Tenho reparado que muita gente se indigna actualmente com um magistrado que é claramente excessivo com um polícia que está à sua frente a fazer o seu trabalho, mas não tenho ideia de tamanha indignação perante um magistrado - no caso e na altura, o mais alto magistrado da nação - se dirigir mal criadamente a um polícia dizendo-lhe para desaparecer porque não queremos polícias, quando o senhor estava apenas a ser diligente no seu trabalho (quando se indignarem pelo facto de ainda hoje não sabermos a velocidade a que ia o carro do Senhor Ministro Cabrita, lembrem-se bem da razão que deu origem a esta cena).
Tenho reparado na diligência da PSP, largamente apoiada por uma imprensa indignada com os "insultos de negacionistas" dirigidos a Ferro Rodrigues, ao remeter para o Ministério Público os factos sobre os quais nenhum dos intervenientes apresentou queixa. E tudo com largo apoio público, do mesmo público que há uns anos achava normal a Esquerda.net ter artigos a glorificar este tipo de intervenções.
Não, não vale a pena tentar explicar as diferenças entre um almoço privado e uma iniciatíva pública, nesse tempo, também havia esperas e insultos em situações claramente privadas (incluindo as esperas anuais em Manta Rota).
Esta progressiva delimitação da liberdade de expressão - estranhamente ouvi Paulo Ferreira, jornalista de que gosto bastante pela seu bom senso e ponderação, a defender que esse direito não inclui o direito ao insulto e é preciso haver limites - não é conjuntural e não se fica onde devia ficar, na censura social.
Hoje é notícia o facto da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial ter instaurado um processo contra o manda-chuva do PSD do Seixal porque num cartaz resolveu pôr a fotografia de Mao Tsé Tung (eu sei que a moderna transcricção é Mao Zedong, mas gosto mais da antiga) e fazer uns comentários irónicos sobre o facto do Seixal ser localmente governado por comunistas há um ror de tempo. "A CICDR recebeu duas denúncias em relação ao cartaz. Segundo a comissão, a frase “Depois de 45 anos a comer arroz” é suscetível a “discriminar o povo chinês, sendo assim um ato xenófobo” e ainda “diminuidora da cultura chinesa”. A queixa diz ainda que o cartaz pretende diminuir “as dificuldades que os chineses passaram durante várias lutas e guerras que enfrentaram, o que os obrigou a subsistir com base no arroz”." diz o Expresso que diz uma Comissão que está oficialmente encarregada de policiar a expressão de terceiros.
Ou seja, temos uma comissão oficial a instaurar processos a candidatos eleitorais com base em opiniões mais que discutíveis (as da comissão, as do candidato, por definição, são discustíveis, por isso é que se fazem eleições).
E tudo com o apoio de uma imprensa cada vez mais confortável com a ideia de ordem e progresso e cada vez menos com a prática da liberdade.
PS: hoje, João Miguel Tavares tem um artigo sobre a vacinação das pessoas mais novas que eu subescreveria integralmente e é um excelente artigo (gostaria de o ter escrito). Com excepção da última frase que é excelente para explicar as minhas distâncias em relação aos mais moderados entre os que defendem que epidemias se gerem mais ou menos como esta tem sido gerida: "Até porque só assim podemos acabar com as temíveis variantes". A divergência parece pequena e está na substituição daquele "só assim" por "nem assim".
Bom post. Concordo completamente.
ResponderEliminarPlenamente de acordo.
ResponderEliminarÉ sempre a velha e estafada maneira da esquerda de ver as coisas:
Para os amigos tudo é válido, para os outros aplique-se a lei
E por falar em vacinas:
ResponderEliminarhttps://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2021-09-10-dados-divulgados-sobre-financiamentos-ao-laboratorio-de-wuhan-relacionam-fauci-o-niaid-e-a-ecohealth-alliance-com-a-criacao-do-novo-coronavirus/?amp= (https://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2021-09-10-dados-divulgados-sobre-financiamentos-ao-laboratorio-de-wuhan-relacionam-fauci-o-niaid-e-a-ecohealth-alliance-com-a-criacao-do-novo-coronavirus/?amp=)
só é visível a trampa deslizante
ResponderEliminarmuito bem...mal.
ResponderEliminarSe logo for noticia que um filho espancou o pai, nao faz mal, tambem o afonso henriques o fez e portugal sobreviveu - explicará v/Exª.
Na explicaçao nao esquecerá jurar a devoçao á liberdade, pois...á santa liberdade.
Mas o que mais clarifica a essencia do seu raciocinio é justamente o incomodo com a imprensa livre.
Pois é.
A Constituição diz que o regime caminha para o Socialismo por isso a Liberdade esteve sempre a prazo. A PSP e a comissão para a censura estão aí para o demonstrar.
ResponderEliminarNote-se com jornalistas usam o termo "ataque" para definir o que aconteceu a Ferro Rodrigues. Com assassinatos e vandalismo do BLM o termo empregue pelos jornalistas já eram "protestos"...
Para os mesmos jornalistas parece que só em 2021 pela primeira vez apareceram "insultos" contra o Poder em Portugal...
Na manipulação em vez de "apupos" temos "insultos" e em vez de "protestos" temos "ataques" quando os governos são de esquerda.
Notar ainda como a expressão "direito à indignação" desapareceu repentinamente do léxico dos jornalistas .
Imagino que D. Afonso Henriques depois da batalha de S. Mamede terá dirigido as seguintes palavras á sua mãe, Teresa de Leão:
ResponderEliminar"Estás a ver, velha? Isto foi porque me deste tau-tau há dez anos só por eu não ter comido a sopinha toda".
E ai se iniciou a longa tradição de "w
portanto chamar assassino a entidade publica deve ser a palavra de ordem, o novo normal.
ResponderEliminarEu acabaria rapida e definitivamente com isso. . Mas se quizerem fazer um pic nic num parque no meio do alentejo, ou mesmo alugarem um campo de touradas, tudo bem, até podem lá continuar sempre.
Percebe-se que se trata de provocaçao, causar instabilidade pela instabilidade.
Compreende-se que a policia nao ceda á provocaçao, mas que mereciam porradinha absoluta ,, sem duvida.
ResponderEliminarDeves ter descoberto que só agora é que se chamou assassino a um político em Portugal. Sofreste uma bela lavagem cerebral.
ResponderEliminarÉ por essas e por outras que o meu voto vai ser de protesto.
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