Está a decorrer, em Glasgow, a 26ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.
Não exactamente a propósito dessa conferência, mas tendo também como pano de fundo todo o seu enquadramento, perguntava-me um amigo, muito envolvido no assunto, se o facto de eu ter feito uma pequena nota sobre uma questão linguística como comentário a qualquer coisa que tinha escrito, quereria dizer que finalmente estaríamos por uma vez de acordo nas questões de substância.
O que me fez ficar a pensar no assunto, visto que me pareceria a mim que estamos largamente de acordo nas questões de substância, havendo, é certo, um largo desacordo no que diz respeito aos caminhos possíveis para atingir os objectivos em que estamos essencialmente de acordo.
A esmagadora maioria da opinião que aparece no espaço público sobre este assunto é favorável a mecanismos coercivos e de planeamento central que nos obriguem a "fazer o que está certo e é imprescindível", com o argumento de que ser cada um de nós a fazer opções é um mecanismo demasiado frágil, lento e incerto para garantir o que é preciso.
No fundo, corresponde a subscrever o clamor de Greta Thundberg (e por isso ela é tão acarinhada, por dizer de forma básica o que pessoas com um bocadinho mais de responsabilidade social gostariam de poder dizer mas não podem, porque sabem que o mundo não é a preto e branco) de que temos a casa a arder e não há alternativa que não seja apagar esse fogo imediatamente, custe o que custar.
Por acaso, hoje, num pequeno post de Carlos M. Fernandes encontrei uma boa formulação das tais divergências.
Eu acho que não só existem sempre alternativas - melhores ou piores é que é a discussão que interessa - como que as alternativas que pretendem substituir a liberdade dos indivíduos pela imposição do bem comum, são alternativas muito, muito perigosas (e que a história raramente demonstra terem virtudes maiores que contar com a imensa riqueza que resulta liberdade que permite potenciar a inteligência colectiva).
«Se suprimirmos toda a discussão, toda a crítica, proclamando “esta é a resposta, meus amigos, o homem está salvo!”, condenaremos a humanidade, durante muito tempo, aos grilhões da autoridade, deixando-a confinada aos limites da imaginação vigente. Já foi feito tantas vezes antes.»
Richard P. Feynman, What do you care other people think?, p. 248 (tradução minha)".
Sim, há um caminho que pressupõe metas vinculativas, tribunais internacionais, sanções sobre estados prevaricadores, concentração de recursos nas mãos das instâncias internacionais responsáveis por definir o futuro e alocar os recursos necessários para o atingir, mas esse é seguramente um caminho de servidão e, muito provavelmente, muito menos eficaz que o caminho alternativo de contar com as pessoas comuns e as suas escolhas livres.
De repente pensei que estavas a falar da luta contra o Covid19.
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ResponderEliminarEstimado HPS,
Tenha sempre presente que há, à solta, muitos filhos-de-uma-mãe-querida.
E que eles precisam de se alimentar, nutrir e sobreviver; tal como nós precisamos.
Aonde vão eles buscar o sustento? Aos pequenos (parvus em Latim).
Não nos devemos esquecer das verdades da Vida, incluindo as da espécie humana.
Um pequeníssimo pormenor : a força militar, i.e .a Força , sem titubeios, dos prevaricadores Rússia e China.
ResponderEliminarOs gnomos de Haia têm uma experiência alargada das sentenças condenatórias à Santa Rússia...
E a/o "Greenpeace" idem...
JSP
Também de Feynman: "It doesn't matter how beautiful your theory is, it doesn't matter how smart you are. If it doesn't agree with experiment, it's wrong."
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ResponderEliminar"Radiative energy flux data, downloaded from CERES, are evaluated with respect to their variations from 2001 to 2020. We found the declining outgoing shortwave radiation to be the most important contributor for a positive TOA (top of the atmosphere) net flux of 0.8 W/m2 in this time frame. We compare clear sky with cloudy areas and find that changes in the cloud structure should be the root cause for the shortwave trend. The radiative flux data are compared with ocean heat content data and analyzed in the context of a longer-term climate system enthalpy estimation going back to the year 1750. We also report differences in the trends for the Northern and Southern hemisphere. The radiative data indicate more variability in the North and higher stability in the South. The drop of cloudiness around the millennium by about 1.5% has certainly fostered the positive net radiative flux. The declining TOA SW (out) is the major heating cause (+1.42 W/m2 from 2001 to 2020). It is almost compensated by the growing chilling TOA LW (out) (-1.1 W/m2). This leads together with a reduced incoming solar of -0.17 W/m2 to a small growth of imbalance of 0.15 W/m2. We further present surface flux data which support the strong influence of the cloud cover on the radiative budget."
( "Radiative Energy Flux Variation from 2001–2020", Atmosphere 2021, 12(10), 1297; https://doi.org/10.3390/atmos12101297, publicado o mês passado)
CERES - Clouds and the Earth's Radiant Energy System - NASA
Mais do mesmo paper e um bom resumo da "gravidade" das presentes alterações climáticas:
"The current enthalpy is still ca. 600 ZJ below the medieval maximum 1000 years ago grounded on the 2000 years OHC reconstruction reported by Gebbie and Huybers [11]. This would be compensated in only 50 years with the presently observed +0.8 W/m2 net flux and in about 100–200 years for the average rate as during the 20th century. With a possible interception by another phase of a negative radiative net flow, it would take centuries until we reach the medieval OHC maximum again."
A quem interessa?. Cientistas dependentes e políticos corruptos não são isentos. Quer seja sobre estas "vacinas" Covid-19 quer seja os "catastróficos" combustíveis fósseis. Apenas interesses, financeiros/políticos.
ResponderEliminarNão há nada para estar de acordo com o COP 26. É uma fraude científica, política e jornalistica, logo uma catástrofe civilizacional do Ocidente. Ponto.
ResponderEliminarOs interesses de identidade pessoal são tão ou mais importantes do que financeiros e políticos. Pessoas de cada geração querem colocar a sua marca, por outras palavras justificar a sua existência. Sentirem-se amados, respeitados.
ResponderEliminarPara isso têm de construir uma narrativa em que lhes permita aparecer como representantes do bem.
Nada atrai mais que uma narrativa/religião que promete salvar o mundo.
ResponderEliminarComo é uma catástrofe, nem o Xi nem o Xico puseram lá os pés. O Brandon foi primeiro a Roma num simbólico cortejo de 83 pópós — e viu o Papa.
O que eu sei é que entre 2005 e 2019 as emissões (baseadas no consumo, portanto sem a distorção da desindustrialização) na UE baixaram 23% e nos EUA 15%, enquanto o PIB aumentou 18% na primeira e 15% nos segundos. Isto com o sistema de "cap and trade" e sem a actual escalada dos preços das emissões.
ResponderEliminarParece evidente que em face da brutal escalada dos custos das emissões (em parte fruto da arquitectura do sistema, que vai incluindo mais sectores e limitando mais as emissões), bem como os avanços tecnológicos na área da energia e transportes e em alguns sectores industriais irão acelerar fortemente essa tendência.
Assim, não se percebe a actual oposição ao sistema liberal que tem dado frutos, e que consiste em internalizar nos agentes os custos ambientais através do mercado e dar liberdade de iniciativa para que novas soluções apareçam, e vão aparecer se houver pressão do mercado.
Não foram, mas a opressão regulativa e mesmo pura intimidação discricionária feita pelo "Administrative State" das democracias totalitárias vai-se intensificar.
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