sábado, 14 de outubro de 2023

Não é António Guterres, são as Nações Unidas

Há uns tempos, o secretário-geral das Nações Unidas afirmou que nunca tinha visto uma carnificina climática como a das cheias no Paquistão (por volta de 1700 pessoas mortas, longe, muito longe das cheias na China nos anos 30 do século XX, com estimativas que vão de 150 mil a 4 milhões de mortes, mas mesmo de anos mais recentes, como as cheias do Bangladesh em 1974 (entre 27 mil e milhão e meio de mortes estimadas) ou as de 1999 na Venezuela (entre 10 mil a 30 mil mortos)).


A declaração faz parte da campanha das Nações Unidas para garantir uma forte acção climática por parte dos governos e dos cidadãos de todo o mundo (omitindo que o número de mortos está mais relacionado com a capacidade de gestão de crises que com a origem da crise, mas esqueçamos isso por agora).


No  dia 7 de Outubro, o Hamas provoca uma chacina de civis e alguns militares na ordem das 1500 pessoas, sabendo que seria inevitável uma resposta armada por parte de Israel que provocaria um incontável número de vítimas civis do lado palestiniano (potenciado pela política de escudos humanos usada sistematicamente pelo Hamas).


O histórico de crimes do Hamas vai muito para além deste dia, e assenta na recusa da decisão das Nações Unidas de criar um Estado judeu, e consequente opção de lutar pela sua destruição, mas esqueçamos isso, por agora.


O relevante é que, até hoje, as Nações Unidas se recusam a classificar o Hamas como um grupo terrorista (não faz parte da lista de grupos reconhecidos como terroristas pelas Nações Unidas), ao mesmo tempo que funcionários e agências das Nações Unidas se têm desdobrado em declarações de condenação de Israel, em consequência da inevitável resposta ao Hamas.


Lembrei-me disto a propósito de uma recente discussão sobre as virtudes dos processos de decisão assentes na "mão invisível" que mobiliza a inteligência colectiva de milhões de pessoas actuando livremente através das trocas de informação asseguradas pelo preço de bens e serviços, face às virtudes dos processos globais de decisão, para responder a problemas globais.


Não havendo mercados perfeitos fora dos livros de economia, é muito fácil fazer uma enorme lista de problemas associados aos processos de decisão assentes na inteligência colectiva que se baseia na obtenção de informação através do preço, mas convém não partir do princípio de que processos globais de decisão, assentes no conhecimento científico mais actualizado, recorrendo à melhor tecnologia disponível, dão forçosamente origem a soluções mais racionais, como descrevi nos primeiros parágrafos deste post.

31 comentários:

  1. os Russos (não me refiro a Putin) têm o ditado:
    «quem paga manda dançar»

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  2. O percurso do sr Guterres é "Admirável",do pântano em Portugal à O-nu e ao grande pantanal.

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  3. Exacto. Não é em vão que certos tipos de personagens são cuidadosamente escolhidos para certos tipos de posições públicas por quem tem realmente o poder de as escolher. Cabe ao cidadão aperceber-se disso e comportar-se em conformidade. 
    I. P. Pavlov também escreveu sobre esses típicos comportamentos.

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  4. Deslocar um milhão de palestinianos sem água, energia e comida e algo terrorista

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  5. Como rebentar uma IED à passagem de um comboio civil da sua própria população?

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  6. Eis uma ideia original sobre este conflito:
    O  Hamas fez uma ação terrorista inaceitável porque sabia que em resposta Israel bombardearia a faixa de Gaza provocando incontáveis mortes de civis. 
    O Hamas é um grupo terrorista, sem dúvida, quanto a Israel, também comete crimes de guerra, mas está isento de culpas, porque isso é da natureza da besta..

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  7. Terrorismo é atacar civis sem aviso prévio, não é evacuar populações de zonas de risco.

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  8. As Nações Unidas discordam de si: não consideram o Hamas como um grupo terrorista

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  9. O Conselho de Segurança (não as NU) não considera muitas. Vai daí que...

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  10. Crimes de Guerra é algo inexistente, pois não existe um tribunal para os julgar. Não,  o TPI não pode ser considerado um tribunal quando parte do Mundo não o reconhece como tal.

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  11. Vai daí que nada, ao contrário do que diz o camarada de cima, o Hamas não é inegavelmente um grupo terrorista, pelo a ONU tem dúvidas

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  12. Tem razão, se eu o assassinar em águas internacionais, num barco sem bandeira nem registo, não cometi crime nenhum, é isso?

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  13. Inegavelmente o conceito de organização terrorista é subjectivo. As FP25 eram uma organização terrorista para as NU? Se calhar vai-se a ver e eram apenas activistas.
    A ANC esteve na lista dos EUA durante anos, e o lider deles, também designado como terrorista, até recebeu um nobel.

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  14. O refém 127
    Não sei se quando esta crónica começar a ser lida já estará a acontecer a entrada dos militares israelitas em Gaza. Só sei que Israel não pode perder e que muito mudará naquela zona. E aqui na Europa?


    15 out. 2023, 00:30 no Observador 


    Sexta-feira, 13 de Outubro. No centro da localidade de Arras, em França, pelas 11 horas da manhã, um homem ainda jovem armado com facas dirige-se para o liceu Gambetta. Cruza-se na entrada do estabelecimento escolar com Dominique Bernard, professor de francês. Esfaqueia-o. Bernard cai. Tem dois ferimentos: um no tórax, outro no pescoço. Morre. Outro professor que o tentou defender fica gravemente ferido. Em seguida o atacante entra dentro da escola. Grita Allahu Akbar (Alá é Grande). Na escola há quem fuja. Quem se esconda. Quem o sinta a tentar abrir a porta atrás da qual se está escondido. Um funcionário da escola é a terceira vítima… Entretanto a polícia chega. O atacante é detido.


    Com os acontecimentos de Israel a dominarem os noticiários, o acontecido nesta escola francesa passou rapidamente para segundo plano, mas tal não devia acontecer porque se em Gaza os israelitas procuram resgatar 126 reféns, nós, na Europa, fechamos os olhos para não ver o refém 127. Quem é ele? A nossa forma de viver. Como prova à exaustão o percurso deste atacante, Mohammed Mogouchkov de seu nome.  Tem 20 anos. Nasceu da Rússia. É de origem chechena. Depois vai-se sabendo mais: Mohammed Mogouchkov já tinha sido interpelado pelas autoridades numa investigação de terrorismo. Era seguido pela polícia que conhecia a sua radicalização. Estava classificado como S, ou seja, pessoa que é um risco para a segurança.


    Depois chegam mais elementos sobre Mohammed Mogouchkov: sabe-se que chegou a França em 2008; que o pai também está classificado como S, que um dos seus irmãos está preso por se ter envolvido numa tentativa de atentado e, não menos importante, constata-se que ele já não estaria em França caso as autoridades tivessem cumprido a lei em 2014.


     Helena Matos no Observador 
    https://observador.pt/opiniao/o-refem-127/

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  15. Simplificando : o "clubismo" aplicado à(geo)política...
    Quanto ao gugu da onu, permito-me evocar o  mais que saudoso VPV :  Um  homem fraco, influenciável, indeciso e superficial".
    O  mordomo  às ordens, o boneco de ventríloquo ideal...
    Juromenha

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  16. "He who pays the piper calls the tune", proverbio inglês 

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  17. evacuar!!!??? num território sem agua, energia e comida...terrorismo é expulsar as populações do seu território para depois as anexar...terrorismo é querer fazer mais um campo de refugiados palestinianos agora no Egipto

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  18. Sim, evacuar, é isso que está em causa.
    Se a faixa de Gaza vai depois ser anexada e outras previsões, ou não, vê-se no futuro, mas neste momento, trata-se de evacuar civis para os poupar à violência da guerra.

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  19. E isso que está em causa!!?? Vê se no futuro!!?? Ainda não tem a capacidade de ver !!??? Depois da história que tem em conflito ...

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  20. Sim, no futuro: Gaza não foi anexada por Israel e há mais de quinze anos que é governada pelo Hamas

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  21. Exactamente por conhecer a história do conflito e não conhecer uma única guerra que tenha sido iniciada por Israel para anexar territórios é que digo que o futuro se verá no futuro

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  22. Mas sabe o que aconteceu aos palestinianos e aos seus territórios? Colonos Israelitas ... 

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  23. Sei, cerca de 10a 15% da população da palestina era judia e detinha cerca de 65% da terra, que tinha vindo a comprar, de maneira geral deserto e terras de maus solos.
    A comunidade internacional, com a oposição do mundo árabe, decidiu criar dois estados, um judeu, outro Árabe, no que era a Palestina (em rigor, três, o terceiro veio a ser a Jordânia).
    Para concretizar a decisão, 55% das terras ficavam no Estado judeu e 45% (as melhores terras) no estado árabe.
    Essa decisão foi precedida de uma guerra civil entre comunidades judias e árabes e os países árabes que tinham fronteira com o Estado judaico, apoiados por outros estados árabes e a Liga Árabe, atacaram militarmente o estado judeu que rejeitavam no dia seguinte à sua declaração de independência.
    Entre a fuga da guerra e a expulsão, cerca de 715 mil árabes da Palestina fugiram para os países árabes vizinhos, visto que os países árabes perderam essa guerra.
    Hoje esses pouco mais de setecentos mil refugiados estão transformados em quatro milhões de refugiados, a maior parte dos quais nunca viveu no espaço que hoje está contido nas fronteiras do estado judeu.
    Como os estados árabes e grupos como o Hamas não reconhecem o direito à existência do estado judeu e como o estado judeu entende ter o direito a ter fronteiras defensáveis, o impasse está por resolver há setenta anos.
    Só que nada disso interfere com o que está em causa neste momento: evacuar civis de uma zona de guerra para sua segurança.
    Coisa a que o Hamas se opõe terminantemente porque faz da população civil a sua barreira de segurança.

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  24. Portanto a Alemanha devia ter sido apoiada com água, energia e comida pelos Aliados.
    Percebe-se a razão, de facto não há muita  diferença entre o Hamas os Nazis.

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  25. Quando os território sãp controlados pela Fatah - do Jordão ao Mediterraneo (from the river to sea) ou pelo Hamas, qualquer dos dois querem destruir Israel é isso que acontece.


    Vamos supor que havia um grupo que odiava os portugueses, deveriamos deixá-los ter um país ao nosso lado?

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  26. Estou a perceber, os Aliados - Incluíndo as Forças Franceses Livres - que ao reconquistar a França mataram mais de 70000 Franceses são a natureza da besta jo?

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  27. O que tem os Aliados a ver com esta situação. Acaso estamos numa situação de paridade?
    Se o Hamas é um grupo terrorista isto não pode ser uma ação de guerra, é uma ação de polícia. Se considerarmos que isto é uma ação de guerra e a população palestiniana é uma vítima colateral, então a ação do Hamas é uma ação de guerra e os israelitas civis são vítimas colaterais. Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal.
    Como as vítimas civis israelitas foram assassinadas por criminosos os palestianos civis estão a ser assassinados pelos polícias (que são criminosos a quem não interessa se provocam vítimas civis)

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