Esta epidemia é como todas as outras epidemias: todas são diferentes, e todas são iguais.
Talvez seja a primeira epidemia com alguma dimensão que ocorre quando estão disponíveis dois instrumentos tecnológicos novos que alteram a forma como olhamos para ela.
O primeiro instrumento é a capacidade laboratorial.
Li no mural de uma das minhas irmãs que na poliomielite se estima que 95 a 99% das pessoas fossem assintomáticas (a wikipedia fala em 70%, mas a diferença é irrelevante para o argumento, tanto mais que fala em outros 25% com sintomas menores como dores de garganta e febre).
Como não havia capacidade laboratorial e tecnológica para testar como se testa com esta epidemia, naturalmente a gestão da doença fez-se com o foco nas pessoas doentes, e não nas pessoas que contactavam com o vírus.
Pode argumentar-se que se este instrumento tecnológico estivesse disponível, eventualmente poder-se-ia ter limitado muito a disseminação da doença, poupando milhares de vidas às sequelas da doença, ou diminuindo a mortalidade decorrente da doença.
A verdade é que não sabemos se assim seria, é uma hipótese teórica sólida, mas não sabemos se na prática a teoria é outra porque, como em qualquer epidemia, os factores sociais e ambientais não podem ser desligados das questões de saúde em sentido estrito.
O segundo factor tecnológico relevante é a capacidade computacional que nos permite hoje fazer modelações que eram impensáveis há alguns anos.
Com base nestes dois factores tecnológicos, a capacidade laboratorial e a capacidade computacional, há um conjunto de pessoas ligadas à epidemiologia que dizem que é possível quebrar as cadeias de contágio de uma doença e, consequentemente, controlar a evolução de uma epidemia, com base em medidas não farmacêuticas, em especial, com base no isolamento de pessoas saudáveis, embora infectadas.
Mais, com base nessa ideia, alterámos a visão moral que temos da disseminação de uma doença: deixámos de achar que uma pessoa era responsável por se defender do contágio - na medida do possível, evidentemente - e passámos a achar que cada pessoa é responsável pelos contágios que gera, mesmo que estejamos a falar de doenças altamente contagiosas e que se propagam por aerossóis, isto é, doenças em que é virtualmente impossível identificar a fonte de contágio, excepto em situações muito, muito restritas.
Deixámos de dizer que nos constipámos porque apanhámos frio - como é evidente, ninguém se constipa por apanhar frio, se não houver uma condição viral prévia que tire vantagem dessas condições ambientais - para passarmos a dizer que as crianças podem infectar os avós, criando um ónus moral monstruso sobre a normal relação social que antes considerávamos como bens morais a promover, como visitar os doentes, os que estão sozinhos, os presos, etc..
Dois anos depois parece claro que esta inovação conceptual na saúde pública é mais um dos muitos exemplos de ilusão tecnológica: os problemas sociais complexos podem ser minimizados com recurso a soluções tecnológicas - por exemplo, a descoberta da síntese da amónia tirou milhões de pessoas da pobreza diminuindo enormemente a fome endémica - mas é duvidoso que seja possível resolvê-los por esta via, ou sobretudo por esta via (mesmo os efeitos positivos da descoberta da síntese da amónia só se tornam reais com base num conjunto de soluções políticas e sociais que permitem o acesso à produção barata de alimentos).
Infelizmente, neste caso, a ilusão tecnológica deu origem a um problema bem mais grave, a ilusão social de que é possível moldar o funcionamento das sociedades de modo a potenciar os benefícios das soluções tecnológicas.
Historicamente esta ilusão social é responsável por grandes desastres sociais, e não é a gestão desta epidemia que se pode considerar como uma excepção a esse registo histórico.
ResponderEliminarassimptomáticas
assintomáticas (= sem sintomas).
ResponderEliminara síntese da amónia tirou milhões de pessoas da pobreza diminuindo enormemente a fome endémica
Erro deveras grosseiro. Ao longo da história humana, a eliminação da fome em geral foi somente algo de temporário, que deu origem a uma maior multiplicação dos seres humanos e portanto ao regresso da fome. É o ciclo vicioso maltusiano. A eliminação da fome era temporária e a pobreza regressava sempre.
Não foi um avanço tecnológico - a síntese da amónia - que eliminou a pobreza, foi sim um avanço social, infelizmente bastante mais complexo de descrever.
Excelente post.
ResponderEliminarNão tens razão: o desenvolvimento tem diminuído a fome e a taxa de crescimento da população.
ResponderEliminarQuando se sacrifica uma geração que está a começar a viver para salvar outra geração que está a começar a morrer, penso que está tudo dito.
ResponderEliminarMas já agora também estou curioso, depois da barbárie e depois do apuramento da raça já sem vírus, qual será o aspecto dos novos arianos? Será que vão ficar todos ; altos, loiros e de olhos azuis?
ResponderEliminarInteresante texto. Além de esses dois ´"novos" factores, que bem menciona e cuja influência no desenrolar de esta epidemia é algo a merecer estudo, outro curioso ingrediente actua em todo este novo processo pandémico.
Robert Malone, o cientista inventor da tecnologia mRNA, reafirmou que esta nova poderosa tecnologia não foi inventada para criar vacinas. Fez ainda outras pouco suaves afirmações, mas adiante.
Poderá deduzir-se que todo o processo de saúde pública em curso terá sido o melhor?. Vacinar, vacinar.... "vacinar", com estas "vacinas"?.
Curioso empenho em "vacinar", tudo e todos n vezes, em detrimento do desenvolver tratamento para sintomáticos em primeiros sintomas.
Afinal constata-se que o grande e único trunfo de estas "vacinas" é o mitigar.
Não seria melhor, mais honesto, chamarem a estas vacinas "mitigantes"?.
A natureza, mais uma vez, teve a última, a definitiva palavra.
ResponderEliminarExatamente. Está tudo dito.
Em vez de ser como no passado, em que se entendia que os pais se deviam sacrificar pela sobrevivência dos filhos, agora é o contrário: são os filhos que se devem sacrificar para que os pais e avós sobrevivam.
É a moralidade virada de cabeça para baixo. Agora as crianças e jovens são dispensáveis, porque o que importa é que os velhos possam sobreviver cada vez mais tempo.
É a ideologia gerontocrática levada ao seu limite.
A vacina para a poliomielite, segundo li na wikipedia, também necessita de múltiplas tomas, e reforços, para ser eficaz. Não parece ser diferente da vacina para a covid-19 neste aspeto.
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ResponderEliminarNão dá um linquezinho?
Costumo gostar do que escreve mas este "post" é excepcional.
ResponderEliminarAtrevo-me a sugerir que a ilusão tecnológica, ou melhor, a ilusão da solução total pela tecnologia, com evidente prejuízo de conceitos sociais e morais apenas foi possível como consequência da desconstrução social pelas ideologias e do enfraquecimento dos princípios morais.
P.S. É por isso e apenas por isso que não adito á IL. Não responde ao que eu considero essencial.
Basta googlar Robert Malone. Isto enquanto a Google não "cancelar" esses textos. Aparentemente, na opinião dele -o cientista premiado pela descoberta da técnica mRNA- estas "vacinas"...
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ResponderEliminarUma entrevista a alguém independente do sistema e que dá que pensar.
Aguardamos os desmentidos das autoridades.
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https://covid19up.org/joe-rogan-robert-malone-interview/
Em ciclos de fome, inexplicavelmente as mulheres, mesmo sub-nutridas, continuam férteis e há maior multiplicação de seres humanos. Talvez seja o Instinto de sobrevivência e de preservação da espécie ao sentir-se ameaçada.
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ResponderEliminarEm ciclos de fome, inexplicavelmente as mulheres, mesmo sub-nutridas, continuam férteis
Isto só é parcialmente verdade. A fertilidade das mulheres diminui ou é mesmo totalmente eliminada quando elas passam fome. Quando a quantidade de gordura no corpo de uma mulher diminui substancialmente, o ciclo ovulatório pode parar de todo. Isso já se verificou em certas atletas.