segunda-feira, 16 de outubro de 2023

E o que fez o Hamas?

Há mais de quinze anos que o Hamas, depois de ter ganho umas eleições legislativas num ano e feito um golpe de Estado no seguinte, governa Gaza.


É, aliás, muito curioso como todos os números que vão circulando por estes dias sobre a morte de palestinianos na sequência dos ataques israelitas desta semana sejam sempre apresentados como sendo do Ministério da Saúde Palestiniano (omitindo que existem dois, o da faixa de Gaza, do Hamas, e o da Cisjordânia, da Autoridade Palestiniana, mas é do da Faixa de Gaza que os números aparecem), sem que explicitamente se diga que são números que o Hamas divulga, para evitar contaminar a credibilidade desses números com a credibilidade do Hamas, largamente reconhecida internacionalmente.


Após o ataque de 7 de Outubro, Israel impôs um cerco à faixa de Gaza, até que os reféns capturados pelo Hamas sejam libertados (esta última parte, a relação entre o cerco e a exigência de libertação dos reféns é, de maneira geral, omitida).


Na linguagem dos que reclamam "Liberdade para a Palestina", embora sejam menos taxativos quanto à "Liberdade para os palestinianos", "Israel violou a lei quando cortou o fornecimento de electricidade, água, combustíveis e comida na faixa de Gaza".


Esquecendo a evidente contradição entre alegar que Gaza é a maior prisão a Céu aberto de todo o mundo (mesmo que fosse uma prisão a Céu aberto, é com certeza bem mais pequena que outras prisões conhecidas, como a Coreia do Norte, só para dar um exemplo incontestável) e alegar que Israel tem sido responsável por abastecer Gaza de água, electricidade, combustível e comida, vale a pena olhar para cada um desses factores e perguntar o que fez o Hamas nos seus mais de quinze anos de poder absoluto e repressivo em Gaza, para resolver essas questões.


Gaza é um dos maiores destinos de ajuda internacional, recebendo milhões de euros todos os anos, e o que fez o Hamas para a tornar autónoma de Israel no que toca a energia? Investiu em energias renováveis? Cobriu de painéis fotovoltaicos os telhados e as zonas menos produtivas? Investiu em energia eólica? Não, optou por criar uma infraestrutura militar para destruir o Estado de Israel.


O que fez o Hamas para tornar Gaza autónoma do ponto de vista do fornecimento de água? Investiu em centrais de dessanilização, copiando a tecnologia dos seus vizinhos israelitas? Investiu na eficiência dos sistemas de abastecimento? Investiu em grandes depósitos de armazenamento de água por baixo das grandes cidades? Investiu na reciclagem dos efluentes urbanos? Não, optou por desviar tubagem dos sistemas de abastecimento e efluentes para utilizações militares, fazendo lança rockets com eles e, assim, destruir o Estado de Israel.


O que fez o Hamas e o seu governo para tornar Gaza autónoma do ponto de vista de combustível? Investiu em infraestruturas de abastecimento, incluindo pipelines controlados internacionalmente, e independentes de Israel (para além do já referido a propósito da electricidade no ponto acima)? Não, preferiu fazer uma rede de túneis militares para destruir o Estado de Israel.


O que fez o Hamas para tornar Gaza menos dependente de Israel do ponto de vista do abastecimento alimentar? Investiu fortemente no regadio, associado ou não a centrais de dessanilização, aproveitamento da água das chuvas, reciclagem de efluentes, etc.? Investiu fortemente em economia circular que permitisse reaproveitar resíduos urbanos como fertilizante? Não, investiu numa extensa rede de operacionais focados na guerra contra o Estado de Israel.


Bom, mas agora não é isso que está em causa, mas uma ordem de evacuação que prejudica os civis inocentes e não poupa hospitais e escolas.


O que fez o Hamas para dar segurança aos civis de Gaza? Sinalizou e localizou claramente as infraestruturas civis, como hospitais e escolas, permitindo inspecções internacionais independentes que garantissem que em caso algum eram usadas como máscara de instalações militares? Segregou a sua infraestrutura militar para evitar danos colaterais nas populações civis? Não, nada disso, pelo contrário, mesmo em escolas de organizações das nações unidas instalou infraestruturas militares para proteger o seu projecto de destruir o Estado de Israel, mesmo que à custa da segurança da população civil. E, não contente com isto, quando Israel emite um aviso de evacuação de civis para deixar a descoberto a infraestrutura militar do Hamas, o Hamas prefere opor-se, não apenas aconselhando as pessoas a trocar a sua segurança pela segurança dos operacionais do Hamas, mas pela força, bloqueando e fazendo explodir os caminhos de evacuação cuja segurança Israel prometeu respeitar.


Há mais de quinze anos que o Hamas governa Gaza, sentado em cima de biliões de dólares de ajuda internacional, só que em vez de se concentrar na liberdade e prosperidade dos palestinianos, focou-se na sua particular noção de "Liberdade para a Palestina", que não inclui um átomo de liberdade para os palestinianos.

48 comentários:

  1. O único investimento do Hamas é no ódio ao judeu com que ensinam e doutrinam as crianças nas escolas e em casa. Gerações crescem e alimentam-se desse ódio . O ódio é fácil de cultivar e alimentar . E é transversal a todo o mundo muçulmano como se pode comprovar nas manifestações por essa europa e Eua fora.

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  2. (1) Não há contradição: em qualquer prisão, é o gestor da prisão quem fornece esses bens e serviços aos prisioneiros.


    (2) Eu penso que quem fornece (parte d)esses bens e serviços não é Israel, mas sim as Nações Unidas, através do seu serviço de assistência aos refugiados palestinianos. Quer dizer: os serviços podem ser fornecidos por Israel, mas eles são pagos pelas Nações Unidas.

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  3. O Hamas pode não ter feito nenhum desses investimentos que o Henrique considera que poderia ter feito, mas gasta grande parte do seu dinheiro em ajuda caritativa aos habitantes de Gaza. Aliás, é por isso que, ao que consta, a sua popularidade é grande por lá.

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  4. E em qualquer prisão há milhares de pessoas que lá vão passar férias, como em Gaza, sendo o gestor da prisão responsável pela saída que dá para o Egipto, de acordo com o teu abstruso comentário

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  5. Israel tenra diminuir as baixas civis na Faixa de Gaza. O Hamas tenta aumentar as baixas dos seus civis, dos civis israelitas e dos que calharem.
    A conversa que se houve por estes dias relativa à paz, ao sofrimento do povo de Gaza, aos perigos da escalada da violência, à resposta proporcional é o verniz rasca que cobre o que os "free Palestine" querem bem lá no fundo: apagar Israel do mapa, exterminar os judeus e riscá-los da terra. Por ignorância ou má fé, e sobretudo por vergonha(pouca) o antissemitismo que parecia adormecido vai ressurgindo e em força. Por eles, a noite dos cristais repetir-se-ia sem qualquer problema ou remorso. Embora disfarcem são iguaizinhos a gente de má memória.
    A "maior prisão a céu aberto do mundo" tem uma fronteira com o Egipto e nem estes a querem aberta por sabem perfeiramente o que a casa gasta e o que é o Hamas.
    Os bárbaros do Hamas têm sempre o apoio dos bárbaros do ocidente.
    O que eles querem sabemos nós de gingeira.

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  6. Sendo o Hamas um grupo terrorista, cujo fim declarado é a eliminação do Estado de Israel, as perguntas do post têm natureza retórica. E admitindo que esse grupo terrorista não sobrevivesse se não houvesse ajuda internacional a Gaza, esse também é caso do Estado de Israel, que é, de longe, o maior recebedor de ajuda externa dos EUA dos últimos 75 anos. Assim, coloco, em alternativa, uma pergunta, que não é retórica: sendo indiscutível que em 1995 o Hamas e um sector político da democracia israelita (cuja retórica o terrorista Yigal Amir concretizou) impediram, numa actuação simbiótica, a concretização de um plano de paz para a região, baseado na "solução de dois estados", o que explica que, desde então, Israel, um Estado indiscutivelmente democrático, tenha mantido uma política objectivamente simbiótica com esse movimento terrorista - porque "justificativa" do seu discurso, da sua actuação e do seu domínio sobre Gaza - não se atrevendo, hoje em dia, os políticos da oposição (politicamente viáveis) a preconizar o tipo de cedências negociais que eram elementares em 1995 (ou até 2005) e que uma maioria da sociedade israelita aceitava como "preço da paz"? E acrescento outra: é ou não verdade que, desde 1996,

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  7. Alguém disse que não passam de cobardes que se servem dos civis para se defender, tal como aconteceu na guerra do Iraque.
    o Irão e a Coreia são frutos da política dos EUA

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  8. A "maior prisão a céu aberto do mundo" tem uma fronteira com o Egipto e nem estes a querem aberta


    Segundo ouvi no outro dia, o Egito não quer essa fronteira aberta, em parte, porque já alberga cerca de 9 milhões de refugiados (equivalente a cerca de 8% da sua população), provindos do Sudão, da Líbia e de outros sítios que tais (ou mais longínquos, como a Eritreia), e portanto considera que já recebe mais refugiados do que o devido.


    É um bom argumento.


    (De notar que Israel também tem um problema nada pequeno com a grande quantidade de refugiados que o procuram.)

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  9. y desde allí observaba el lago de Como. Supe que era el instante de tomar la decisión más importante de mi vida, la que definiría quién era yo y cómo deseaba ser el resto de mis días. ¿Dejarte llevar por la venganza o actuar con cordura? Realmente, en este mundo de locos ¿te pueden pedir calma?

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  10. O caso de Israel e seus vizinhos é um caso extremo,mas olhando para mais perto vejamos o caso de França (não falemos agora dos outros países ocidentais) e o que se tem passado, e permitido em nome das igualdades e da democracia. 

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  11. Então não gasta...ahahahah. A água e electricidade vêm de Israel. Tubagens para canalizações são usadas para fabrico de rockets; cimento e outros materiais de construção servem para fazer túneis como que os " altruistas" do genocídio fofinho se entretêm a massacrar civis. E é o próprio Hamas que "divulga essas "proezas", divulgando videos nas redes sociais onde se gabam disso.
    Mude a medicação. Essa já está fora de prazo.

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  12. Os financiadores do Hamas são países  amigos, alguns deles até organizam torneios de futebol e tudo.
    Aquando do ataque às Torres Gémeas, uma das primeiras reacções digamos que globais, foi a promessa de controlar cadeias de financiamento e acabar com offshores, onde se diz que circula muito do dinheiro que abastece tanto grupos terroristas como governos párias. Ainda devem estar a criar a comissão para o fazer...
    O resto é o resto, uma espécie de Benfica-Sporting, em que antes de tudo se escolhe uma cor pela qual torcer. E os ocidentais que protestam não serão pró-hamas (se forem, são bem burrinhos, então as feministas e os lgbt+++), são é anti-israel/usa, portanto colocam-se do outro lado.

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  13. O Egipto não quer essa fronteira aberta porque conhece de gingeira o que é o Hamas, ponto final. São árabes e mulçumanos como Gaza , porque a mantêm fechada? Porque não querem lidar com um problema de refugiados também . O resto é eufemisnos que a esquerdeopatia militante gosta de  vez de distorcer a História, leia-a. Estou farto de eufemismos e equivalências morais de quem só defende regimes genocidas e terroristas.. Emigre para os "paraísos" dos amanhãs que iam cantar mas que nunca cantaram. O que é que está a fazer no "capitalismo opressor" e não chateie. E nos entretantos, quando for jantar, não se esqueça de lavar as mãos com o sangue dos bébes massacrados bo sábado dia 7 pelos psicopatas que defende apenas por cometerem o "crime de serem...judeus. Bom dia e um queijo...

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  14. Exacto, "o que fez o Hamas" para merecer de forma tão disparatada o apoio de toda esquerda, em completa contradição com os seus temas de estimação?.Os direitos das mulheres, os direitos dos homosexuais, a liberdade religiosa, a liberdade de aborto, a pena de morte, a liberdade de opinão... tudo que "os Hamases" violentamente impõem sempre que isso seja possível!.

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  15. Brilhante. 


    É uma prisão o caraças! 
    As ajudas que o Hamas dá é como a cesta básica chavista: tratam os cidadaos como um agricultor como um galinheiro.




    Há muros, há. Qual a razão da sua construção? Ataques de infiltrados do lado de Gaza com mortes de civis indefesos uma, duas, centenas de vezes. Não é um muro para encerrar ninguém, não é um muro para impedir que os Israelitas façam atentados em Gaza: é um muro para proteger pessaoas indefesas de um território sem lei, sem justiça, sem direitos humanos.

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  16. Israel tem todo o direito de punir colectivamente os palestinianos de Gaza e se apoderar dos seus territórios!! Cortar a água as crianças...criar mais um campo de refugiados.   

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  17. A ajuda americana a Israel, que é grande, é praticamente toda em ajuda militar.
    Pretender comparar isso com a ajuda aos palestinianos, que, per capita, é o dobro da segunda região do mundo com mais ajuda internacional, não parece fazer muito sentido.

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  18. Israel é o segundo país do mundo com a maior despesa militar per capita, com 2770 dólares por ano (em 2021) - mais do que o rendimento per capita da Índia, por exemplo - e o quarto país do mundo no peso da despesa militar no PIB (sendo o primeiro a Ucrânia, que não teve outro remédio). Se não entrassem milhares de milhões de dólares em ajuda militar americana, a pressão daquela despesa sobre a economia e a carga fiscal seria enorme (em vez do efeito multiplicador que têm) e os eleitores e políticos israelitas por certo ponderariam vias diferentes para promover a segurança do seu país. Nessa medida, no que é essencial, nada distingue a ajuda militar a Israel da ajuda humanitária aos palestinianos: ambas servem para perpetuar este lamentável "status quo".

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  19. Persas a tentarem manipulare Árabes, Árabes a tentar manipulare Persas. Mais petróleo, menos petróleo.

    O islão Sunita a oscilar entre amores e guerras com o islão Shiita por tudo e por nada. Mais petróleo, meno petróleo.

    Palestinianos "Estado independente!" a viver das, e a morder as mãos dos que os sustentam em tudo. Palestinianos que para serem "independentes" votaram Hamas uma aguerrida marioneta dos Persas. Os turcos à espreita para tornarem a meter o nariz aonde não seriam chamados. Tudo com umas largas pitadas de judeus, quanto baste. Mais fé, menos fé.

    A única coisa que une aquelas tribos -ainda e sempre com mentalidade berbere- durante alguns momentos, é um "inimigo", inventado ou real, comum. Berberes não ganham prémios Nobel. Civilizações cada um toma a que quer.


    No excelentem filme/livro "Laurenço da Arábia". Cenas finais, o ex-"zorba" um dos chefes berberes, percebe o óbvio, e desiste. O diplomata francês refere, condescentemente, que cada um tem o seu galho. 
    Afinal "independências" começam por ser e só existem com um estado de espírito. Pessoal ou colectivo.

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  20. Investir na qualidade de vida dos palestinianos poderia levá-los a conceber a possibilidade de viver lado a lado com o estado de Israel, o que é manifestamente contra os interesses do Hamas. 

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  21. É uma prisão muito estranha quando rockets com 250km de alcance são desenvolvidos e um exército maior do que vários países Europeus.

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  22. Como sempre falam sem saberem.


    Os EUA fornecem a Israel por ano à volta de 3B$ para os Israelitas comprarem armamento americano ou feito na América (Israel implantou fábricas nos EUA). O Orçamento da defesa Israelita é à volta de 23-25B$ .  
    É por isso também  um subsído ás industrias de defesa Americana e aos trabalhadores.



    A ajuda dos EUA á Ucrânia já vai em mais de 50B$.








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  23. Odeiam Israel, porque para eles tornou-se um ícone da civilização ocidental e por isso  precisa de ser derrubado, mas também para impedir o Ocidente de se poder defender pela guerra. 

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  24. Sátira
    https://babylonbee.com/news/hamas-disappointed-leftists-dont-believe-they-massacred-jews-after-they-went-to-all-the-trouble-to-livestream-it


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  25. A partir do momento que sugere que Israel, que já foi invadido por todos os vizinhos várias vezes (e nunca iniciou as hostilidades com eles), tinha um remédio diferente da Ucrânia, não há muito a discutir (a ajuda dos EUA pesa menos de 10% no orçamento de defesa de Israel).

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  26. Ainda que justificadamente, Israel iniciou a Guerra do Suez (1956, com o Reino Unido e a França), a Guerra dos 6 Dias (de 67) e a Guerra do Líbano (de 82). E Israel não recebeu só ajuda dos EUA este ano, mas nos últimos 70. A ideia que sou anti-israelita não podia estar mais errada. Acho é que este caminho não vai dar a lado nenhum, e só serve os interesses de perpetuação no poder de um político repugnante. Relembro que, se o Ocidente tivesse financiado a defesa do regime da África do Sul, este não tinha de pensar em alternativas ao "status quo", jamais o National Party teria votado o fim do seu poder hegemónico e jamais FW de Klerk teria existido, e sem FW de Klerk, nunca teria havido Mandela (sendo que a previsível tese dos Lucky Lukes desta vida de que "não há Mandelas na Palestina" respondo que também não havia na África do Sul, até ao FW de Klerk o ter tirado da cadeia e negociado com ele). 

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  27. Brilhante!
    É por causa destas análises que venho aqui diariamente, obrigado!

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  28. Ohhh Tão bonzinhos que eles são! 

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  29. Israel é o resultado de um processo de colonização tardio, levado a cabo pelo Império Britânico sob a influência de poderosos interesses obscuros em representação de pessoas que nunca viveram na Palestina e com a cumplicidade posterior da defunta Liga das Nações e mais tarde da ONU - e o que fez o Hamas?


    Tudo começa em finais de 1917 com a chamada declaração de Balfour, ministro/secretário do Império à época, que consiste de carta enviada a Lionel Walter Rothschild, Barão Rothschild, dirigente da comunidade judaica do Império - 


    Nessa carta, o Império Britânico arroga-se o direito de dispor da Palestina, território conquistado ao Império Otomano e do qual se viria a tornar potência administrante, para nela criar um território que servisse de pátria aos judeus de então que nunca lá tinham vivido e sem a mínima consideração por quem há séculos lá vivia, os palestinianos  - 



    Lehi, Irgun e Haganah, que viria a dar origem às actuais IDF, já matavam muçulmanos, cristãos e ingleses, umas vezes à queima roupa, outras em massacres organizados, para eliminar quem se lhes opunha e "dar espaço" à futura pátria dos que nunca lá tinham vivido  - 



    Esse processo de limpeza étnica e genocídio tem continuado até aos dias de hoje - 




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  30. A crise do Suez nem chega a ser uma guerra, embora haja uma declaração de guerra de Israel ao Egipto, na sequência de um acto hostil do Egipto, ao bloquear um porto israelita e impedir a circulação pela canal de Suez. Ou seja, é uma resposta de Israel a um acto hostil do Egipto, não contraria o que escrevi Israel "nunca iniciou as hostilidades".
    Dizer que Israel é que começa a Guerra dos Seis Dias é falta à verdade com a verdade: Israel antecipa-se em um dia à invasão do seu território por dois países que planearam uma invasão, que só não executam porque há um movimento militar antecipatório por parte de Israel, ou seja, não contraria o que eu disse Israel "nunca iniciou as hostilidades".
    Quanto às guerras do Líbano, aí sim, a situação é mais confusa e pode admitir-se que é Israel que inicia as hostilidades, é uma das interpretações possíveis.
    Os meus comentários sobre a ajuda americana a Israel são dos últimos setenta anos e mantêm-se: é essencialmente ajuda militar e tirando os anos iniciais, representa menos de 10% do orçamento de defesa de Israel que, com certeza, é um Estado fortemente militarizado, por razões evidentes.
    A comparação com a África do Sul é completamente despropositada: a África do Sul não é um pequeno país rodeado de estados militarmente fortes empenhados em riscar do mapa o país e o estado judaico, nem existe uma política internacional de apoio a refugiados e filhos de refugiados (eram cerca de 700 mil, agora andam entre os 4 e os 5 milhões), fortemente financiada de tal modo que a ajuda internacional à Palestina, per capita, é o dobro da do segundo país mais apoiado humanitariamente.
    Tanto quanto sei, Mandela nunca teve como objectivo destruir o Estado sul-africano, mas esse é o objectivo do Hamas e foi, durante décadas, o objectivo de todos os estados árabes e da Liga Árabe.

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  31. Ignorância histórica é sugerir que não houve sempre judeus na Palestina

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  32. E no entanto, tanto mandela como o ANC estavam assinalados como terroristas...

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  33. E o resto da História? Complicado de refutar...

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  34. Se calhar o gajo do turbante tinha razão

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  35. O título sugeria algo Monty Python

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  36. Tanto judeu que vai por aqui. 

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  37. Tel Aviv foi fundada em 1909 por judeus que se tinham estabelecido em redor do porto de Jaffa. A maioria tinha vindo da Rússia a pé.

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  38. Fiz um comentário do Observador que incluía o seguinte parágrafo (com substituição de uma palavra):
    A leitura dos comentários a este excelente "post", demonstra exemplarmente o que escrevi. Mesmo com aspectos individualizantes e idiossincrasias, o conflito está absorvido pela luta entre neo-marxismo e democracia liberal. E, como sempre em conflitos bi-laterais, acorrem os idiotas úteis. Papel aqui bem desempenhado pelos comentadores balio e jpt.

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  39. Quanto ao resto da história, fiz um post inteiro a refutá-la, sugiro que o leia

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  40. Admitindo que sim, que possa haver por aqui muito judeu, qual é a sua questão?

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  41. Acabei de ler, sim. Embora seja difícil ler algo ainda não publicado aquando da inserção do comentário.
    É uma boa interpretação clubística, sim. Olhar os lances todos só para um lado.
    Já os árabes que por ali andavam, lutaram do lado dos Aliados, e de repente levaram ali com um Estado israelita... é a vida, está assim Escrito.



    Gostei do "não foi a Inglaterra (e França), foi a Liga das Nações". Eles coitados nem queriam aquilo para nada, foram para lá obrigados.

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  42. Sim, consta que ainda continuam (e de forma agressiva) à procura do bar.

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  43. Obviamente JPT, o único dos dois que interveio nos comentários a este "post". Contudo peço desculpa pelo lapso de ter escrito jpt.

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  44. Ricardo Miguel Sebastião17 de outubro de 2023 às 17:23

    E porque se exige apenas a Israel que forneça energia e água à Palestina e nada se exija ao também vizinho Egipto?

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  45. Mas onde é que sugeri isso?
    Quando escrevo "aos judeus de então que nunca lá tinham vivido" e "futura pátria dos que nunca lá tinham vivido" 


    Não haverá por aí uma interpretação tendenciosa, porque retoricamente lhe dá jeito?

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  46. “O Hamas, para meu grande desgosto, é uma criação de Israel.”

    O lamento é de Avner Cohen, responsável israelita para assuntos religiosos em Gaza nas décadas finais do século passado, numa entrevista de 2009 ao The Wall Street Journal.

    artigo do Público
    "Hamas: da caridade ao terrorismo, com a complacência de Israel"
    https://www.publico.pt/2023/10/14/mundo/noticia/hamas-caridade-terrorismo-complacencia-israel-2066687

    fonte original: WSJ | 24/Jan/2009
    "How Israel helped to spawn Hamas"
    https://www.wsj.com/articles/SB123275572295011847

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  47. e para aqueles que sabem ler em inglês...                                                                        
    Back in the mid-1980s, (Avner) Cohen even wrote an official report to his superiors warning them not to play divide-and-rule in the Occupied Territories, by backing Palestinian Islamists against Palestinian secularists.
    https://theintercept.com/2018/02/19/hamas-israel-palestine-conflict/


    "...I therefore suggest focusing our efforts on finding ways to break up this monster before this reality jumps in our face..."
    Avner Cohen, citado no WSJ | 24/Jan/2009




    "When I look back at the chain of events, I think we made a mistake,” David Hacham, a forme​r Arab affairs expert in the Israeli military who was based in Gaza in the 1980s, later remarked. “But at the time, nobody thought about the possible results.”
    ​WSJ | 24/Jan/2009




    "In 1981, Brig. Gen. Yitzhak Segev, Israel’s military governor of Gaza, told me that he was giving money to the Muslim Brotherhood, the precursor of Hamas, on the instruction of the Israeli authorities. The funding was intended to tilt power away from both Communist and Palestinian nationalist movements in Gaza, which Israel considered more threatening than the fundamentalists.


    Judging by a distressed phone call I got later from the army spokesman, General Segev’s superiors were not happy with his disclosure of a practice that did not look very clever, even at the time. They thought incorrectly — but apparently wished — that he had made his comments off the record."


    David K. Shipler
    Chevy Chase, Md.
    The writer was The Times’s Jerusalem bureau chief from 1979 to 1984.  


    fonte: NYT
    https://www.nytimes.com/2021/05/17/opinion/letters/israel-gaza-palestinians.html

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