gulf – not so much between the rich and people living in poverty, but between an oligarchic few and the vast majority."
ResponderEliminarNão estou a ver como conseguem demonstrar que 5 mil milhões de pessoas, numa população total abaixo de oito mil milhões, ficou mais pobre num período em que o aumento do PIB mundial ocorre (apesar da queda na sequência das medidas anti-covid).
Já fui ver a nota estatística e é risível: o riqueza desses aumentou em termos nominais, mas terá diminuído 0,2% em termos reais.
ResponderEliminarComo estão a comparar riqueza bolsista medida através de cotações num determinado momento, com rendimento real, evidentemente não há maneira de concluir que o conclui a OXFAM a não ser com base no que se queria dizer à partida, que condiciona a forma como se trabalham os números.
Só socialistas por aqui.... Nada preocupados com a pobreza, muito preocupados com a desigualdade.
ResponderEliminarClaro que os mais ricos ficam ainda mais ricos se existir crescimento económico especialmente se esse crescimento económico depender da mobilidade.
Do que não se fala é como um pobre hoje pode ter tecnologia que um milionário não conseguiria ter há 10 anos.
ResponderEliminarContinua concentrado nos factos. Cuja fiabilidade não é reconhecida no comentário. E a fazer aquilo que critica no balio.
Todos os relatórios são habilidosos. Porque as interpretações e conclusões não são factuais. É essa a questão. Dois factos existirem em simultâneo não significa que estejam correlacionados.
Quanto ao dito, presumo que o tenha lido, bem como as fontes em que o dito se diz ter baseado.
ResponderEliminarhttps://identdegeneroideologiaouciencia.blogs.sapo.pt/a-ideologia-de-genero-nao-existe-35545
seremos remediados.... não andamos de jacto privado , não temos yates , não temos uma frota de carros , não enchemos piscinas com milhares de litros de água , não usamos diamantes de sangue , não temos mansões , etc.. tudo isso exige toneladas de produtos químicos poluentes para manutenção e limpeza , por exemplo.
ResponderEliminarsó um cromo como o ronaldo deve gastar e poluir a Natureza equivalente a umas 50 mil famílias remediadas. e isso não pode continuar a ser assim se atentarmos no discurso das alterações climáticas : Justiça climática para todos !!! vai ser o lema da nova revolução francesa global matem os ricos , decapitem os reis da poluição !
A Polónia também já teve melhores dias.
ResponderEliminar"e não se esqueça de o argumento é o de haver mais pobreza porque há mais ricos ..." (HPS)
ResponderEliminarObviamente um argumento falacioso, onde se parte do princípio (para totós) de que correlação é causalidade, algo que ambos sabemos não ser verdade e já o afirmámos aqui inúmeras vezes. Ou será que estou enganado e fui apenas eu que o escrevi?
E mais: comparar de forma simplista - sem referência a guerras, golpes de estado, interferência externa, sanções ocidentais, etc. - os 10 países mais ricos com os 10 mais pobres, com o intuito de provar que há menos pobreza e mais ricos nos primeiros e mais pobreza e menos ricos nos segundos, concluindo-se que não é pelo facto de haver mais ricos que há mais pobres, é um sofisma que não envergonharia La Palice.
Mas que há quem coma com agrado esta palha (ideo) lógica e ainda pague quotas para que ela seja produzida, parece haver. Mas, como costuma dizer, "o direito à asneira é sagrado", ou algo parecido.
Já comparar a evolução temporal de massa salarial e PIB, massa salarial e lucros empresariais, massa salarial e produtividade ou simplesmente o Índice de Gini, isso já não convém fazer. Compreende-se porquê.
Satisfazendo o seu pedido - não o fiz ontem porque, tal como hoje, já era tarde - aqui fica gráfico da evolução do IG para os 10 países mais pobres https://ourworldindata.org/grapher/economic-inequality-gini-index?tab=chart&country=EGY~ZWE~VNM~NGA~VEN~MAR~NPL~DZA~TZA~BGD
Porque isso dá trabalho, não irei detalhar tal como fiz ontem. Mas a análise visual, mau grado a escassez de dados, aponta para a descida do IG na generalidade dos países, existindo algumas excepções.
https://medium.com/@cesarranquetatjr/os-liberais-globalistas-e-agenda-cultural-da-esquerda-115ce0616672
ResponderEliminarSó a electricidade gasta neste post, entre escrita, leitura e comentários, dava para iluminar uma casa durante boas semanas.
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ResponderEliminarEvidente
Excepto para os wokes. Quando se tem um martelo na mão, tudo são pregos.