quarta-feira, 21 de julho de 2021

Cheias, fogos, pestes e afins

De vez em quando pedem-me comentários sobre alterações climáticas (raramente falo ou escrevo sobre isso por minha iniciativa).


De maneira geral é assunto de que fujo, e portanto sugiro que falem com outras pessoas que saibam mais que eu sobre alterações climáticas, mas respondem-me que é sobre as consequências de cheias ou fogos que querem que eu fale e eu, que gosto de falar (e também gosto de estar calado), acabo por dizer que sim.


O que quer que me perguntem sobre estas matérias, faço mais ou menos como Álvaro Cunhal: tenho um kit de respostas que é razoavelmente autónomo em relação às perguntas.


O primeiro ponto é o de que cheias, fogos, pestes e outros grandes fenómenos que tais são processos naturais que é estulto tentar dominar. Na verdade dizer isto é uma parvoíce da minha parte, não porque não seja verdade, mas porque não é isto que as pessoas querem ouvir e muita gente sente-se desconfortável, mesmo que sem consciência imediata disso, pelo facto de não sermos nós que comandamos os processos naturais.


O segundo ponto é que enfiar as discussões sobre este tipo de coisas nas discussões sobre alterações climáticas só serve para complicar: 1) construir em leito de cheia, sem ter em atenção o que é uma cheia e um leito de cheia, é uma asneira, com ou sem alterações climáticas; 2) com ou sem agravamento dos fenómenos meteorológicos extremos, controlar o fogo é gerir combustíveis, ou seja, gerir paisagens; 3) as variações de localização das espécies selvagens até pode depender de alterações climáticas, mas sem habitats favoráveis, o que depende da gestão dos usos, não se ganha muito em tentar controlar o clima; ... e por aí fora.


O resultado será frustrante para mim - acabo sempre a ser classificado como negacionista vendido aos interesses - e frustrante para quem me ouve, que em vez de ter uma justificação moral para a indignação do momento, dizendo que os outros são do piorio e se todos fizessem como eu o mundo seria um paraíso, acaba sem moral da história e com mais dúvidas que certezas.


Ter dúvidas é uma actividade muito cansativa e pouco compensadora.

5 comentários:

  1. a ó-nu e a ue da sra telha van
    propõem-se impedir o planeta de produzir terramotos, emissões de lava dos vulcões activos. e períodos de monção
    o Titanic afundou-se por ter chocado com o gugu durante o seu banho de mar
    metam o nariz no cu-meta

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  2. Por acaso já li que o facto de se pensar consome energia. Por experiência própria também tenho isso como verdade e raciocínios simples fundamentados na fisiologia e no princípio de conservação de energia conduzem à mesma conclusão.


    Pense agora: quantos grandes mestres de xadrez são/eram obesos?
    E continue a pensar: quantos laureados com o prémio Nobel em áreas científicas são/eram obesos?
    Quantos conhece nestas áreas de actividade sedentárias? 
    Porque penso, sei que correlação não é causalidade, mas mesmo assim não posso deixar de colocar estas questões.

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