Raramente me meto nas parvoíces sobre o discurso de ódio (vi uma coisa qualquer um dia destes em que alguém dizia que não é pelo facto de te sentires ofendido que passas a ter razão, é mais ou menos o que penso sobre o assunto), quer porque acho que assuntos sérios não ganham nada em ser tratados de forma pouco séria, quer porque ainda não percebi como e quem decide o que é discurso de ódio.
Hoje, ao ler Cristina Roldão no Público, lá aparece a missa do costume sobre o assunto do costume das suas crónicas (contratam uma mulher mulata para dar diversidade à opinião do jornal, com base na conversa do lugar da fala, mas depois, neste caso, ela usa a oportunidade para fazer a mesma crónica todas as semanas, sem a menor diversidade) e, a páginas tantas, na sua longa arenga contra o discurso de ódio, defende que o comandante da polícia devia ser afastado por não ligar ao avanço da extrema direita na polícia e, pelo contrário, deveriam ser apoiados e promovidos agentes como Manuel Morais, um antirracista vítima da injustiça de ter sido suspenso durante dez dias por ter dito que André Ventura era uma aberração.
A publicação de Manuel Morais que deu origem a esta pena (depois suspensa por Eduardo Cabrita) é esta que reproduzo abaixo.

Gustavo Sampaio no Polígrafo, Valentina Marcelino no Diário de Notícias, Joana Gorjão Henriques no Público, enfim os do costume e provavelmente outros noutros lados, insistem na tese da defesa de Manuel Morais de que nesta publicação Manuel Morais não defende a decapitação de André Ventura.
Independentemente das interpretações criativas do que está escrito, relacionando o texto com a decapitação de estátuas que estava a ocorrer nos EUA na altura do post e portanto interpretando a sua parte final como mero simbolismo sobre estátuas e ideias (a leitura correcta é a de que este post defende a decapitação das ideias racistas, não a decapitação dos racistas, dizem eles), eu diria que uma pessoa mediana como eu, sem a capacidade interpretativa dos citados Gustavo Sampaio, Valentina Marcelino, Joana Gorjão Henriques e Cristina Roldão, não tem dúvidas de que é um bom exemplo daquilo a que se chama discurso de ódio, só que, no caso, é o ódio do bem, portanto precisa de contexto para ser interpretado como deve ser.
E é aqui que bate o ponto: eu acho que Manuel Morais deve ter todo o direito de escrever o que entender, incluindo o que escreveu, por mais críptico que seja, por mais odioso que seja, porque não há qualquer ligação material entre o discurso e as acções, todos nós sabemos que Manuel Morais não estava a ser literal no sentido em que não pretendia decapitar André Ventura se o encontrasse na rua.
São as acções é que devem ser sancionadas socialmente, não os discursos, sejam eles de ódio ou de outra coisa qualquer, na medida em que a um discurso concreto não corresponder a uma acção concreta.
Discursos de ódio contra André Ventura é o que esta gente curvada e rasteira ao molho anda a fazer.
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ResponderEliminarSó uma correcção: a tese do 'discurso do ódio' não defende que quem diz irá, ou pode, fazer o que diz.
É mais requintada: o 'discurso do ódio'
1. Agride, como tal é uma acção danosa (e não apenas manifestação de ideias), faz mal - "your words are violence";
2. Instiga a agressão por parte de outros, como tal é responsável pelo mal que terceiros vierem necessariamente a fazer contra os alvos das palavras - "putting people's lives in danger".
Nesse sentido, um imperativo - 'decapitem' - é ainda mais 'discurso do ódio' do que muita outra coisa...
Mas ódio do bom.
ResponderEliminarTudo é ódio. Achas que o cantor X tem voz de cana rachada, ódio, que o Costa é um aldrabão, ódio, que o último filme do Pantera Negra é uma tanga, ódio.
Os guerreiros do teclado podiam ir fazer umas viagens a certos locais exóticos, onde não há ódio. Digital.
Como diria o Mamadou Ba " nós temos é de matar o homem branco".
ResponderEliminarCortava-se logo o mal pela raiz.
Nos Eua nas ultimas eleições uma famosa artista da tv apareceu nas redes sociais com a Cabeça do Trump decapitada a escorrer sangue. Na altura ainda teve quem a defendesse..que era uma brincadeira...que era liberdade expressão. Por cá a seguir à revolução, ouvi muitas vezes a expressao ...faltou fuzilá-los na campo pequeno....ou devia ter sido com sangue... Enfim, a extrema direita assusta, mas é a extrema esquerda que age e ameaça impunemente como se o país lhes pertencesse e só a eles.
ResponderEliminar« Autor: Matheus Teixeira da Silva Orientador: Professor Doutor Alex Sander Xavier Pires Número do Candidato: 20161166
ResponderEliminarhá uns 30 anos deixaram de vender 'tintura de ódio (iodo)' nas farmácias.
já nem posso dizer que uso sapatos pretos. terei que dizer que são de cor de etnia banta .
encontrei a
Alimentar a radicalização é preciso, dá dinheiro a muita gente, contudo nem toda a gente anda de olhos tapados.
ResponderEliminarIsto é a extrema esquerda a agoniar, está quase quase a desaparecer da cena política, nas próximas eleições legislativas já podem ir de mota para a assembleia.
Mas a sua representação não corresponde ao peso que têm, faz-me lembrar o PCP nas legislativas de 1976.
Mas pouco a pouco o pessoal tá a abrir os olhos, e isso deixa-me contente.