quinta-feira, 23 de novembro de 2023

O PSD (e os outros) que se ponham a pau

O título deste post sou eu a parafrasear um amigo que conhece bem a política dos Países Baixos e com quem troquei umas mensagens sobre o resultado das eleições por lá (na verdade, o que me disse foi que o Chega lá do sítio tinha ganho as eleições, o PSD que se ponha a pau).


Há anos que a esquerda toda, e a direita bem comportada, agita o papão da extrema direita, globalmente, tratando as vitórias de Trump, Bolsonaro, etc., incluindo agora Milei, na Argentina, como excentricidades de eleitores deploráveis.


Um editorial do Público, a propósito das eleições argentinas, dizia que o país estava à beira do abismo e os eleitores tinham resolvido saltar para o vazio, numa demonstração, que me parece clara, de incompreensão da realidade: é mais provável que os eleitores argentinos se sintam no abismo e votem em qualquer coisa que lhe permita sonhar com a hipótese de sair de lá.


À medida que os tais "fascistas" vão chegando ao poder, mas não o fascismo - estes fascistas até já vão saindo democraticamente do poder, quando perdem eleições, como na Polónia -, a ameaça infantil do "está uma velha num canto, ó Zé, que te leva se te apanha" vai perdendo eficácia e a tal extrema direita vai ganhando peso nos eleitorados (em especial nos grupos sociais de deserdados que o jornalismo actual resolveu esquecer).


E vai ganhando peso porque fala de assuntos de que o mainstream tem medo de falar, como no caso dos dois exemplos que vou dar.


Uma das propostas dos ganhadores nos Países Baixos é a construção de duas centrais nucleares.


A energia nuclear, há uns anos, era um tema eleitoral sério e foi uma das alavancas para o crescimento dos Verdes, na Alemanha, mas com as ameaças das alterações climáticas a ultrapassarem, em larga escala, os piores cenários de desastre nuclear, é natural que cada vez mais gente se pergunte se faz sentido uma travagem forçada, paga pelos mais pobres, como sempre, ou investir em energia nuclear.


É bem possível que a questão nuclear volte a ganhar peso eleitoral, mas agora no sentido inverso.


"Because the Netherlands is no longer the Netherlands. We see it all around us. Our country is overcrowded. Our neighbourhoods and cities often unrecognisable with much nuisance and crime. We have to conquer back. Closing our borders to even more fortune seekers from other cultures is necessary to do so. And real refugees should no longer received here, but in their own region. Discrimination against Dutch nationals must also end. It is our country, after all. Why do status holders get priority on our scarce housing? That has to stop. And our money must also go to our own people."


Isto é parte do que defende o partido mais votado nos Países Baixos e não vale a pena argumentar com adjectivos, como xenófobos e racistas, como se a questão nacional não estivesse de volta em todo o lado e se as pessoas comuns não sentissem o que de facto sentem.


Pode-se acusar quem quiser de não ter coração, de ser racista, de ser xenófobo, mas é bem mais difícil fazer desaparecer o incómodo quotidiano das pequenas diferenças que fazem com que as pessoas não se reconheçam na comunidade.


E na altura de votar, esse incómodo estará presente, mas os nossos adjectivos não.


Os partidos de centro fogem como o diabo da cruz destas questões fracturantes, a energia nuclear e as migrações são questões fracturantes a que os partidos políticos do meio têm medo de dar respostas políticas, para evitar a perda de alguns votos.


Com a extrema esquerda (em Portugal inclui o BE, o PC e Pedro Nuno Santos) às contas com os fantasmas da sua história, falando de problemas de minorias ultra-minoritárias e evitando encarar as pessoas tal como elas são, o que sobra para dar esperança, qualquer esperança, é o que vai crescer eleitoralmente.


O papel dos partidos é dar esperança de forma convincente.


Se uns falharem nisso, outros ocuparão o espaço eleitoral disponível.


Se não for nessas eleições, será noutras mais à frente.

32 comentários:

  1. Anda tudo muito preocupado com a "extrema direita" mas não vejo a mesma preocupação com a extrema esquerda que, como disse e bem, é representada por PNS e pelos partidos anti-democráticos BE e PCP.

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  2. se faz sentido uma travagem forçada [da energia nuclear], paga pelos mais pobres, como sempre, ou investir em energia nuclear


    Não faz sentido nem uma coisa nem a outra.


    Porque o grande custo da energia nuclear é o custo do investimento, ou seja, da construção da central nuclear (e, mais tarde, o da sua demolição). O custo de funcionamento da central nuclear é relativamente baixo. Então, quando se tem uma central nuclear não faz sentido pará-la antes do tempo; mas, por outro lado, também fica caríssimo investir numa nova central nuclear.

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  3. Eu não conheço em particular a situação dos Países Baixos. Que esse país é sobrepovoado, é uma realidade indesmentível - já o é há decénios. Agora, o problema é que, mesmo quando um país está sobrepovoado, fazer diminuir a sua população não é um processo fácil - veja-se o que acontece no Japão. É um processo doloroso, porque à medida que a população decresce, os velhos que sobram não têm quem trabalhe para eles. Se se fecha totalmente as portas à imigração, fica o país cheio de velhos sem ninguém que trabalhe para eles.


    É claro, como os Países Baixos são especialmente ricos, de facto talvez não necessitem de imigrantes provindos de outras culturas - talvez a imigração de europeus seja suficiente para manter a população desse país mais ou menos estável.

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  4. Já vais nessa opção de me pôr a dizer o que eu não disse acrescentando coisas tuas ao que escrevi (com a honestidade de assinalar o teu acrescento, ao menos isso), para poderes falar do que queres, como se tivesse alguma relação com o post?
    Faz um blog e escreve lá o que queres.

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  5. me pôr a dizer o que eu não disse


    Eu não pus o Henrique a dizer absolutamente nada! No meu comentário não está nem escrito nem sugerido que o Henrique tenha dito seja o que fôr.


    poderes falar do que queres, como se tivesse alguma relação com o post


    O Henrique no post referiu a energia nuclear e de imigração como sendo temas que, na opinião dele, é preciso debater. E foi precisamente isso que eu fiz - dei umas opiniões sobre esse temas.

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  6. Só podes estar a gozar: onde eu escrevo uma paragem forçada, tu pretendes que eu escrevi uma paragem forçada da energia nuclear.
    Não há absolutamente nada no que escrevi que autorize essa tua interpretação criativa, a partir da qual dizes qualquer coisa que queres dizer, por razões que desconheço.

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  7. onde eu escrevo uma paragem forçada, tu pretendes que eu escrevi uma paragem forçada da energia nuclear


    Ah, peço desculpa, já entendi: o Henrique esreveu "uma travagem forçada" no meio de um texto sobre energia nuclear, eu pensei que se referisse a uma travagem forçada da energia nuclear. Pelos vistos, pensei mal.


    Então pergunto: o Henrique referia-se a uma travagem forçada de quê?

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  8. não há espaços vazios.
    a França e a urss de Putin utilizam a energia das suas inú

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  9. 75% da energia francesa e russa é  de origem nuclear. do Irão não se sabe

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  10. Acabo de ouvir: Os alunos mais pobres vão passar a ter pequeno almoço servido nas escolas. Acho bem. O mesmo aconteceu na troika. A diferença é que as crianças (hoje) já não desmaiam de sub-nutrição nem mesmo pelo facto de (hoje) ser maior a fome e ter aumentado o número de pobres no país. Evidentemente que notícias destas têm tido a relevância de uma nota de rodapé... e que eu desse conta, não suscitou reportagens diárias nem uma onda geral de indignação como há anos. 
     Onde estão os cartazes panfletários a agitarem-se nas ruas dirigidas ao governo de Passos Coelho e as grandoladas e palavras de ordem como "assassinos!".? Por sua vez, a cominicação social tem mais que fazer e nãodeve perturbar o mainstream com minudências incomodativas.


    A hipocrisia de todos eles gera outro tipo de indignação silenciosa. E essa é real e genuína. Parece que os portugueses não são tão estúpidos como querem fazer crer.
    Devagarinho, silenciosamente, um dia o caldo entorna-se e acordamos com esses partidos que estão a "surpreender". Mas só as alminhas que andam "distraídas".

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  11. O camarada Wilders venceu por um conjunto de razões, mas convém antes de mais referir que os Países Baixos não são compostos na sua maioria pela tal elite intelectual esclarecida (ao contrário dos do Sul, que é só matarruanos incultos), aliás, boa parte dos esteriótipos sobre eles são incorrectos.


    O país tem vindo a perder poder de compra, e direitos sociais. E não pelo covid ou pela crise, já vinha de trás. Por exemplo, há uns anos era (muito) raro comércio trabalhar ao Domingo.


    Junta-se a isto dois factores financeiramente penosos: a vinda de refugiados, e a guerra na Ucrânia. Sim, um dos cavalos de batalha é o país deixar de financiar a Ucrânia. Curioso que essa "bandeira" não é muito falada.


    Depois, há a questão islâmica. E aqui entram 2 factores. Por um lado, é uma comunidade altamente religiosa num país altamente laico. E que é liberal nos valores, mas conservador na perspectiva de que gosta de os manter. Em outras palavras, fazem as coisas à maneira deles, e quem discordar é livre de sair (um ponto de discórdia entre os nativos e os expats é o companheiro do Sinterklass, que os PC querem abolir). Ora os islâmicos não são propriamente gente de se adaptar, e isso incomoda franja da população. Depois há a segurança; em algumas cidades, como Roterdão, vagas de crime estão associadas a comunidades árabes, tanto em crime organizado como crime "comum". E um destes é sobre mulheres, pois alguns bairros deixaram de ser seguros para meninas que não cumprem as directrizes de vestuário.



    Por fim, a imigração. NL está cheia de expats, alguns deles falam exclusivamente inglês (além da sua língua nativa). Isto faz-lhe (e a muitos, pois eles são nacionalistas e conservadores de costumes) confusão... mas a verdade é que o país tem uma enorme falta de recursos humanos qualificados. Por isso não será fácil correr com os invasores.


    De qualquer modo, ficaram bem entregues.

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  12. Na frase parece explícito que a travagem se refere à energia nuclear. Que foi o que aconteceu na Alemanha, onde desligaram (e deixaram no papel novas) centrais, para se colocarem nas mãos do gás russo.

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  13. O problema é haver velhos a mais. É haver uma data de gente que já não é capaz de trabalhar de forma produtiva, porém que ainda tardará muito até morrer.




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  14. Our country is overcrowded. Closing our borders to even more fortune seekers from other cultures is necessary to do so.


    E no entanto as empresas queixam-se de falta de mão de obra em diversos sectores...
    Mas sim, é o país com maior densidade populacional na Europa, com excepção da Turquia e micro-estados.

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  15. Para mim não é nada claro. A que propósito é que eu estaria a falar de uma paragem forçada da energia nuclear quando estou a falar de alterações climáticas?

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  16. Insisto, o problema não é haver velhos a mais. O problema é o nosso sistema de pensões estar desenhado para considerar "velho" quem tem mais de 65 anos, com as implicações que isso tem para as finanças públicas.


    É uma questão aritmética.

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  17. Porque a energia nuclear é uma alternativa às centrais de gás e carvão?


    Há aqui uma de duas posições, ou o texto não está explícito, ou está e quem leu é iletrado. É jogar ao quem é quem.

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  18. As duas coisas não são incompatíveis, o texto pode não estar explícito e quem o leu ser iletrado, mas independentemente dessa discussão, pouco interessante (uma coisa é pedir explicações sobre um texto pouco explícito, outra coisa é acrescentar-lhe qualquer coisa que não está lá, escolhendo arbitrariamente uma explicação), não percebi em que medida uma travagem forçada estaria relacionada com a natureza das centrais de produção de energia que, por definição, são o contrário de uma travagem forçada.

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  19. O problema é o nosso sistema de pensões estar desenhado para considerar "velho" quem tem mais de 65 anos


    Mas o facto é que, na generalidade das profissões, de facto as pessoas com mais de 65 anos (ou, enfim, 70) dificilmente são capazes de trabalhar. Ou então, podem trabalhar mas com uma produtividade muito reduzida, e com bastantes limitações.

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  20. as empresas queixam-se de falta de mão de obra em diversos sectores


    Pois. Na maior parte da Europa é assim. Não sei se nos Países Baixos também, mas suspeito que sim.

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  21. Anda a gente muito excitada porque o PVV neerlandês supostamente ganhou as eleições.
    Mas essa é uma visão muito limitada dos resultados. O PVV obteve 23,5% dos votos. Outros dois partidos obtiveram 15% cada, e mais outro partido obteve 13%.
    O PVV ganhou aquilo que ganhou, ou seja, 24,7% dos deputados. Mas precisaria de ter o dobro de deputados para conseguir formar governo sozinho.

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  22. Não digo o contrário.


    Mas volto a dizer: o problema não é haver muitos velhos e sim termos um sistema que depende dos descontos dos mais novos para pagar aos mais velhos. Esse sistema foi pensado para uma determinada proporção entre novos (activos) e velhos (não activos). A demografia alterou-se, logo o "centro de gravidade" do sistema alterou-se.


    Não creio que isto se resolva aumentando a natalidade. Também concordo que a solução não passa por obrigar as pessoas a trabalhar até mais tarde. Mas se calhar todo sistema tem de ser repensado de modo a que o centro de gravidade não se afaste demasiado do ponto de equilíbrio.

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  23. Permitam uma sugestão. " Tempo contado" ,  hoje, 23, de J.Rentes de Carvalho.
    Se há alguém com autoridade no assunto...
    Juromenha

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  24. Porque todo o parágrafo é à volta das nucleares, logo a travagem seria no nuclear. Não parece uma consideração absurda.
    Ainda não entendi a que se refere quando fal em travagem forçada. Nem o sentido do parágrafo. 

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  25. Ganhou, ganhou. Não foi supostamente. 

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  26. Escreveu Pedro Arroja: Como o nome indica, os partidos servem para partir a comunidade.

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  27. O parágrafo começa por alterações climáticas, uma discussão em que há muita gente que defende uma paragem forçada da economia para diminuir as emissões e há alguns que defendem a energia nuclear para diminuir emissões sem implicar essa paragem de consumo.
    Continuo é sem entender um parágrafo que falasse de uma paragem forçada da energia nuclear no meio de uma nota sobre o facto de um partido propor duas novas centrais nucleares, não entendo de todo.

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  28. É isso e a UE que só se incomoda com  a Polónia e a Hungria,com a desgraça aqui ao lado em Espanha nem uma palavra. 

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  29. Essa é uma frase de Salazar. Que também dizia que a alternativa à sua política africana era o caos. Não tinha razão em ambos os casos. Mas o MFA veio dar-lhe razão com a descolonização, e a maioria dos partidos, parece também querer dar-lhe razão. É triste.

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  30. Concordo com o "post" e as questões básicas já foram bem comentadas (recomendo Rentes de Carvalho, que não esgota mas exemplifica clarissimamente, e viveu na Holanda largos anos).
    A excepção - como não podia deixar de ser - é a energia nuclear. Mais exactamente o problema político da energia nuclear. Não tenhamos ilusões, o terrorismo, como método, veio para ficar e as centrais nucleares implicam enorme segurança. Não apenas de defesa próxima mas de prevenção com um eficaz serviço de informações que facilmente pode descambar no sentido do estado policial. Se não pior, como vimos com o portátil do adjunto do ministério das infraestrutras.
    Pessoalmente, parece-me que a opção nuclear é inevitável e só espero que a tecnologia das mini-centrais evolua mais depressa do que os previstos 10 a 20 anos. E gostaria de ver o dossier nuclear gerido por um governo que pense na próxima geração e não na próxima eleição.

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  31. Um grande resultado destas eleições era mesmo o balio peder a avença e ir apanhar papelão para Leça ...

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