domingo, 31 de julho de 2022

O que aconteceu à canção francesa?


Nos meus tempos de juventude, o gosto musical era moldado pela música que os nossos pais ou tios ouviam no gira-discos, mas principalmente pela música que passava nas estações de FM em programas mais ou menos comerciais ou elitistas. Certo é que, aqui chegados, a música popular francesa desapareceu quase completamente do espaço público português. É verdade que ao invés temos mais e muito variada oferta nacional e a música popular brasileira continua a dar cartas, mas é estranho que a canção francesa se tenha eclipsado. Os novos modos de consumo não justificam tudo.

13 comentários:

  1. É muito simples: ninguém ensina nem ninguém sabe ou quer saber francês de há 40 anos para cá.
    O inglês "comeu" tudo, é o esperanto que temos e até se percebe porquê pois mesmo trocando os tempos dos verbos todos acabamos por ser entendidos.


    É um dos meus desgostos, que o francês é uma língua muito bonita, mas ao menos é um desgosto com que posso viver...

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  2. Boa tarde
    Julgo que lhe aconteceu o mesmo que ao ensino do idioma, o primeiro a ser ensinado no liceu, durante os primeiros 5 anos, entrando o inglês a partir do 3° ; depois foi, paulatinamente, desaparecendo.


    Lá por casa - em Santarém - havia o L' Express, o Paris-Match , além de jornal diário, o DN. Dos pais herdámos o gosto pelos livros, que tínhamos em quantidade apreciável, ambos falavam francês e inglês, sendo que o espanhol/castelhano era o 2° idioma do meu pai, filho de um cidadão espanhol, sendo também o meu segundo idioma. Tendo trabalhado 42 anos e picos no aeroporto de Lisboa - reformei-me em Março - pude manter o " treino " nos três idiomas. 


    As publicações francesas continuam por aqui, os meios audio nesse idioma, estão ali também, para já " rien n'est perdu ou oublié ". 


    Cumprimentos, bom Domingo

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  3. Deixou de haver francês nas escolas. A primeira lingua estrangeira a ser ensinada era o francês, depois vinha o inglês. Hoje julgo que o francês é opcional. O que é pena. Claro que não explica tudo. Vejo pelos filhos e netos : dominam o inglês, do francês pouco sabem. 

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  4. O inglês tornou-se incontornável, a utilidade do francês desvaneceu-se.
    Pessoalmente, como segunda língua estrangeira a ensinar nas escolas, sugeria o alemão e/ou o mandarim porque quem fala a língua dos senhores, pode chegar a capataz.

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  5. Parce que aujourdoi toujours parle l'anglais.
    Tive francês no liceu, nunca usei na "vida real". Recordei umas coisas este ano porque a petiza teve pela primeira vez. Já inglês, além de cinema e tv, era monopólio da literatura que sempre fui obrigado a ler.
    Como tudo o que não é usado, paulatinamente tende a desaparecer

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  6. Ao contrário dos outros comentadores pesno que problema está a montante: os Franceses deixaram de fazer musica de jeito.

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  7. É uma pena que praticamente já ninguém ouça música francesa e pouco se fale Francês, uma língua belíssima. A Gramática parecida com a nossa. A minha geração e as anteriores foram marcadamente influenciadas pela cultura francesa: desde a Música à Literatura e do Cinema às Artes plásticas (os seus incontornáveis Movimentos que fizeram "escola" na Pintura!). Os nossos maiores vultos da Literatura e das Artes deveriam passar por Paris e embrenhar-se nela para um banho de Civilização. Mas, entretanto, os ingleses passaram-lhe a perna... pois souberam promover a sua cultura com grande mérito e como ninguém: conseguiram que o Inglês se tornasse a "Língua franca", ou a "Língua de contacto" oficial, usada nas relações internacionais, no comércio e indústria, na diplomacia, no intercâmbio de informação científica, etc. 

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  8. Não convém perguntar somente porque desapareceram as canções francesas, mas também porque foram substituídas pelas anglossaxónicas.
    Há um estudo num Economist recente sobre o assunto. Portugal é um dos países que se carateriza por estar dominado pela música anglossaxónica. Ao contrário de muitos outros países onde domina a música na própria língua.

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  9. A música francesa que ainda ouço vem toda dos anos sessenta e setenta do século passado: Leo Ferré ( que agora ouço pouco, nem sequer tenho disco algum,  mas era nos anos setenta um dos que se ouvia mais no rádio, com as suas prédicas meio-faladas e meio-cantadas à temática anarquista, etc.); Maxime Le Forestier, com três belíssimos albuns, um deles ao vivo e que tem por exemplo Mon Frère ou Mourir pour une nuit; Georges Moustaki com várias chansonettes fantásticas, como por exemplo Mediterranée ou La carte du tendre, ou mesmo Danse e muitas, muitas outras; Serge Regianni com muitas, muitas também, com destaque para Sarah ou Tes gestes, uma maravilha de subtileza que nenhum anglo-saxónico atinge nem de perto nem de longe; Gérard Manset com Y a une route e outras; 
    E de grupos tenho aqui os cinco primeiros lp´s dos Ange para ouvir, todos dos anos setenta do prog francês. 
    Para além desses ainda há Georges Brassens com a sua Fernande e muitas outras, como a Guerre de 14-18 ou o disco Les Trompete de la renomée; Jean Ferrat, um comunista estalinista que cantava como um burguês a sua temática ideológica, em várias canções memoráveis como a La Montagne, La Commune ou Tout ce que j´aime. 
    E como introdução doce a todos esses, a belíssima Françoise Hardy que nos anos sessenta cantava coisas lindíssimas como Ce Petit Coeur ou À quoi ç´a sert. Quem ouvir esta última e ficar indiferente a essa beleza amorosa cantada pode procurar  equivalente onde quiser que não encontrará. 


    E isto para não mencionar os da canção ligeira, como Silvye Vartan ou Sheila ou outros Gérard le Normam ou Michel Delpech que me deliciava com o seu Wight is Wight lá por 1969 ou coisa que o valha

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  10. Obvio , a cultura socialista dominante deste regime que "caminha para o socialismo" torna os Portugueses apenas dependentes e consumidores e não criadores. Os Portugueses criam muito pouco para preservar a igualdade. Isto sempre foi um objectivo fundamental do regime do 25 de Abril.

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  11. A realidade começa pela real perda de nível da canção francesa.
    As línguas ensinadas neste país sempre foram as que eram dominantes nas Artes e nas Ciências. Até à IIGM eram o alemão e o francês. França e Alemanha ao perderem a guerra perderam o predomínio literário e científico. As pessoas de nível fugiram da Europa e foram para os EUA que foram espertos ao acolherem as elites. Medicina, Química e Ciência atómica, fizeram do Inglês a língua franca. Até então era uma linguagem de filibusteiros, de piratas, que era o que eram.

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  12. Eu continuo a ouvir Nino Ferrer um desalinhado que aliás veio de Itália, note-se neste album canta em Inglês, logo já o fim da canção francesa?
    https://www.youtube.com/watch?v=9wudmZ7rlws



    E a gozar com Mao...em Francês
    https://www.youtube.com/watch?v=Uz0yvngSW-M



    De certo modo penso que o que se passou com a canção francesa está agora a ocorrer com a musica inglesa. O fruto maduro da exploração sonora já foi colhido em grande parte, logo a novidade fica mais difícil de aparecer.

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  13. Eu não aprendi na escola o meu francês hoje já muito mais difícil de articular aprendi-o com colegas de trabalho o francês de paris (calão) durante os tempos em que lá vivi bem diferente do francês intelectual das escolas mas adoro a língua francesa e o arrastar dos rrrr que aprendi e uso

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