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Não foi fácil decidir-me pela publicação de “Casa de Abrantes, crónicas de resistência” numa edição de autor, usando os meus conhecimentos de marketing e recursos empresariais. Confesso que quando a obra se encontrava quase pronta ainda sonhei com uma edição comercial com distribuição nacional, pois publicada como uma “história de família” composta por crónicas biográficas pareceu-me que tinha um considerável potencial comercial. Enganei-me na primeira ideia e não no segunda para meu grande alívio. A resposta que obtive duma conhecida editora colocava o risco todo do meu lado, tendo me sido proposta a aquisição de um número de exemplares que nunca teria capacidade de vender se não pudesse ser eu a tratar da sua comercialização e promoção. O livro tornar-se-ia num luxuoso capricho do autor, que pagava a uma editora para obter patrocínios, designers e fotógrafos, organizar um grande lançamento e distribuí-los nas livrarias. Acontece que, salvo a distribuição nas livrarias, tudo mais é actividade ligada à minha profissão: comunicação e relações-públicas. Perante estes factos decidi-me a arriscar um considerável investimento e publicar o livro com os meus recursos. Uma edição de 450 exemplares bem catita. Tirando as maçadas e trabalhos, o retorno do dinheiro investido já está praticamente garantido e as vendas continuam, para meu grande alívio.
A terceira opção, provavelmente mais ajuizada, teria sido a de fazer préviamente uma recolha de fundos como a está a fazer o Henrique Pereira dos Santos com o projecto em co-autoria com Duarte Belo “Das Pedras Pão” (que grande título!). Veremos nas semanas que faltam se os apoios necessários são alcançados – o ponto de situação da emocionante campanha pode ser monitorizado aqui. Pelos trechos e imagens desvendadas parece um belo produto.
O que me parece importante realçar, é como, ao mesmo tempo que as distribuidoras arriscam cada vez menos em livros que não garantam grandes tiragens e autores da moda, está cada vez mais consolidado um mercado de auto-edição, à disposição dos autores, através do qual, com uma estratégia de marketing simples e distribuição por plataformas digitais se consegue fazer chegar aos públicos mais exigentes e informados bons produtos editoriais.
Dito de outra forma: confesso que iria sentir uma vaidade enorme de encontrar o meu livro “Casa de Abrantes, crónicas de resistência” nos escaparates da FNAC, da Bertrand, da Almedina ou até do Continente. Serve-me de consolação que esse livro seria substancialmente diferente, não tão bonito quanto aquele que se produziu com o meu gosto e a inspiração do Vasco Rosa. Que se pode encomendar e receber comodamente em casa aqui.
ResponderEliminarTudo que está mencionado neste post, senti na pele nos últimos anos. O mercado literário funciona bem com ingénuos e com quem tem nome na praça. Os outros apenas pagam para ver concretizado o sonho. Publiquei dois livros de crónicas humorísticas em regime de crowdfunding. Resultou bem, inclusive. Depois vi o meu trabalho "render-me" 10% das vendas e, apenas se, chegasse a um valor comercial digno do Pedro Chagas.
Lojas como Fnac, e outras, apenas mostram o livro nos primeiros dias (caso se faça lá uma apresentação). Caso contrário, aparece nas páginas online, quando na verdade o autor quer o livro em posição de destaque na loja. Admiro imenso quem quer publicar livros. Eu próprio equaciono - apesar de ter mais material - se devo fazê-lo, ou não.
Olá João,
ResponderEliminarHá uns meses um conjunto de bloguers (nem sei como se escreve o plural desta palavra!!!) escreveram nos seus espaços pequenos contos de Natal que eu compilei. Depois fez-se a capa e entreguei onprojecto a uma editora pequena que publicou o livro sob a sua chancela.
Mas não distribuiu.
Fui eu que acabei por pagar todas as despesas, mas como dizes neste teu postal também já recuperei o investimento.
Os autores de renome são sempre a luz das editoras porque o maior problema destas é a distribuição.
Parabéns pelo livro que irei comprar.
Firte abraço.
Abraço, meu caro José.
ResponderEliminarAté breve!
Honorável Escritor João Távora, ao ler vosso artigo "Publicar Livros '' permita~me expressar na citação de Cícero os meus mais respeitosos cumprimentos- "Quanto mais difícil mais grandioso "- pela envergadura da obra literária , nos véus dos tempos, sinete da História e Memória da Família Lancastre.
ResponderEliminarSaudações Respeitosas,
Advogada Laura Bastos
Muito obrigado, Laura
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