Em Janeiro de 2017 (há sete anos, portanto), a Fundação Francisco Manuel dos Santos publicou um ensaio meu sobre couves e batatas.
Hoje recebi um mail a informar-me que ao longo do sexto ano após a publicação (ou seja, ao longo do ano passado) se venderam 187 livros de um total de vendas, desde a publicação, de 5063 livros.
Para além da auto-propaganda que consiste em publicitar resultados que não me envergonham (desconfio sempre das pessoas que dizem que não se envergonham de nada do que fizeram na vida, mas neste caso não me envergonho nada de ter vendido mais de cinco mil exemplares de um ensaio sobre couves e batatas, mesmo tendo presente a lucidez da minha mulher quando lhe dei a notícia: "anda por aí muita gente que foi ao engano"), resolvi fazer este post porque, a propósito de outro livro com o qual não tenho nenhuma ligação, alguém me dizia que na editora tratam os números de venda quase como segredo de Estado.
Nestas, como em muitas outras coisas, sou verdadeiramente radical em relação à circulação de informação.
Não é vergonha nenhuma não vender um livro, pode ser porque é mau, pode ser porque é bom, mas interessa a muito pouca gente, pode ser porque é bom, interessa a muita gente, mas foi mal vendido ou até pode ser por circunstâncias fortuitas (por exemplo, uma das coisas que mais ajudam um livro a vender é o facto do seu autor morrer dramaticamente na altura da sua publicação, mas são poucos os disponíveis para usar essa técnica de vendas, apesar da sua eficácia estar amplamente comprovada).
Não acredito que alguém que escreva o que quer que seja não o escreva para que alguém leia, nesse sentido, qualquer pessoa que escreve um livro, seja que livro for, gostaria de muita gente o lesse (um dos orientadores da minha tese de doutoramento, sabendo que eu a estava a fazer fora de qualquer ligação formal a qualquer instituição de investigação, portanto sem acesso fácil às caríssimas assinaturas das revistas, aconselhou-me a ver quem era o primeiro autor do que queria ler e lhe mandasse um mail a pedir o artigo, explicava ele "os académicos querem ser lidos, nunca recusam a oportunidade de ganhar um leitor").
Daí que eu não entenda uma política editorial (que, tanto quanto sei, a Fundação Francisco Manuel dos Santos não segue) de andar a evitar dar informação sobre vendas e afins.
Aliás, não me parece que isto seja uma coisa do mundo editorial, dá-me a impressão de que seja a vender livros, a comprar estantes, a falar de rendimentos, a discutir adjudicações de obras, a registar reuniões e seu conteúdo, etc., etc., etc., somos sempre a favor de uma certa contenção na informação que disponibilizamos a desconhecidos.
Aparentemente gostamos muito de surpresas.
bom , fiquei a perceber porque defende o pingo doce com unhas e dentes
ResponderEliminarPois eu fiquei sem perceber qual é a utilidade de um comentário canalha como esse.
ResponderEliminarnum país onde os nativos nem jornais leem, publica-se tanta porcaria que até os caixotes do lixo recusam.
ResponderEliminarnão se compram os que manifestam interesse
ResponderEliminarCinco mil é muitos livros.
Eu escrevi (com co-autores) um livro que vendeu até hoje (já lá vão 25 anos) uns mil exemplares.
Parabéns ao Henrique.