Lenine desloca o centro da acção política da classe operária (onde Marx a tinha posto) para o partido, que é a vanguarda da classe operária.
Dessa opção resulta a necessidade de um partido de revolucionários profissionais, com um programa político muito bem definido, provocando uma alteração de prioridades relevante: o partido passa a ser mais importante que a classe operária.
O corolário é que o centralismo democrático, que garante a unidade e eficácia do partido, passa a ser mais importante que a federação dos diferentes pontos de vista que necessariamente existem dentro da classe operária, podendo o partido ser minoritário na classe operária durante muitos anos, desde o seu programa revolucionário seja eficaz na ocupação do espaço político.
Estou convencido de que qualquer partido cujo financiamento e sobrevivência não dependa dos seus militantes, tende a aproximar-se desta visão partidária leninista, independentemente do conteúdo do seu programa político, passando os seus funcionários a ter um peso crescente face aos militantes e à sociedade.
Claro que em partidos e sociedades democráticas, esta deriva leninista tem limites no êxito eleitoral, mas em qualquer caso é o interesse dos funcionários e outros dependentes que tende a determinar a estratégia eleitoral, muito mais que o programa original do partido.
Quando a Iniciativa Liberal elegeu oito deputados, em vez do deputado original, falei com quem pude, na Iniciativa Liberal, sobre o esforço necessário para manter uma das suas características iniciais mais interessantes, a abertura à sociedade.
Mais que isso, nos grupos de produção de propostas em que participei, fui sempre reclamando com a deriva crescente de pedido de apoio à actividade parlamentar, como se as pessoas que livremente dispunham do seu tempo para formular políticas fossem assessores do grupo parlamentar, e não pessoas livres, politicamente disponíveis para apoiar ideias liberais, acabando no meu abandono desses grupos por desinteresse em desempenhar uma tarefa definida pelo partido que, na tal lógica leninista, achava prioritária.
O anúncio de João Cotrim como cabeça de lista para as europeias rompeu com a tradição da Iniciativa Liberal procurar, fora do partido, gente que acrescentava às ideias liberais, demonstrando como a leninização do partido tinha, definitivamente, ganho o braço de ferro aos que defendem maior abertura à sociedade, mesmo com prejuío da eficácia partidária, no curto prazo.
Agora é a decisão sobre a colocação de Carla Castro na lista de candidatos às próximas legislativas a demonstrar um grau de leninização que francamente me incomoda.
O mais natural é que eu vote na Iniciativa Liberal nestas eleições legislativas, ainda, tenho bastante mais dúvidas nas europeias, para além de achar natural que os incentivos que existem no nosso sistema partidária acabem por levar qualquer partido ao caminho teorizado por Lenine, como realmente acontece actualmente com todos eles (com a excepção, talvez, do Livre).
Mas não deixo de ficar muito decepcionado com a opção e com a força e rapidez com que esse processo está a ocorrer na Iniciativa Liberal.
Paciência, é o que há, se eu realmente quisesse as coisas feitas de forma diferente, fazia-me militante ou fazia outro partido, e não tenciono fazer nenhuma dessas duas coisas, pelo que irei votando no que me parecer menos mau e respondendo aos pedidos de opinião que, aqui e ali, diferentes partidos, me fazem em matérias sobre as quais acham que vale a pena ouvir-me.
ResponderEliminarOnde é que o Henrique vê essa suposta tradição?
Que eu saiba, Ricardo Arroja foi, até agora, o único candidato relevante da Iniciativa Liberal que não era membro do partido.
Não tenho conhecimento de nenhuns outros candidatos vindos de fora do partido.
Cotrim de Figueiredo não era militante quando foi cabeça de lista por Lisboa, Tiago Mayan não sei se era militante, mas não era conhecido isso, e poderia falar de vários outros
ResponderEliminar
ResponderEliminarNão vejo leninização. Se houvesse leninização, os atuais deputados seriam considerados funcionários do partido e seriam sempre mantidos, e não substituídos. O facto de Carla Castro ser colocada numa posição não-elegível mostra que ela não é uma funcionária do partido.
Ademais, há que ver que há outras pessoas que se vão afirmando no partido. Uma pessoa que vejo que vai ser colocada em posição elegível é Angélique da Teresa, o que eu acho muito bom porque a considero muito equilibrada.
ResponderEliminarCotrim de Figueiredo não era militante quando foi cabeça de lista por Lisboa
!!! Não sei se era, mas ele é o militante número 500, é um militante razoavelmente antigo. Creio que sim, que já era militante quando se candidatou.
Tiago Mayan não sei se era militante
!!! Tiago Mayan é um dos 80 e poucos fundadores da Iniciativa Liberal. Não há militantes mais antigos do que ele.
Como disse sobre o Tiago Mayan, o essencial é que era um desconhecido de toda a gente que acrescentava.
ResponderEliminarE não, o Cotrim de Figueiredo não era militante quando foi escolhido para cabeça de lista para Lisboa.
Mas como respondeste com a sonsice que respondeste sobre a Carla Castro fingindo não saber que foi afastada por ser de uma linha diferente da linha dominante, como sempre aconteceu nos partidos leninistas, é porque não tens o menor interesse na discussão séria do assunto, portanto, por mim, ficas a falar sozinho.
o social fascismo (ML) do ps permitiu maioria absoluta com os votos se 1/4 dos nativos com direito a voto. infelizmente o leninismo e o trotessequismo têm raízes profundas em diversos partidos deste país.
ResponderEliminarvoto sempre no partido que pode tirar mais deputados ao ps (ML).
as tvs deste não param de falar de eleições e do futuro de Costa, político estéril ou maninho. como dizia um Caboverdiano no gozo está na 'hora di bai'
ResponderEliminarNão se será Leninismo, ou se será a tendência natural para a profissionalização dos partidos. As eleições dão muito trabalho, a ocupação mediática do espaço público entre eleições custa ainda mais. Fazer isto com voluntários em part-time é muito difícil. Por alguma razão, na Taça de Portugal as equipas semi-amadoras ficam pelo caminho muito cedo.
E com a cada vez maior especialização das profissões, quem é que está disponível para ser deputado durante 4 anos e depois voltar para um trabalho sem nenhuma relação com o que fez nos últimos 4 anos.
Infelizmente, ou felizmente, já não estamos na Grécia antiga, onde a política era apenas uma das actividades que ocupavam as elites.
«O tempo é o mais persistente dos mestres, só que infelizmente acaba matando todos os seus discípulos. Você pode ter somente o tempo como mestre e sofrer as conseqüências advindas da demora, ou acelerar o processo utilizando a experiência alheia. O mestre dos mestres é, sem dúvida, o próprio Universo. Se você conseguir incorporar na sua estrutura psicológica as Leis Universais, sucesso e sabedoria serão algumas das conseqüências. O universo é pura inteligência. Ordenado, incapaz de ser criado sozinho, regido por leis imutáveis e soberanas. Estas leis são absolutas na sua essência, interdependentes na sua aplicabilidade, independentes do tempo e espaço onde atuam, dependentes da intenção e consciência divina presentes em cada um de nós. Elas têm como finalidade manter a ordem no caos, o amor no ódio, a sabedoria na ignorância, a saúde na presença da doença, e a eternidade no mais provisório momento»
ResponderEliminarAS LEIS BÁSICAS DO SUCESSO de Lair Ribeiro
Muito bem, excelente citação. Assim não estivessem os seres humanos dependentes do tempo tal como o universo parece não estar.
ResponderEliminarA questão do Cotrim é particularmente mais grave do que o enunciado. O homem demite-se a meio do mandato de presidente. O homem estava ainda disponível para se demitir a meio do mandato de deputado para ir para o Parlamento Europeu. Quem me garante que cumpre o mandato de eurodeputado? Para além de que ao repetir um candidato assim, começa a deixar de ser um partido de ideias para ser antes um partido de caras.
ResponderEliminarA minha interpretação é bem mais mázinha: demite-se naquela altura, e naquelas circunstâncias, exactamente porque fez um acordo com a ala leninista da Iniciativa Liberal, entregando-lhes o partido em troca do lugar no Parlamento Europeu.
ResponderEliminarO problema foi alguém não ter gostado deste esquema, atrever-se a contestar o esquema e ter 44% dos votos do partido, apesar de todo o aparelho a apoiar a "linha justa", como é típico dos partidos leninistas.
Mas como isto é pura especulação que resulta de uma leitura actual do que se passou, não tenho interesse em dar importância às explicações para alguém tratar da sua vidinha de forma tão pequenina.
ResponderEliminarNão sei se isso é verdade. Cotrim só anunciou que se iria candidatar ao Parlamento Europeu após saber que a Assembleia da República iria ser dissolvida e que, portanto, iria ser libertado do seu mandato de deputado.
Não podemos saber o que teria ele feito (se se teria candidatado ao Parlamento Europeu, ou não) se a Assembleia da República não tivesse sido dissolvida.
ao repetir um candidato [...], começa a deixar de ser um partido de ideias para ser antes um partido de caras
Que disparate! Todos os partidos repetem candidatos. É normalíssimo um indivíduo que já teve um cargo político qualquer candidatar-se depois a outro cargo político.
Tenho pena de ir confirmando que és mesmo sonso.
ResponderEliminarSabe-se a 7 de Novembro, ao fim do dia, que a Assembleia vai ser dissolvida.
A 12 de Novembro o Conselho Nacional da Iniciativa Liberal aprova o nome de Cotrim, que tinha sido proposto pela Comissão Executiva e tu queres convencer as pessoas normais de que essa opção foi criada em quatro dias dentro da IL?
ResponderEliminarqueres convencer as pessoas normais de que essa opção foi criada em quatro dias dentro da IL?
Quero.
Ninguém está a acusar de nada, o que Cotrim fez ou deixou de fazer e porquê, ninguém sabe, portanto não podes dizer que ele não fez isto ou aquilo.
ResponderEliminarMas o Cotrim demitiu-se de presidente da IL por razões que ninguém sabe quais são.
Imediatamente pretendeu condicionar a sua sucessão designando um sucessor.
Meses mais tarde, os seus sucessores nomeiam-no candidato a um lugar político seguro e rendoso.
Carlos Guimarães Pinto demitiu-se depois de perder uma eleição por uma unha negra e foi à sua vida profissional.
Quatro anos mais tarde aceita ser candidato a um lugar difícil e não garantido.
Desde que se demitiu nunca se lhe ouviu absolutamente nada sobre a condução do partido.
Se não queres ver diferenças, não vejas, mas escusas de tentar convencer as pessoas normais que raciocinam com base em coisas lógicas e naquilo a que dão importância, não vale a pena, cada um pensa pela sua cabeça, eu não tenho a menor intenção de te convencer do que quer que seja, o que não me impede de ter a opinião de que os teus comentários não resultam das tuas convicções mas da tua vontade de influenciar terceiros, isto é, não me impede de estar convencido de que sabes perfeitamente que Cotrim iria ser o candidato europeu muito antes de se saber que iria haver dissolução da Assembleia (já agora, o mandato que ele deixou a meio foi o de que presidente do partido, não foi o de deputado).
ResponderEliminarCotrim demitiu-se de presidente da IL por razões que ninguém sabe quais são
Sim. Estou de acordo. Mas não é isso (a demissão de presidente da IL) que eu debati no meu comentário. O que eu debati foi a afirmação de José de que "Cotrim [...] estava [...] disponível para se demitir a meio do mandato de deputado para ir para o Parlamento Europeu."
[Cotrim] pretendeu condicionar a sua sucessão designando um sucessor
Concordo totalmente que ele esteve (muito) mal ao fazer isso.
sabes perfeitamente que Cotrim iria ser o candidato europeu muito antes de se saber que iria haver dissolução da Assembleia
Não sei.
Sei que havia especulações mediáticas sobre tal intenção. Mas especulações mediáticas não passam disso mesmo. O facto é que Cotrim não abandonou o seu lugar de deputado. Não podemos asseverar com 100% de certeza de que o iria fazer, ao contrário daquilo que José afirmou.
Para mim, tão grave como a ameaça de abandonar o mandato a meio, foi a forma "Norte Coreana" de designar o seu sucessor. Tudo cozinhado em segredo...
ResponderEliminarMas ainda há mais gente perigosa lá dentro!