terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Não tenho culpa

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Este autocolante foi muito popular quando apareceram as primeiras dificuldades dos governos da AD.


Na verdade traduz uma posição muito comum nos votantes da esquerda: eu voto sempre bem, se há problemas é porque há uns burros que votam mal.


Uma das características destes votantes é, em cada momento, falarem da qualidade de alguns direitistas de há muito tempo, desde que hoje não tenham qualquer relevância política, por comparação com a falta de qualidade dos actuais adversários.


Já os nossos, é diferente.


Recentemente uma pessoa com cultura política muito acima da média, dizia com absoluta convicção: António Costa pode não ter grande visão nem sentido de Estado, mas é um político excepcional.


Provavelmente tem razão, eu não percebo para que serve um político sem visão nem sentido de Estado, como não percebo para que serve um músico sem ouvido ou um jogador de futebol que não acerta na bola, mas reconheço que estou em minoria.


O que sei é que António Costa, que anda na política desde tenra idade, reclama da justiça, como se não tivesse sido ministro da justiça (além de primeiro-ministro), fala na maior reforma da floresta desde D. Diniz (não foi ele que falou, foi o seu ministro dessa tutela) na sequência dos fogos de 2017, como se não tivesse sido ministro da administração interna (além de primeiro-ministro), fala na reforma da saúde que deixa prontinha para o próximo governo, como se não tivesse ocupado os últimos anos da sua vida na função de primeiro-ministro, garante que quer queiram quer não vão ter de construir a habitação que está no PRR, e que ele não conseguiu concretizar, apesar de ter sido o presidente da principal câmara do país (onde existem os maiores problemas de acesso à habitação) e também primeiro-ministro, etc., etc., etc..


Deve ser isto um político excepcional, o que vai sempre matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem (para citar Caetano Veloso) e nunca tem responsabilidades, a não ser no que lhe convém, ele nem sequer coordenou a última moção de estratégia que Sócrates apresentou a um congresso do PS (ou melhor, era o coordenador da moção, mas isso não quer dizer que tenha alguma responsabilidade na situação em que Sócrates entregou o país, depois de negociar com a troica a maneira de fazer chegar um empréstimo que os credores não estavam interessadas em providenciar).


Se perder as eleições?


Simples, faz-se um autocolante a dizer que a culpa é de quem votou no adversário.


Se ganhar as eleições?


Simples, a culpa é do Passos.


E andamos nisto há anos.

14 comentários:


  1. "O que sei é que António Costa, que anda na política desde tenra idade,...".
    Não é só A. Costa, foram todos os PMs no após a Constituição vigente.

    Quem tem apetência por uma carreira política -desde há muito tempo- forçosamente tem que se meter nas jotinhas. E, lá dentro, dar muitas cutoveladas e rasteiras

    Em consequência de esse processo de seleção de tão virtuosa classe política, os eventualmente "eleitos" PMs já não conseguem cativar personagens de reconhecido prestígio, na vida privada. Aceitar serem juguetes de um qualquer chefe de claque partidária não é grande opção. A resultante classe política, agora bem visível, é caricata).

    Com uma Lei Eleiroral com votos uninominalmente quem por ventura, ou desventura, ("no pun intede") tenha apetência para uma carreira política tem que se candidatar no seu bairro e convencer esse seu eleitorado de que é o melhor. 
    Acabam os políticos de aviário.

    Conseguir vir a ser PM isso ainda é tarefa mais subtil e os incapazes nem aquecem a cadeira.
     

    E, ao contrário do que se passa em Portugal com campanhas eleitorais partidárias (a prolongarem-se doentiamente por 4 meses, nos Parlamentos preenchidos com deputados eleitos uninominalmente em menos de 1 semana há um novo PM para ser testado, testado a sério pelos representantes dos eleitores. 
    (Nada que tenha evitado o PM Boris J. de ter que enfrentar a Justiça (ela mesma).

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  2. PPC e Montenegro são alvos a abater por qualquer montón ...
    costa pela sua fraca qualidade nem serve para dirigir 'o burro e o Ferrari'.
    aguarda lugar na Europa ou onu

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  3. não percebo para que serve um político sem visão nem sentido de Estado


    Serve para alcançar e manter o poder. É esse o objetivo e o sentido da vida dos políticos.

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  4. nos Parlamentos preenchidos com deputados eleitos uninominalmente em menos de 1 semana há um novo PM


    Isso é verdade. Já quanto à representatividade de tais Parlamentos, tenho as maiores dúvidas.

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  5. António Costa reclama da justiça, como se não tivesse sido ministro da justiça


    O facto de se ser ministro da Justiça não significa que se possa fazer seja o que fôr com a justiça. Há limites legais e constitucionais àquilo que um ministro pode fazer.

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  6. Fosse só isso...
    Em Portugal há um tipo esclarecido, inteligente e trabalhador, eu, o problema são todos os outros. Que para além de votarem mal, ainda são uns calinas, aldrabões, só sabem mamar subsídios e tentar enganar o parceiro

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  7. "Na verdade traduz uma posição muito comum nos votantes da esquerda: eu voto sempre bem, se há problemas é porque há uns burros que votam mal."


    "Já os nossos, é diferente."


    Se calhar é porque nos votantes da direita os burros são mais genuínos. 

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  8. É importante que os Portugueses não votem, digam não ao ilegítimo, criminoso, corrupto, e anti-democrático, regime liberal/maçónico imposto pelo golpe de Estado da OTAN em 25 de Abril de 1974.
    Os Portugueses têm de ter consciência de que é preciso alterar a Lei Eleitoral por forma a impedir que os Estrangeiros possam votar nas Eleições Presidenciais, Legislativas, e Autárquicas, caso contrário haverá fraude nas Eleições e ingerência nos assuntos políticos e internos de Portugal; somente os Portugueses de Raça/Sangue de Portugal Continental e das Regiões Autónomas da Madeira e do Açores é que podem ter direito a Voto.

    Desde 2012 até à presente data uma grande quantidade de Estrangeiros têm sido deslocados para Portugal, o objectivo é, em troca da nacionalidade Portuguesa esses Estrangeiros terão votar nas Eleições por forma a substituírem os Votos em falta da imensa Maioria de Portugueses representados pela Abstenção.
    É essencial retirar a nacionalidade Portuguesa a todos os Estrangeiros – salvo excepções – atribuídas desde 2012 e efectuar um acordo/parceria com os seus Países de origem para o repatriamento, e depois iniciar um processo de controle e selecção rigoroso de todos aqueles que pretendam emigrar para Portugal.


    Post-Scriptum: Deve ser realizado um Referendo de maneira a que os Portugueses de Raça/Sangue (Portugal Continental e das Regiões Autónomas da Madeira e do Açores) possam escolher o tipo de Regime e Sistema Governativo que pretendem: Presidencialismo, República, Regionalização/Federalismo ou o actual Liberalismo/Parlamentarismo.

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  9. este palerma é um caso de estudo psiquiátrico.

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  10. Representatividade nacional!. Comparar a representatividade -em relação aos cidadãos, eleitores- de um Parlamento preenchido por Deputados eleitos uninominalmente, com outro, preeenchido por deputados nomeados por e em representação do seu partido, não é difícil. 


    Um parlamento de Deputados. Deputados eleitos nominalmente como os representantes dos cidadãos de um círculo eleitoral (eventualmente cerca de 60 a 90 mil eleitores) sendo que estes têm a necessária capacidade de avaliar, re-eleger, ou não, nominalmente, esses representantes.



    Por outro lado temos (teremos) em Portugal mais um "parlamento" de partidos. Os partidos são pequenas bolsas de interesses, em que 24 a 30 mil militantes escolhem o seu, deles, líder. Nem sequer as condições de um mísero círculo eleitoral preenchem. 
    Representatividade nacional?.

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  11. A mim interessa-me pouco a representatividade de cada círculo eleitoral - não é para mim claro que os interesses dos brigantinos sejam fundamentalmente diferentes dos interesses dos aveirenses ou dos setubalões, por exemplo.

    O que me interessa é a representatividade das tendências políticas, ou seja, dos comunistas, dos socialistas, dos conservadores, dos nacionalistas, dos liberais, dos animalistas, das feministas, etc etc etc.
    O sistema de círculos uninominais não consegue garantir tal representatividade.
    A título de exemplo, no anterior parlamento britânico praticamente todos os deputados eleitos pela Escócia eram do partido nacionalista, apesar de esse partido ser preferido por menos de metade dos eleitores escoceses. Ou seja, todas as outras tendências políticas populares entre os escoceses não estavam representadas no parlamento! O que me parece inaceitável.
    Para mim, é basicamente irrelevante que todos os deputados eleitos por, por exemplo, o PCP tenham sido escolhidos pelo Comité Central desse partido, e não pelos comunistas em geral. O que me interessa é que esses deputados exprimem perfeitamente uma tendência política, o comunismo, que é da preferência de alguns eleitores.

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  12. Obrigado. O seu ponto de vista terá ficado claro. Defende o primado das ideologias tais como a que M. Soares -e tantos outros líderes, democraticamnete eleitos, ou não- metem na gaveta. 
    O problema é o impor ideologias. E como cada um pensa que a sua noção de uma ideologia é a verdadeira... mata-se e morre-se por elas, sejam elas de carácter religioso ou político. Afinal, boas desculpas para tiranos?.

    A diferença é que num Parlamento com variados -com diferentes culturas- Deputados uninominais...o ridículo mata e as desculpas ideológicas desvanecem-se. E o(s) próprio(s) PM(s) se não forem minimamente realistas e pragmáticos até são, simplesmente, depostos pelos Deputados do "seu" partido, como aconteceu recentemente no Reino Unido. Afinal naquele País a democracia existe há séculos, não foi imposto por uma esquerda folclórica com inspiração divína/ideológica

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