Cassandra tinha o dom de profetizar e a maldição de ninguém lhe dar ouvidos.
Cientes deste problema, há milénios que os profetas inventaram uma forma de se defender.
Profetizam, por exemplo, que neste Outono/ Inverno, na Europa, vão morrer cinco vezes mais pessoas com covid que no Outono/ Inverno precedente (verificar as profecias da Organização Mundial de Saúde).
A profecia, em si, não parece difícil de cumprir: as doenças respiratórias no hemisfério Norte temperado ocorrem sobretudo no Outono/ Inverno e, da primeira para a segunda época de gripe (e doenças de mesmo tipo), foi montado todo um sistema de teste que, com elevada probabilidade, identificará mais mortos com a doença, que ainda por cima foi tardia na primeira época avaliada.
Conhecendo a maldição de Cassandra, introduz-se uma nuance: a profecia cumprir-se-á se não forem adoptados estas e aquelas condições.
A natureza das condições varia com as épocas, antigamente eram mais prescrições relativas à moral sexual, à impiedade ou ao abandono do culto devido aos deuses a que estavam ligadas as profecias, hoje são coisas com eficácia semelhante, mas mais concretas, como usar máscaras ou horários de abertura e fecho de estabelecimentos comerciais, mas a ideia central é a mesma.
Se a profecia se cumprir, o profeta é o maior.
Se a profecia não se cumprir, por defeito, está demonstrada a eficácia das condições referidas.
Se a profecia não se cumprir, por excesso, basta ir buscar uns exemplos concretos de incumprimento grosseiro das condições (por exemplo, um fim de semana longo de 5 de Outubro em que as famílias se juntaram em casa por causa da chuva, ou outro qualquer à escolha, parece que o Diário de Notícias traz hoje cinco exemplos de reuniões familiares que deram origem a 171 infectados, mas não li a notícia e portanto não sei se ficou alguém doente, admito que sim) para explicar por que razão Sodoma e Gomorra devem ser destruídas e as condições prévias devem ser reforçadas até que os deuses, ou os vírus, se acalmem.
Em qualquer caso, os profetas estão sempre em vantagem em relação a quem se limita a olhar para os factos que conhece de uma natureza complexa, procurando entendê-los racionalmente, sabendo que no fim, só saberá que nada sabe (e ainda se arrisca a ter de beber uma cicuta, produto natural e do mais biológico que há) e, pelo meio, vai com certeza acumular erros sobre erros, como é próprio dos processos de aprendizagem.
A quem interessa ouvir Descartes quando há Cassandra, a mais bonita das filhas do último rei de Tróia e amada pelos deuses?
não consigo colocar em ordenadas e abcissas os profetas e cassandra
ResponderEliminara mitologia moderna é fascinante , sobretudo porque não se aceita como mitologia , acha-se o supra sumo da cientificidade.
ResponderEliminararrifes
ResponderEliminar« faixa desbastada de terreno (em mata, floresta, etc.), geralmente mais estreita que um aceiro e feita em articulação com aquele, usada para facilitar a circulação e para dificultar a propagação de incêndios
ar-rīf
Fazer previsões é sempre difícil, especialmente se se tratar do futuro (provérbio dinamarquês).
ResponderEliminarÉ por isso que aprecio tanto profecias e previsões. E quando elas se baseiam em gloriosos modelos matemáticos recheados de suposições e sem terem passado pela fase de validação contra dados experimentais ou de campo, gosto ainda mais.
Então aquelas previsões do Colégio das Imperiais, da autoria do Prof. Fergus Karamba Filho, mostraram-se literalmente de morte. Lá para as bandas da Suécia morreram para cima de 85 000, como ele previa, porque ninguém os confinou, já morreram outros tantos por não usarem máscara e o dobro disso vai morrer porque não há nehuma app a violar-lhes a privacidade que os salve.
E o que nos diz este último artigo científico? Algo como isto:
E também:
Portanto, vamos morrer todos. Mais cedo ou mais tarde. E esta é a minha profecia.
Será que as previsões Outono/Inverno da DGS se referem às novas máscaras a fazer pandã com com a roupa das senhoras, ou com o cinto e os sapatos nos homens?
ResponderEliminarOra que grande resposta.
ResponderEliminarA cientoinice é isso mesmo. Nem sabem do que falam, mas palram de mais e têm crenças em tretas que nem chegam a criancices de Disneylandia.
ResponderEliminarAguardemos o que os deuses nos reservam e se Cassandra, desta vez, desacerta ...
E descendo às coisas triviais, mas não menos dignas de respeito e deferência:
Refiro-me, evidentemente, à clarividência e ao discernimento do nosso 1º Ministro que vem reforçar _ com a eficiência que se lhe conhece _ essas tais condições prévias : prescrevendo um bom "abanão". São as novas descobertas do "tempo novo"!
E haverá maior cientificidade do que um "abanão" à la Coste?
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