segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Castigo colectivo e responsabilidade

Guterres considera a suspensão do financiamento à agência da ONU para os refugiados palestinianos como um castigo colectivo à população de Gaza e, por isso, pede que os países que resolveram suspender o financiamento deveriam rever a sua posição.


Imaginemos que Guterres era o chefe de uma esquadra de polícia.


Imaginemos que durante anos havia queixas de que os polícias debaixo do seu comando se entretinham, nas horas vagas (para usar a extraordinária ideia de Luís Lavoura), a assaltar casas usando a sua condição de polícias, fardados de polícias, nos carros de polícia, para convencer as pessoas a abrir-lhes a porta.


Imaginemos que a essas queixas Guterres respondia que não lhe cabia saber o que faziam os seus homens nas horas vagas e que o essencial é que os seus homens eram imprescindíveis para assegurar o policiamento da comunidade, garantindo a segurança de todos, sendo a alternativa um caos social que iria prejudicar os mais desprotegidos.


Às tantas, a associação das vítimas dos assaltos produzia documentação sólida e inquestionável sobre um assalto de dois polícias, exactamente como descrito nas queixas.


Guterres despedia imediatamente os polícias, chamava a atenção para a necessidade de verificar as provas, dizia que eram uma percentagem ínfima dos seus homens e que os seus homens eram essencias ao bem estar da comunidade.


Os maiores financiadores dessa esquadra de polícia, fartos da situação e desconfiando que o seu dinheiro era impunemente desviado, de forma sistemática, para as actividades paralelas dos polícias, suspendiam o financiamento, o que poderia levar ao agravamento da situação já precária dos mais desprotegidos dessa comunidade.


De quem era a responsabilidade pela punição colectiva, dos financiadores que se fartaram de uma situação em que durante anos as queixas foram ignoradas e a actividade da esquadra da polícia foi fortalecendo as actividades paralelas dos polícias, incluindo pelo desvio de recursos que deveriam servir a comunidade e não o bando de mal-feitores empregados pela polícia, ou do chefe da esquadra?

37 comentários:





  1. Quem diz ao Henrique que os funcionários da ONU que participaram em atividades terroristas o fizeram utilizando, de alguma forma, a sua condição de (e privilégios como) funcionários da ONU?

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  2. Há polícias corruptos ou que cometem crimes. Acaba-se o financiamento à Polícia. O mais interessante é que já ouvi este argumento antes. depois vinha o policiamento comunitário.

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  3. É natural que já tenha ouvido esse argumento em algum lado porque há argumentos estúpidos em muito lado.
    Curiosamente, não tem nenhuma relação com o post, onde o argumento é outro, como pode verificar lendo com mais atenção.

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  4. É uma ideia que está completamente em linha com o que defende Israel, que age como quem pensa que sendo o Hamas constituído por palestinianos de Gaza, isso lhe dá legitimidade para matar qualquer palestiniano, mesmo que seja uma criança ou um doente no hospital. Se há membros do Hamas entre os homens da ONU, então toda a ONU é um alvo.
    Em tempos dizia-se que o facto dos judeus terem pedido a morte de Cristo implicava que todos os judeus deviam morrer.
    Não é supresa mas não deixa de ser triste pensar que a humanidade não avançou nada.
    Toda essa história de sanções à Onu não passa de uma desculpa mal alinhavada para endurecer o cerco a Gaza da parte dos apoiantes de Israel.

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  5. Vejo que tem alguma dificuldade em lidar com o conceito de responsabilidade, mas sei que se tentar, vai conseguir.

    Leia o post com atenção, depois de se informar sobre a ideia de que quando se perde uma guerra a responsabilidade nunca é dos soldados, mas do general, e vai haver que tudo se torna simples de compreender.

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  6. Estou em crer que não haverá um único palestiniano que não nutra um ódio profundíssimo por Israel e que, á mínima oportunidade para o fazer, náo hesitará em limpar o sebo ao maior número de judeus possivel...
    O resto são tretas e histórias da carochinha.

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  7. O texto em si é metafórico, pois duvido que uma esquadra tenha "financiadores". Quer dizer, existem esquadras dessas, mas os financiamentos não são legais. A não ser que falemos em milícias.
    Mas o texto defende que o destino de uma instituição corrompida, neste caso por infiltrados, será o seu desmantelamento, ao invés de tentar investigar e resolver o problema. Ou terei sido o único a ler isso...
    Nem indo ao facto de, o que não faltarem nas instituições, são espiões, inflitrados, toupeiras, etc. Já tinham cortado o financiamento à CIA.

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  8. O texto, a mim, parece-me claro: quando existem queixas constantes que a direcção de uma instituição ignora e não investiga, não pode subtrair-se a essa responsabilidade - a de ignorar as queixas constantes e não as investigar - quando os resultados da má conduta caem sobre a instituição.

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  9. Os anglo saxonicos são peritos na extreminacao dos povos nativos

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  10. Mesmo lendo com atenção (se é que é possivel para muita gente) há um factor importante a ter em conta:  Dissonância cognitiva. 

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  11. Porque não se oferece como voluntário para ir lá "fiscalizar" essa situação?  
    E depois (se conseguir de lá sair) venha contar à gente. 

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  12. Qual é a responsabilização internacional e quais as sanções que se devem aplicar aos governantes de  Israel que assassinam sem distinguir combatentes da viúva e do órfão?

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  13. Mas qual responsabilidade, Henrique? Desde quando é que uma instituição é responsável pelos maus comportamentos das pessoas a quem dá emprego? Desde quando é que uma instituição é suposta empregar meios extraordinários (detetives, eu sei lá) para andar a descobrir a que é que os seus empregados se dedicam nos seus tempos livres? Desde quando é que uma instituição é suposta despedir pessoas por elas, ao que alguém diz (sem provas), andarem a preparar um crime?
    Agora Israel apresentou provas de que alguns funcionários da ONU cometeram crimes, a ONU despede-os, e faz muito bem. Mas, antes de eles terem cometido quaisquer crimes, a ONU não tinha razão para os despedir! Só ser membro do Hamas - que é um partido que se dedica a imensas coisas, além de à luta armada - não é razão para a ONU despedir ninguém!

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  14. Cara pessoa anónima,
    Anglos e saxões são dois povos distintos, essa perícia exterminativa de povos nativos, era característica de quem? Dos anglos ou dos saxões?
    (os israelitas também se incluem nos anglo-saxões? A província romana chamava-se Judeia não se chamava Hamasina nem Palestina, quem serão os nativos dali?)

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  15. Boa parte dos recursos que a UNRWA em Gaza obtém são para serem usados pelo Hamas. 

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  16. A esquerda é especialista no extermínio de inteiras classes sociais.

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  17. Os Palestinianos não são todos iguais, mas a maioria sim.

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  18. Ainda não vi nenhuma associação ambientalista a protestar contra os ataques do Irão/Houthis contra navios mercantes que aumentam substancialmente o  consumo de energia e consequente CO2...por terem de fazer a navegação à volta de África.

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  19. Devem ser os isefradfitas

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  20. Há uma regra - talvez mais, no caso concreto, um princípio; uma maçada, enfim, em qualquer caso, para os lavourianos - que convém não ignorar. Aborda a questão da responsabilidade objectiva do comitente pelos actos do comissário. 
    Googlai, querendo, sobre o conceito.

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  21. O que eu vejo é Israel a destruir Gaza. Se isso é uma consequência da guerra, então as ações do Hamas também são consequências da guerra.

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  22. HPS:
    Quantos foram os funcionários?  E quantos existem em Gaza desde há décadas? São todos terroristas ou suspeitos de tal? Será possível garantir que a ajuda nunca será desviada e que nunca serão aliciados? Ou pretende acabar com toda a ajuda?
    Suponhamos que os que lá estão  são TODOS partidistas do Hamas e congéneres. Sugiro que pense então (noutro post) se isso justifica o tapete de bombas e dumb bombs a que têm estado sujeitas mulheres e crianças.
    (E por que não também um post sobre o texto do caso sul-africano apresentado ao TIJ e a respectiva primeira resolução?)

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  23. HPS:


    Já reparei que conhece os números dos funcionários envolvidos, visto outro post anterior. Mas, como reparou, o ponto do meu comentário não é esse. 
    Já agora, cumpre não esquecer que o que são "terroristas" para uns (interessados) são "movimentos de libertação" para outros (não menos interessados).

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  24. Vejamos o que as convenções e a lei humanitária internacional estabelecem.



    "Collective punishment is prohibited by treaty in both international and non-international armed conflicts, more specifically Common Article 33 of the Fourth Geneva Convention and Article 4 of the Additional Protocol II."

    "Collective Punishment. International humanitarian law posits that no person may be punished for acts that he or she did not commit."


    "Historically used as a deterrence tool by occupying powers to prevent attacks from resistance movements ..."


    Vejamos agora o que diz o comunicado da UNRWA (https://www.unrwa.org/newsroom/official-statements/serious-allegations-against-unrwa-staff-gaza-strip ):
    "The Israeli Authorities have provided UNRWA with information about the alleged involvement of several UNRWA employees in the horrific attacks on Israel on 7 October.
    ... I have taken the decision to immediately terminate the contracts of these staff members and launch an investigation in order to establish the truth without delay." 


    Portanto existem alegações por parte de Israel que carecem de prova e vai ser lançada uma investigação para apurar a verdade. Até ao momento não existem quaisquer provas. Ou será que existem?


    De acordo com a CNN (https://edition.cnn.com/2024/01/27/middleeast/unrwa-israel-hamas-october-7-allegations-intl/index.html): 
    "An Israeli official familiar with how the intelligence was gathered said it was taken from Hamas computers and documents confiscated during operations in Gaza, and from interrogations of detainees and alleged terrorists."


    Computadores e documentos? Tudo tão fácil de falsificar. Interrogatórios a palestinianos? Sob tortura?  Muito provavelmente.


    "According to Lisa Hajjar (2005) and Dr. Rachel Stroumsa, the director of the Public Committee Against Torture in Israel, torture has been an abiding characteristic of Israeli methods of interrogation of Palestinians.[3][4] Though formally banned by the High Court in 1999, legalized exceptions, authorized by the Attorney General of Israel, persist."
    (https://en.wikipedia.org/wiki/Israeli_torture_in_the_occupied_territories)


    (continua)

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  25. Não vou responder a alegações completamente delirantes como a existência de tapetes de bombas e afins, limito-me a repetir que "O texto, a mim, parece-me claro: quando existem queixas constantes que a direcção de uma instituição ignora e não investiga, não pode subtrair-se a essa responsabilidade - a de ignorar as queixas constantes e não as investigar - quando os resultados da má conduta caem sobre a instituição".

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  26. Sim, é verdade que a ONU não considera o Hamas um movimento terrorista, mas isso diz mais sobre a natureza da ONU que sobre a natureza do Hamas.

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  27. Qual é a natureza da ONU?

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  28. Ontem o Casa Pia levou 8, aqui a Palestina deve estar a perder, pela alegria mostrada pela claque adversária.

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  29. A natureza da ONU é passar resoluções que são ignoradas sem qualquer consequência.

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  30. Antes do mais a minha solidariedade a HPS, tão atacado por Lavouras e outros "deploráveis" (algo de utilizável havia de sair do bestunto da Clinton).
    Sei que sou pessimista mas estou a sentir que a ONU está, em 2024 na mesma situação que a SDN (Sociedade das Nações) estava em 1938.

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  31. Então nesse caso Israel segundo seu argumento pode deixar de investir em armas guiadas e passar a lançar bombar em tapete em voo nivelado a alta altitude e não ficar casa sobre casa em Gaza..mas como você não percebe a diferença en "destruir" e "atingir" ou não está interessado...



    Você pode traduzir este artigo em russo de uma Cazar que esteve em Gaza em 7 de Outubro a explicar os truques que a sua familia usava para o Hamas não os colocar em risco.
    https://www.currenttime.tv/a/asia-kazakhstan-gaza/32689258.html

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  32. A natureza da ONU é obviamente dar legitimidade a ditaduras...

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  33. O mais ridículo da sua parte mesmo é tomar como certas as palavras do estado fascista de Israel, um estado onde a mutilação genital masculina é predominante.

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