Ao que me diz uma das minhas irmãs, o título deste post era o que ia repetindo o meu cunhado, pela casa fora, abanando a cabeça, de cada vez que achava que os seus conterrâneos americanos faziam asneiras (na opinião dele, por exemplo, eleger Reagan).
Farto de ouvir argumentar com um suposto dia 28 ou 29 de Janeiro como o pico de casos da covid em Portugal, resolvi perceber de onde vinha uma asneira tão difundida, tão evidentemente errada e tão facilmente verificável.
Bingo!
Vinha da reunião do Infarmed.
A julgar pelas notícias sobre a reunião - nem garanto que sejam exactas, nem fui verificar - André Peralta, da Direcção Geral de Saúde, tinha estabelecido o dia 29 de Janeiro como o pico de casos com base nesta ideia: "O pico da terceira vaga da epidemia de covid-19 foi atingido em Portugal a 29 de janeiro com 1.669 casos cumulativos a 14 dias por 100 mil habitantes".
Não sei o contexto desta afirmação - não fui verificar a gravação que era o que habitualmente faria se estivesse interessado em discutir a afirmação em si, que neste post é meramente instrumental - nem fui verificá-la em pormenor, mas é de meridiana clareza que um factor que depende dos 14 dias anteriores, numa altura de forte subida ou forte descida, anda sempre atrás da realidade. Para usar este parâmetro seria preciso recentrá-lo e calculá-lo usando sete dias para trás e sete dias para a frente, de modo a evitar a inércia que inviabiliza o seu uso para a definição do ponto de inflexão de uma curva, como é um pico.
Até aqui, nada contra, não sei bem o contexto disto e até pode ser que haja alguma racionalidade na afirmação, o que acho espantosa é a quantidade de gente - incluindo jornalistas - que olha para uma curva em que se pode ver, claramente visto, um pico entre 18 e 21 de Janeiro e prefere duvidar de si próprio, daquilo que vê com os seus próprios olhos, trocando-o facilmente pela citação de uma sumidade, mesmo que não a consigam explicar.
O respeitinho é muito bonito e Portugal é um paraíso quem tenha um átomo de poder e autoridade.
ResponderEliminarHenrique, eu acho que neste caso a DGS tem razão. Observe a curva
https://www.google.pt/search?sxsrf=ALeKk01BUwz0s31MTTAgaRon5kM2rjjtKw%3A1613408673200&source=hp&ei=oakqYO2YCqjH5gKyn4TIAw&iflsig=AINFCbYAAAAAYCq3saG7EV1-syJJuC-RXi5qap4Vl-aB&q=covid-19+numbers&oq=&gs_lcp=Cgdnd3Mtd2l6EAEYAjIHCCMQ6gIQJzIHCCMQ6gIQJzIHCCMQ6gIQJzIHCCMQ6gIQJzIHCCMQ6gIQJzIHCCMQ6gIQJzIHCCMQ6gIQJzIHCCMQ6gIQJzIHCCMQ6gIQJzIHCCMQ6gIQJ1AAWABg-h1oAXAAeACAAQCIAQCSAQCYAQCqAQdnd3Mtd2l6sAEK&sclient=gws-wiz
que tem o número de casos em função do dia, e a média dos últimos sete dias. Facilmente verifica que essa média dos últimos sete dias é máxima no dia 28 de janeiro.
É claro que um estudo mais cuidadoso nos levará a colocar o pico um bocado mais cedo, mas o facto é que os dados mais imediatamente visíveis (e fáceis de encontrar na net) confirmam aquilo que foi dito na reunião do Infarmed.
Já agora, António Costa faz as contas da mesma forma e disse-nos que para levantar o confinamento quer ter nos últimos 14 dias um total de 280 (salvo erro) casos por cem mil habitantes, ou seja, 28 mil casos para o total dos 14 dias, ou seja, 2000 casos por dia em média.
Não percebi... olhando para o gráfico de contágios o 28 aparece como o maior número de casos e mesmo pondo a média a 7 dias tb dá 28 como máximo
ResponderEliminarPeço desculpa, li o outro post e entendi- eu estava a ver o Worldmeters e o senhor os dados do Instituto Ricardo Jorge- corrigido.
ResponderEliminarAcredito que a sua perspectiva e hipótese faz todo o sentido e deverá justificar grande parte da evolução do COVID.
ResponderEliminarUma oportunidade de demonstrar isso mesmo pode ser a Grécia que está neste momento a atravessar uma anomalia de frio...
O que acha? Um bom desafio?
Só não consigo perceber o respeitinho às sumidades que já levam 3 bancarrotas no currículum ou cadastro...
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