Muito cedo, quando o governo de então anunciou o fim dos contratos de associação com boa parte das escolas envolvidas, Alexandra Leitão declarou o assunto encerrado.
Nessa altura, Alexandra Leitão explicou que uma turma em escolas estatais custava 54 mil euros (se tiver vinte alunos, significa 2 700 euros por aluno), ou seja, menos 26 500 euros (1 325 por aluno) que o que pagava o Estado por turma em contrato de associação, 80 500 euros (4 025 euros por aluno, numa turma de 20 alunos). Claro que Alexandra Leitão referiu uma condição para que fossem estes os valores: "quando há capacidade instalada".
Agora o Senhor Ministro da Educação vem informar que cada aluno custa ao Estado 6 200 euros (124 000 euros por turma de vinte alunos).
O assunto pode estar encerrado, mas a ideia de responsabilidade política e de avaliação política não está, pelo que seria normal haver jornalistas a querer perceber o mesmo que eu:
Alexandra Leitão aldrabou em 2016, e nesse caso executou uma política que implica um aumento de despesa do Estado e a destruição de comunidades educativas de sucesso com base numa mentira, por razões que nunca explicou?
Ou o Estado mais que duplicou a despesa por aluno em cinco anos, sem resultados conhecidos e sem base racional conhecida?
Em qualquer caso, o que seria normal era estarmos - cada um de nós, os partidos da oposição, os jornalistas, os sindicatos relevantes, a associação de directores escolares, as associações de ensino privado, etc. - agora a discutir o que se passou entre 2016 e 2021 para que os responsáveis pelo sector dêem informações tão díspares.
E, se não fosse pedir muito, a exigir que estas contas sobre o custo de políticas públicas fossem públicas e transparentes para não estarmos dependentes de afirmações, não verificáveis, dos responsáveis políticos.
Percebo a imediata reacção que compara os 6200 euros de que fala o ministro com as propinas das escolas privadas mais bem colocadas nos rankings, mas é pouco, muito pouco, o que faria sentido era mesmo reabrir o assunto dos contratos de associação para perceber realmente que responsabilidades políticas existem e se podem exigir a quem tomou decisões que, à luz do que diz o actual Ministro da Educação, lesaram gravemente o Estado do ponto de vista financeiro, e sacrificaram os interesses das pessoas envolvidas ou, pelo menos, contra o que elas acham que eram os seus interesses, em nome de um suposto bem comum que, como acontece frequentemente, afinal não existia.
O mais extraordinário da declaração do ministro, foi ele vangloriar-se da subida do custo por aluno de 4.700 para 6,200, "provando" assim o enorme investimento no ensino.
ResponderEliminarNem ninguém lhe lembro das contas da senhora, que à altura já estavam "marteladas" para justificar a opção politica e cega da denuncia os contratos com os privados.
Pior do que isto é a comunicação social do tipo para quem é bacalhau basta, não denunciar.
Eles lá terão as suas razõe€..
ResponderEliminarHá muitas possibilidades para explicar esta disparidade nos números que não envolvem qualquer aumento de custos entre 2011 e 2016.
Por exemplo, um número pode referir-se aos custos totais por aluno, incluindo o custo de funcionamento dos serviços centrais do Ministério, e outro número referir-se apenas aos custos diretos da escola. Ou então, um número pode referir-se ao custo médio por aluno em todos os graus de ensino, e outro número somente se referir a um grau de ensino específico.
ResponderEliminaro que faria sentido era mesmo reabrir o assunto dos contratos de associação
Reabrir, de que forma???
Voltando a conceder contratos de associação a certas escolas que os tinham? Mas, se se concede a essas escolas, porque não se concede a outras? Que raio de direito específico tinham certas escolas privadas de ter contratos de associação, quando outras escolas privadas não os tinham? Então íamos agora, em 2021, restaurar a distinção iníqua entre escolas privadas - distinção que, com grande probabilidade, em alguns casos teria tido origem em corrupção de governantes por parte de alguns proprietários de escolas privadas - que anteriormente existia?
Ou pretenderia o Henrique "reabrir" de outra forma? De qual forma?
Eu acho que não se pode reabrir algo que cheirava muito mal - cheirava a favorecimento indevido e, muito provavelmente, a corrupção.
Reabrir, reabrindo: reconhecendo que os modelos convencionados são uma possibilidade que poupa dinheiro ao Estado e responde melhor aos que as famílias querem, portanto criando mecanismos abertos e transparentes para o estabelecimento de contratos.
ResponderEliminarEssa conversa da corrupção é extraordinária: aplicada ao Estado, fechava-se o Estado todo onde há suspeitas, e mesmo casos comprovados, de corrupção, nomeadamente no Ministério da Educação.
O Estado socialista não vai abdicar do monopólio do ensino e da associada propaganda marxista. De pequenino se torce o pepino.
ResponderEliminarConcordo totalmente com o autor do post (como sempre, aliás. Funde um partido e eu voto em si). Todavia, parece-me provável que o aumento da despesa por aluno possa ter a ver com a imputação ao Ministério da Educação de várias tarefas que caberiam ao Ministério da Saúde, como a testagem dos alunos contra a Covid-19, e outras relacionadas com a pandemia, que foram impostas às escolas (sem que, creio, tenha resultado do seu encerramento uma grande poupança, porque a maior parte dos custos são fixos).
ResponderEliminarNão é esta Alexandra Leitão, em público terminando os contratos de associação, a mesma que em privado tinha as filhas na Escola Alemã porque "queria que elas tivessem um currículo internacional"?
ResponderEliminar«o dinheiro é do ps»
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ResponderEliminarE?
Acaso Alexandra Leitão proibiu, ou pretendeu proibir, alguém de ter os filhos na Escola Alemã, ou em qualquer outra escola privada? Não, ela não proibiu.
Acaso ela disse mal do ensino privado? Não, ela não disse mal dele.
Qualquer pessoa continua a ser livre de ter os seus filhos numa escola privada, desde que a pague. Tal e qual como Alexandra Leitão faz, e paga.
Ademais, a Escola Alemã nunca teve contratos de associação, pelo que absolutamente nada tem a ver com aquelas escolas que os tiveram. Há muitas, muitíssimas escolas privadas em Portugal que nunca tiveram contratos de associação.
ResponderEliminarEstá certo. Essa senhora (com esse pequeno) disse isso. Agora devia assoar-se a este guardanapo.
ResponderEliminarO balio não tem razão. O assunto pode ser reaberto de muitas maneiras. Uma delas era instituir o "cheque -ennsino", mesmo que fosse apenas por 70 ou 80% do dinheiro que o ministro diz gastar.
ResponderEliminarO encerramento de algumas escolas de associação foi uma vergonha e prejudicou muitas crianças oriundas de famílias pobres. Para muitas dessas crianças o elevador social avariou, e não há balio que lhe valha.
Aliás seria mutio interessante saber em que escolas os governantes têm os filhos. E já agora que hospitais frequentam. Porque isto parece-me mais a política de que os serviços públicos são bons mas é para os mais desfavorecidos.
ResponderEliminarBasicamente isso.
ResponderEliminarÉ por essas e por outras que o meu voto vai ser de protesto.
ResponderEliminarPor estar fora do tópico do seu post, peço desculpa por colocar o link que segue no fim. Acontece que achei tão preocupante o que li que não pude ficar indiferente. Assim _ pelo sim pelo não _ considerei necessário divulgá-lo para que Pais e Avós fiquem informados. Sem alarmismos, mas atentos.
ResponderEliminar(retirado daqui)
E o texto a ler:
https://onedrive.live.com/view.aspx?resid=4BD79032236AF8C0!20641&authkey=!AM3O7mqMPCeWj8c
( ps- queria sublinhar que o tema não é, de forma alguma, sobre JSampaio, como é evidente. Surge aqui como o "Pilatos no credo". Não tenho nenhuma dúvida de que desconhecia os objectivos da IPPF como, aliás, a maioria de nós. )
st
O dinheiro gasto no Ensino público nada me diz.
ResponderEliminarA qualidade dos profissionais saídos desse mesmo Ensino é que devia ser mencionada.
Do que tenho visto e ouvido parece-me que se enveredou pelo "facilitismo".
Mau sinal.
Dois pequenos exemplos: uma menina da caixa de um hipermercado muito conhecido confessou-me que nunca tinha ouvido a palavra "vasilhame".
Muito recentemente, perguntei a outra jovem de outro hipermercado onde estava a prateleira das lentilhas. Confessou-me que não sabia o que eram lentilhas.
Os números não enganam:
ResponderEliminarhttps://observador.pt/opiniao/6200-euros-pressao-sobre-as-escolas-publicas/
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ResponderEliminarO assunto pode ser reaberto de muitas maneiras. Uma delas era instituir o "cheque -ennsino"
O cheque-ensino nada tem a ver com os contratos de associação. Crucialmente, o cheque-ensino abrange todas as escolas privadas (e públicas), e não somente um (pequeno) punhado delas escolhidas a dedo. O cheque-ensino não privilegia umas escolas privadas em detrimento das restantes. É algo completamente diferente dos contratos de associação.
Luís,
ResponderEliminarO cheque ensino ou os contratos de associação são apenas umas das muitas formas possíveis que podem tomar os acordos entre o Estado e as escolas não estatais.
Quanto ao retrato que fazes de alguns contratos de associação em concreto, para além de dizerem respeito a alguns, repara que esse é o retrato de uma administração irracional, que define regras estúpidas e as aplica com base em decisões administrativas difíceis de escrutinar, ou seja, a corrupção de que falas não diz nada sobre as escolas sob contrato de associação, mas diz tudo que é preciso sobre a corrupção no Estado.
Não vejo como acabar com todos os contratos de associação que o Estado entenda, com base em pressupostos falsos, aumentando o poder do Estado, diminua a corrupção, em vez de a aumentar.
Não é preciso ir rebuscar argumentos, a explicação é tão simples quanto isto:
ResponderEliminara min. Leitão colocou os seus filhos em Colégio privado porque aí não há "misturas" sabe que é lá que se encontra "a" casta de que ela se sente fazer parte e onde o ensino, por ser para uma elite, é mais exigente pois aí procura-se a excelência e a melhor qualidade (a todos os níveis). É aí também que se forma o escol, a "nata", onde se engendram relações futuras muito "interessantes" entre os "amigos de Colégio".
Parece-me que este governo _ sob o lema "para quem é bacalhau basta"_ tem apoucado a nossa gente.
Na verdade, o governo nunca esteve focado na qualidade do Ensino e nunca existiu um envolvimento genuíno ou sequer preocupação com a população estudantil, investindo mais e melhor na sua aprendizagem e formação, i.e., no seu futuro! O que revela uma falha grave e falta de visão para o país futuro.
Faltou acrescentar que a preocupação deste governo consistiu em "engordar" o Min. da Educação com um aumento de 15.000 funcionários enquanto a população estudantil vem diminuindo. É obra! Assim se fideliza uma "clientela" com a qual se ganham eleições. Quem sabe, sabe...
ResponderEliminarEsta tabela vai direitinha para o dr. Balio ler. E depois "relacione", por favor! É uma comparação entre o custo médio por aluno no ensino público e a anuidade nas melhores escolas privadas (está já incluído o custo da propina, matrícula e seguro) .
ResponderEliminarhttps://blasfemias.net/2021/09/16/com-desenho-percebe-se-melhor/