A 27 e 28 de Fevereiro esteve um belo tempo, de maneira que foi toda a gente para a rua.
Logo apareceram uns quantos (os do costume) a dizer que isso se iria pagar caro, dez a doze dias depois, isto é, hoje e por estes dias, com uma forte subida de contágios.
Já tinham dito o mesmo em muitas ocasiões, desde o Natal nos EUA (Dr. Fauci dixit), a manifestações várias e etc..
Umas vezes, poucas, acertam, outras vezes, muitas, não acertam.
Lembram-se talvez do desastre que ia ser fazer umas eleições presidenciais a 24 de Janeiro, mas não se passou nada (até esquecem a movimentação desse dia para explicar que fechar escolas a uma Sexta se traduziu numa enorme aceleração da queda da incidência da covid).
Carlos Antunes, por exemplo, afirma explicitamente que "os métodos que uso não se aplicam a previsões de novas vagas. Sigo a projecção (e não previsão) em função da taxa de transmissibilidade actual. São os dados e a sua tendência que permitem projectar, mas apenas no curto prazo", ou seja, é claro a dizer que os métodos que usa são uma mera projecção de tendências e nada mais que isso.
Ao mesmo tempo entretém-se, na qualidade de especialista, a fazer afirmações sobre o impacto na epidemia da abertura dos cabeleireiros, como se ser especialista na análise de tendências que tanto podem ser de epidemias, alterações climáticas, cotações da bolsa ou outra coisa qualquer, o habilitasse a discutir seriamente o impacto da abertura de cabeleireiros na evolução de uma doença.
Não admira, por isso, que passem a vida a dizer que vai acontecer uma coisa e a realidade a trocar-lhes as voltas.
Só que ao contrário da história, em que a aldeia deixa de ligar ao pastor que passa a vida a dizer que vem lobo, o que acontece é que se continua a dar ouvidos aos profetas da desgraça.
E é por isso, essencialmente por isso, que governos fracos e populistas como o nosso, acabam a fazer medidas em que uns dias podem estar quatro pessoas numa mesa e quinze dias depois passam a poder seis, sem que haja uma única pessoa no mundo que consiga explicar racionalmente qual é a diferença que estarem zero, quatro, seis ou doze pessoas, numa mesa, provoca na evolução da epidemia.
Claro que o governo sabe perfeitamente que tudo isto não passa de uma coreografia, não tem impacto nenhum da epidemia, mas tem de responder à pressão que os gritos dos pastores sobre a vinda do lobo provoca na aldeia.
Tudo isto é compreensível, que uns tenham medo, não tenham consciência da sua própria ignorância e que outros tenham de responder às ondas de choque provocadas pela histeria.
O que não é compreensível é o papel da imprensa a servir de caixa de ressonância a isto tudo.
Boa noite Henrique Pereira dos Santos. Hoje discordo de si melhor, discordo da conclusão quanto a não ser compreensível o papel da imprensa. Posso estar enganado, mas compreende-se claramente, acionistas/ donos dos OCS alinhados e pés de microfone a que muitos chamam jornalistas. Além de que o respeitinho é muito bonito, regressou em força. Mas, como disse, posso estar a ver mal as coisas. Saúde.
ResponderEliminarAntónio Cabral
ResponderEliminar"O que não é compreensível é o papel da imprensa a servir de caixa de ressonância a isto tudo."
Mas é essa a função que o jornalistas querem, fazer proselitismo da religião Política. Ninguém vai para jornalismo para dar notícias, vão para ser padres a proclamarem a sua moral.
A profissão obviamente atraí aqueles que mais querem controlar os outros.
É só para isso que existe a imprensa, porque é que a Política não deixou de crescer na sociedade desde o início do século XX?
Ora aqui está uma "caixa de ressonância" para nos avisar de que
ResponderEliminarExpresso«ficou surpreendido»«questão juridicamente delicada»
Não se apoquente, Henrique Pereira dos Santos, o PS, as suas políticas e os seus desmandos "pandémicos", tantas vezes aqui denunciados, têm os dias contados. Ora veja porquê:
ResponderEliminarO PS teve os votos dos eleitores mais velhos e menos instruídos _ há estudos feitos. Isto quer dizer simplesmente uma coisa: este partido não tem futuro.
E eles sabem disso ... Não é por acaso que pouco se empenham, verdadeiramente, na Educação, não investem grandemente nas qualificações dos portugueses, numa melhor remuneração, em suma, no "elevador social" que liberta as pessoas, as torna autónomas, economicamente independentes, e realizadas. O PS é a paralização de tudo isso, com a proliferação de mais resignados e desfavorecidos (os seus votantes). É este o marasma eterno do país, a que estamos condenados! A perpetuação de mais Estado é a garantia de manutenção do poder nas mãos destes "amigos" dos pobres. Correcção das assimetrias e dos desequilíbrios sociais e económicos? Coesão? Não! Não é esse o propósito deste governo e menos ainda a sua vocação. Tretas! Anos a fio de governos PS no poder e a pobreza e a estagnação estão para lavar e durar (se a gente não se põe a pau!).
A cultura do subsidio é a cenourinha à frente do nariz dos... menos esclarecidos. Há lá melhor povo para governar, do que um povo manso, obediente, anestesiado e que não faz perguntas!
Porque será que são tão poucos a questionar estes desacertos como o Sr. e outros fazem, e a denunciar e criticar certas medidas absurdas de duvidosa legalidade, os confinamentos excessivos e irracionais sem justificação plausível e a vulgarização dos estados de emergência ?
Uma população exigente e informada é a Força e o Motor da sociedade.
É a Educação, a educaçãozinha que nos torna melhores_ lá dizia o Eça.
(o Sr. poderá, se assim lhe aprouver, dar uma vista de olhos no texto de 2019 de Patrício Gouveia_ eventualmente já o conhece_ onde sumariamente faz uma análise sociológica dos eleitores e de como votam. É de acesso livre.)
https://observador.pt/opiniao/a-analise-sociologica-dos-eleitores/
'é + fácil uma agulha entrar pelo fundo dum camelo'
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ResponderEliminarEste grande laboratório social onde nós e o nosso comportamento colectivo está a ser observado e com uma amostragem em grande escala, naturalmente permitiu ao Dr. Costa tirar algumas conclusões sobre os portugueses. Talvez por isso, umas "ideias" lhe andem a bailar, suponho.
Mas daí a ensaiar uma espécie de ditadura, isso é que era bom, não era, Dr. Costa? Porque é disso que se trata, num estado "liberto de decretos" sem prazo, com suspensão de direitos, garantias e liberdades durante o tempo que quiser o governo.
Não deve ter os portugueses em grande conta, parece...
Muito bom.
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