
Chove copiosamente na minha rua e quatro pessoas abrigam-se debaixo do toldo de uma loja. Hesito em chamar a Protecção Civil para as vir salvar e também as televisões para registarem a tragédia iminente. Ficaria como exemplo de como comportamentos de gente incauta, que sai à rua indiferente aos inúmeros AVISOS AMARELOS - que a Comunicação Social tão afanosamente divulgou para este fim de semana alargado - podem ter consequências destas. Ainda por cima, logo no sábado, dois acontecimentos tenebrosos deviam ter servido de aviso: rebentou uma conduta de água da Av. da Índia, em Lisboa, e caiu uma árvore numa linha férrea, já não me lembro onde. E os bombeiros receberam mais de mil ocorrências, embora pareça que nenhuma tão grave a ponto de ser individualizada nas notícias.
Eu próprio atrevi-me a ir ao mercado no sábado de manhã (mesmo tendo conhecimento do rebentamento da conduta de água, a minha irresponsabilidade é lendária) e fiquei a saber que, segundo os comerciantes, o movimento estava bem menor, provavelmente devido ao terror dos clientes perante os avisos amarelos. E muitas mais pessoas prudentes devem ter seguido os alertas, deixando de fazer outras compras, de estar com familiares e amigos, de viajar, de passear, de assistir a espectáculos, de fazer desporto, de ir a restaurantes, cafés, bares e discotecas. Mas o que interessam estes prejuízos sociais e económicos quando é a vida humana que está em causa? E se fossem submergidos por chuvas torrenciais, fulminados por raios, arrastados por correntes de lama ou por rajadas de vento ciclónico?
Entretanto, na minha rua, a chuva abrandou e as quatro pessoas abandonam o toldo salvador rindo e conversando, inconscientes do risco que correram. Quero ver, quando vier o próximo “aviso”, que há de ser laranja, se também vão ficar assim tão divertidos!
Escrever usando sarcasmo, não faz amigos, entre os que o entendem. E os outros (talvez) não sejam grandes amizades. Obrigado pela gargalhada que me ofereceu...
ResponderEliminarSalvem nos das alterações climáticas..eh eh eh
ResponderEliminarMagnifico
ResponderEliminarHehe.
ResponderEliminarBoa
ResponderEliminarQuando eu era miúdo também chovia copiosamente, dias e semanas a fio, e não havia cá avisos amarelos nem laranjas nem azuis. Era tudo muito cinzento e quem andava à chuva molhava-se.
ResponderEliminarAgora ao menos há avisos para tudo só é pena é não haver avisos para a estupidez, porque se houvesse tinha que ter as cores todas.
ResponderEliminarIdem. Chovia desde Outubro até Fevereiro. Horas seguidas. Voltava em Abril "à cause" do Dia do Turismo. Tive gabardina; depois guarda-chuva. Andava sob toldos e varandas. Se houvesse "avisos", o clube lgb via-se à nora. Sem cores decentes...
Naquela altura até a televisão era a preto e branco. A única cor que havia era o filtro que se comprava para a televisão, que era azul e era para não fazer mal à vista.
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