terça-feira, 28 de junho de 2022

Empresas a patrocinar abortos

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O artigo de hoje da Helena Garrido no Observador foi para mim como um pontapé na barriga. Talvez porque tenho em boa conta as suas opiniões em geral e sobre economia em particular, e esta seja favorável à banalização do mal na comunicação empresarial que é matéria do meu ofício – na sequência da decisão do Supremo Tribunal várias grandes empresas prometem patrocinar viagens das suas empregadas a outros estados para abortarem. Se sou capaz de entender os conflitos éticos e morais que comporta a opção do aborto, recuso-me a entendê-lo como um “direito humano”. Ao contrário um aborto é uma solução bárbara, que na maior parte das situações pode ser evitado por pessoas providas de vontade.
A questão é: não seria melhor para a reputação das empresas mencionadas no artigo, Disney, JP Morgan e Citi, Levi Strauss, Microsoft e a Apple, patrocinarem a boa utilização dos contraceptivos e uma vida sexual saudável entre os seus colaboradores? Não, porque isso não traz boa imprensa, e porque - suspeito - as consciências da maioria dos seus clientes não suportam enfrentar complexo conflito de valores que encerra uma gravidez acidental sem o resolver literalmente ao pontapé. Afinal tudo se resume a um umbigo. E à facturação, evidentemente. 

19 comentários:

  1. João, vejo a atitude das empresas como o ato de repúdio a uma lei que tem mais de 50 anos e foi revogada. A mulher têm o direito de escolha! A lei das armas que matam todos os dias inocentes, não mudam, nem procuram solução. Cá já basta cá ver recém-nascidos  abandonados no contetor, mortos e crianças vítimas de maus tratos até à morte.

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  2. Concordo e subscrevo o que diz. Além das convicções pessoais, morais, éticas, sobre a dignidade da vida humana, e da pessoa humana (as minhas e de muita gente), entendo (ab initio), que não se pode usar o aborto como contraceptivo. Que aconteça, que acontece, que há muita miséria física, moral, etc, é verdade. O Aborto como um contraceptivo e, logo, ou vice-versa, como um "direito", isso não porque é contra senso, não faz sentido, é ilógico, até. Matar é um direito? Não é, numa sociedade humanista. Portant, nunca se pode colocar a questão nesses termos, de "direito". Na minha opinião. Obrigada pelo seu texto.

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  3. "a boa utilização dos contraceptivos e uma vida sexual saudável" não são alternativas ao aborto. Há mulheres que engravidam mesmo utilizando bem os contracetivos e tendo uma vida sexual saudável. Eu ao longo da minha vida conheci pessoalmente três - pessoas educadas, sabedoras, responsáveis - que me disseram que as suas gravidezes tinham acontecido apesar de estarem a praticar "a boa utilização dos contraceptivos e uma vida sexual saudável". (E todas três aceitaram ter os filhos.)



    O aborto é uma solução imprescindível, para além d"a boa utilização dos contraceptivos e uma vida sexual saudável". Não são alternativas. São complementares.

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  4. O aborto não é um direito humano. É, simplesmente, um direito das funcionárias daquelas empresas.

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  5. Atendendo a que a fotografia me parece bastante inestética e a roçar uma certa obscenidade gráfica (sim, sou um senhor antigo) acha que o statement que a jovem pintou na barriga se refere ao ser que está lá dentro ou a ela própria? 
    Peço desculpa se o meu comentário é indelicado. 

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  6. Não é nem nunca foi lei. E por isso a decisão de 1973 foi muitíssimo bem revogada.
    A liberdade de que os americanos gozam está protegida pela Constituição. Acho que ninguém - nem as Sofias, as Helenas Garrido ou as Barbaras Streisand deste mundo - se atrevem a defender que, há mais de dois séculos, um grupo de homens ultra-religiosos (por padrões de hoje, mais religiosos do que os europeus por padrões da época) consagraria o direto ao aborto na Constituição. 
    A função do SCOTUS é interpretar a Constituição. Não é corrigi-la nem acrescentá-la. Para isso existe um poder Legislativo, a Câmara dos Representantes e o Senado. O SCOTUS cometeu um erro em 1973 e agora corrigiu-o. A Constituição é claríssima. Se não está na Constituição a decisão cabe aos Estado. Por isso os EUA são uma federação e não é uma maioria conjuntural de 9 juízes que pode alterar isso.
    Em 1973 o SCOTUS errou 3 vezes. Legislou quando não lhe cabia fazê-lo. Usurpou para um órgão federal, um direito estadual  Finalmente - e isto já pode ser discutível mas para mim é claríssimo, deduzir o direito ao aborto como uma extensão do direito à privacidade é uma aberração em racionalismo jurídico.
    A Constituição dos EUA tem, salvo erro, 27 emendas. Se quem de direito - o Congresso - entender que é indesejável deixar que os Estado legislem diversamente, então o caminho é fazer aprovar uma 28ª Emenda, consagrando o direito ao aborto.
    Enquanto isso não acontecer, artigos como o de Helena Garrido, comentários como este de Sofia ou bocas como a de Barbara Streisand, estão num patamar pouco diferente das manifestações violentas que começam a fazer lembrar o ataque ao Capitólio

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  7. Há homens que gostam de viver na pré-história!
    A sociedade e as pessoas deviam evoluir.
    Estamos em pleno século XXI e sim as mulheres têm livre escolha, sobre o que fazer ao seu corpo.
    Os homens do século passado é que descartam os "pequenos problemas" e gostam de fugir às responsabilidade.
    As manifestações não têm e nem devem ser violentas.
    Nos EUA os cidadãos vão continuar a pagar pela mentalidade e lei e não me admiro que ao longo da história matem mais algum presidente…
    Já agora escusa de comentar em anonimato!
    Tal como eu tenho a minha opinião, o senhor tem a sua.

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  8. Não me viu escrever uma linha, uma alusão, fosse o que fosse sobre o sentido da minha opinião sobre o direito ao aborto. E não vai ver.
    Racionalmente posso concluir do seu infeliz comentário que, estado de direito, e separação de poderes são assuntos que não a motivam e cuja violação não a incomoda..Ou, pelo menos, que na sua axiomática, o direito ao aborto precede e prejudica esses valores.
    Com o risco de lhe dar oportunidade de me chamar sexista, além de troglodita (que vive na pré-história) e retrógrado (que devia evoluir) reconheço desde já que não há volta a dar. O hemisfério esquerdo, que me calhou, e o direito, que tão exuberantemente ostenta, estão condenados a não se entenderem .
    Mas não se convença que é (a) dona da razão.
    "... 

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  9. E o pai? Não tem direito de escolha? Imaginemos que a mãe quer abortar mas o pai não, como é que isso se faz? O pai é eliminado da equação? É só a vontade da mãe que se defende? É isto liberdade?

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  10. Primeiro os homens assumem a sua identidade, nem que seja a virtual! Se fossem os homens a engravidar, gostaria de saber se a opinião seria igual. Trazer ao mundo uma criança tem determinados casos não desejada, que a mulher têm a capacidade de sustentar, ou mesmo a que não fazem abortos têm uma datas de filhos, sendo vitimas de maus tratos, muitos deles levando á morte ou ir para adoção que levam anos em democracia é bem melhor!

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  11. Isso do homem assumir a paternidade é tão mansplanning e seculo XXI. Roça o bullying. O corpo é da mulher (ou ser gestante), o que de lá sai também a ela e só ela pertence.

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  12. Sofia,
    eu sou a favor da liberdade de as mulheres abortarem, porém também eu acho que o Supremo Tribunal dos EUA fez bem em ter eliminado aquele precedente jurídico.
    As mulheres devem ser livres de abortar por decisões do poder legislativo de cada país, e não por decisões de juízes não eleitos.
    O facto de uma pessoa, como eu, ser a favor do aborto não faz necessariamente com que ela concorde com a forma como o aborto foi permitido nos EUA - mediante uma decisão judicial com fundamento extremamnete contestável.

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  13. Pagar viagens e abortos serão sempre mais baratos do que qualquer apoio à maternidade. Basta fazer as contas com lápis e papel.

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  14. Tal e qual a decisão do Supremo dos EUA que decidiu que a Vida de um escravo não tinha valor e que poderia ser morto pelo dono. O sistema político dos EUA não mudou desde então; o Presidente é eleito pelo povo e é ele quem nomeia os juízes para o Supremo e a história de Roe (é importante ir ver o que ela fez à sua vida) foi politiquice reles.

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  15. JdB,
    1o.  este tema e a sequência de comentários veio-me garantir (já o sabia) que o de Leça é um anormal, uma besta.
    2o.  por bónus conhecemos outro animal — que diz chamar-se sofia.
    3o.  quanto a si nunca tropecei nalguma indelicadeza sua. Como bem sabe, bestas é o que há mais por aí. Vá em Paz.

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  16. Eu adoro animais são melhores que a maioria das pessoas! Obrigada pelo elogio.

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  17. Os animais são melhores que as pessoas, entusiasta abortista, e tristinha porque os eleitores vão poder decidir a lei do aborto nos seus Estados num país onde presumo, não vive.

    Só faltava um emoji com uma seringa, e outro com a bandeirnha Ucraniana.

    A querida é um meme.

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  18. Querido Zé Tonto, se vir a minha resposta ao Octávio no outro post vai ver que não sou " entusiasma abortista"!
    Vivemos em democracia, são os eleitores que elegem os seus representantes, que supostamente deveriam defender os interesses que quem os elege.
    Na realidade a maioria só quer encher o saco.
    Seringas tenho muitas no hospital e não ligo a modas parvas da internet que metem tudo igual aos outros só porque sim!
    Não se preocupe que eu também não! Há memes piores que eu, tais como os anónimos e os que usam perfis falsos só para comentar.
    Eu assumo o meu nome!
    Tenha um bom dia.

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