"Here we demonstrate that individual variation in susceptibility or exposure (connectivity) accelerates the acquisition of immunity in populations. More susceptible and more connected individuals have a higher propensity to be infected and thus are likely to become immune earlier.
Due to this selective immunisation, heterogeneous populations require less infections to cross their herd immunity thresholds than homogeneous (or not sufficiently heterogeneous) models would suggest.
We integrate continuous distributions of susceptibility or connectivity in otherwise basic epidemic models for COVID-19 and show that as the coefficient of variation increases from 0 to 4, the herd immunity threshold declines from over 60% to less than 10%.
Measures of individual variation are urgently needed to narrow the estimated ranges of herd immunity thresholds and plan accordingly."
A partir desta entrevista no Observador, e com ajuda de Carlos Duarte, cheguei a este estudo de que retirei os parágrafos anteriores.
Não percebo o suficiente do assunto para avaliar a solidez do que é dito, o que queria assinalar é a existência de um modelo matemático que não trata as sociedades e os indivíduos como uma massa homogénea.
Sem surpresa, ao fazer isto, este modelo chega a resultados substancialmente diferentes dos outros, por acaso muito mais próximos do que tem sido dito por vários epidemiologistas mais experientes e que passaram já por vários surtos.
"O tempo, esse grande escultor".
Agora descobriram, que na Suécia, sem confinamento, não aconteceu a mortandade que toda a gente dizia que ia acontecer. Aliás, os números nem são muito diferentes dos países com confinamento.
ResponderEliminarTiveram que ter muita coragem para continuar com a estratégia inicial, apesar de todas as ameaças.
Então agora já gosta dos modelos? A sua coerência é extraordinária.
ResponderEliminarbem, de acordo com a autora: "
ResponderEliminarMarguerite Yourcenar
ResponderEliminara vida curta e a constante mutação recebe a designação de nuvem
o Henrique tem um stalker obsessivo compulsivo à perna...vai ter de pedir uma ordem de restrição
ResponderEliminarSegundo a entrevistada referida no post, em relação a alguns virus, há pessoas que são desde muito sensíveis até totalmente resistentes. Do ponto de vista epidemiológico, em que é que isto difere do que acontece se houver uma vacina, p.ex. no caso da gripe?
ResponderEliminarSe for semelhante, então porque é que a epidemia de covid tem uma amplitude muito maior do que as de gripe? Em que é que as duas doenças diferem para darem origem a epidemias tão diferentes?
Há dois tipos de modelos: os que reproduzem bem os resultados da experiência, e aqueles que não os reproduzem. Nós devemos gostar dos primeiros e não gostar dos segundos.
ResponderEliminarEm ciências da natureza, a experiência é sempre rainha. A matemática não é mais que uma auxiliar que ajuda a modelar aquilo que se observa experimentalmente.
Esta previsão da autora não é justificada pelo modelo dela. É apenas algo que ela crê que aconteceria. É uma mera crença dela.
ResponderEliminarÉ que, o modelo a autora trata os indivíduos como distintos, mas não trata as condições ecológicas e meteorolágicas como distintas. As condições ecológicas e meteorológicas atuais não são idênticas às de há dois meses.
Pois. Mas este é um caso em que se gosta mais dos modelos que sustentam as nossas ideias. De resto, não deve ter lido o artigo. O que eles dizem é que o percentagem mínima que assegura a imunidade de grupo baixa relativamente à da fórmula clássica 1-1/R0 quando se considera a heterogeneidade na população na susceptibilidade à infecção. Mas frisam que não se mediu ainda a heterogeneidade na população a este vírus. Eles não sabem se bastam 10-15%, dizem claramente que é preciso estimar a heterogeneidade. É essa a mensagem do paper. O resto é spin. Aliás, há décadas que se fazem modelos incluindo heterogeneidade na população (ao contrário do que se vai lendo por aqui, mas adiante) e nem por isso se deixou de usar a forma clássica como referência.
ResponderEliminarfrisam que não se mediu ainda a heterogeneidade na população a este vírus
ResponderEliminarE R0, já se mediu?
Eu questiono (eremita parece saber deste assunto, portanto deve poder esclarecer-me) como é que estas grandezas são medidas. Creio que não será propriamente com instrumentos rigorosos, tipo uma régua ou uma balança. Creio que a "medição" destas grandezas envolve, ela mesma, muitas suposições teóricas, mais ou menos questionáveis.
é preciso estimar a heterogeneidade
ResponderEliminarPortanto, a heterogeneidade não se mede: estima-se. Portanto, estar-se-á ao mesmo tempo a testar um modelo e a medir (ou "estimar") uma grandeza que nele entra.
há décadas que se fazem modelos incluindo heterogeneidade na população
ResponderEliminarQuer eremita dizer que este estudo é, de alguma forma, um plágio? Que ele nada contém de novo?
nem por isso se deixou de usar a forma clássica como referência
Quer dizer, usa-se uma fórmula porque ela é mais simples e mais intuitiva, embora sabendo que ela pode dar um resultado grosseiramente errado? Acho isso um procedimento muito peculiar, em ciência...
O que me chocou na entrevista foi a convicção de que, com um modelo muito mais elaborado, se consegue chegar a previsões mais próximas do que virá a ser a realidade.
ResponderEliminarQualquer modelo precisa de que sejam definidos os valores dos parâmetros que o ajustam a cada caso concreto (haverá diferentes parâmetros para diferentes epidemias). No caso da covid tudo é novo e os dados estatísticos conhecidos até à data são tão inconsistentes que não permitem definir os parâmetros do modelo com um mínimo de fiabilidade. O resultado (a previsão) pode ser um disparate. E não é um modelo mais sofisticado que vai impedir isso.
Ninguém precisa de um Ferrari para circular numa estrada florestal. Um 2CV chega e é mais adequado.
Na verdade, a epidemiologia não é a minha área, tenho apenas lido sobre o assunto. Esta introdução ao tema é boa:
ResponderEliminarhttps://www.cebm.net/covid-19/when-will-it-be-over-an-introduction-to-viral-reproduction-numbers-r0-and-re/
No caso do SARS-Cov-2, há várias estimativas do R0 e há sempre matemática, mas é preciso alimentar as estimativas com dados empíricos recolhidos na fase inicial da epidemia, quando ainda não há imunidade. Aqui fazem um apanhado:
https://watermark.silverchair.com/taaa021.pdf?token=AQECAHi208BE49Ooan9kkhW_Ercy7Dm3ZL_9Cf3qfKAc485ysgAAAoUwggKBBgkqhkiG9w0BBwagggJyMIICbgIBADCCAmcGCSqGSIb3DQEHATAeBglghkgBZQMEAS4wEQQMpiXfgkm0rDkoTZ3vAgEQgIICOP3lINXtFTNOX8K2jWwVjjJv6oZJufRpSIvBIbwToVDlvTyz2lAaojF5kF8MTMF3iFqqr6tKaWPqnf6ssxOrkpu2duRAKK1slL43lcI1QAglilOSw-FEUTT8kMwF3fwdM_irdElQbLwpfRMiZMhm9w43Cn0_7Jyhwa58C7FD8_rPBpF2_QFQtBNObl1j1uwaoKeRa0d8h46mYaBJZwdQv7-ypLLewBkzsXtZZPOi6OB6XrC6talW5l_gPBj7SHBLxw_0RjsdwcNOIGRhW-T9bOwENI600G7w7jgNM6n43gyikS0Yg5wsDTJylh9ZA6Ze6uzrh007UzIYgviXek5YZjfp4Ahd5_VfErEXzNgAvvZqV8NZYTd5xCq_5TktWwwqZO4oT8JYHjauE-t--ZQ1kg-S2YNo6GuLZqJiFMaC0_8H5xdDKiB3eSt2wWUGXoaJpk0vCu64isnn_-8dVhJHoqcsaSRN4wA4iFu9gFmfockuYXF9k5PH8AqyYQKI_ci5CMcC1wNhABSfELPgkeasbA4gf9_Ce8ZtiXXwtMxc6TbUvvTTYlDVcag95arr1m76G6Pq8ZM3UP0R_aPzJMPioogDCFN6qsXk31hpxFJM5nfUJ_NRhdLESI1mxsi48E2QHIzw0Qmggtf1UmPA8XdNmGqdHWIvZP2u7sh9kndzOITNUxF4ZREa5TpqpKaB_IB86INXHFDWjSXgChpaZkw7AYTcouP8pDE7N_WmAGzdgLBdayd4x2AyT_g
Não quero dizer nada disso. Respeito muitos os autores e até sou amigo de um.
ResponderEliminarHá muitas formas de abordar a heterogeneidade na população. Neste caso, creio que eles usam um modelo original, já por eles aplicado a outras doenças. É uma prática comum e seria absurdo descrever o manuscrito como um plágio.
É muito difícil medir a heterogeneidade da população. A fórmula clássica pode sobrestimar, mas é mais prudente sobrestimar do que subestimar.
A única coisa "peculiar" é o tempo que estamos a viver, isto é, a atenção que estudos divulgados antes da revisão por pares, altamente técnicos e muitas vezes marginais (não estou a dizer que é o caso) recebem da imprensa e a forma como são depois comentados pelos cidadãos sem qualquer juízo crítico, apenas como munição.
é mais prudente sobrestimar do que subestimar
ResponderEliminarDepende. Se o nosso objetivo, único e total, fôr controlar a epidemia, então mais vale sobrestimar a epidemia do que subestimá-la. Se, pelo contrário, tivermos - como deveríamos, desde o início, ter tido - dois objetivos distintos e contraditórios - controlar a epidemia E manter a economia e a sociedade a funcionar - então sobrestimar a epidemia conduzir-nos-á a erros grosseiros, como os que a generalidade dos governos europeus têm cometido.
Não vou entrar na mesma discussão pela enésima vez. Não conheço nenhuma instituição que diga haver imunidade de grupo com 10-15% de imunização. Não foi preciso ir abaixo de 10-15% de imunidade para se ter assistido (por causa dos movimentos anti-vacinação) ao regresso de doenças que estavam controladas (salvo erro, andou-se sempre bem acima de 50%). Basear uma política de saúde pública num trabalho teórico que apenas diz que a percentagem de seropositivos que assegura a imunidade de grupo baixa quanto maior for a heterogeneidade, não se conhecendo a heterogeneidade, seria uma completa irresponsabilidade. Se isto não é evidente...
ResponderEliminarPira-te daqui, Dave. Volta imediatamente para o laboratório! Não te esqueças da máscara...
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