Pouco tempo depois das presidenciais fui convidado para almoçar por um senhor Inglês, um gentleman que gosta muito do nosso país e que passa o ano entre Chelsea e Lisboa, que me recebeu com elegância e enorme simpatia no Círculo Eça de Queiroz de que é associado com um seu amigo compatriota, ambos muito conhecedores da história de Portugal e da nossa realidade politica. A determinada altura perguntei-lhes o que achavam do nosso regime semipresidencialista, ao que o meu anfitrião respondeu com uma gargalhada e a olhar para a mesa ainda cheia de iguarias: “We don’t like «regimes», João – do you?!”, tendo rematado depois, não disfarçando alguma vaidade “That’s why we still have our Queen!”.
Nessa altura algo que sempre soubera se me tornou clarividente e não evitei um sentimento de tristeza e de uma certa inveja. Acontece que os ingleses, que inventaram a democracia desenvolveram ao longo dos últimos séculos um sistema de poder tanto quanto possível disseminado, filtrado e orgânico – ainda hoje cabe aos tribunais comuns a criação de leis, por exemplo – puderam conservar a monarquia porque souberam escapar à tentação dos “regimes”, no sentido dum sistema demasiado ortopédico, opressivo (para isso já têm o fog e o frio). Enfim, como eu passo a vida a repetir, "temos aquilo que merecemos".
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Nós gostamos de "regimes"
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
No centenário da "Revolução Nacional"
Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...
Exacto. Em causa estão os regimes políticos.
ResponderEliminarUm regime eleitoral, e subsequênte controlo pos eleitoral, que permite a Madame #1 Europa levar um ano a reconhecer a tremenda asneira em que a meteram -a ela e aos seus "minions", aos incautos povos europeus- no caso do convite feito a milhões de muçulmanos para que venham usufruir dos impostos dos europeus que trabalham.
Um outro regime político que permite ao Cavalheiro #1 dos EUA enviar uns largos milhões de dolares do contribuinte (americano) num resgate, sem certificação das outras Câmaras eleitas -afirmando publicamente, a pé juntos, ao seu eleitorado que não é um resgate- "resgate" esse que terá consequências dramaticas previsíveis para o futuro.
PS- Em Portugal um anedótico regime político -com um Presidente sem poder de gestão eleito directamente, e um PM com os poderes de cobrar impostos e gastá-los a gosto, eleito e controlado apenas pelos seus amigos- que vigora há 40 anos a, consistentemente, endividar o País com incontroladas despesas públicas e empréstimos impossíveis de saldar ...
"... and they lived happily ever after." Referência: consultar Histórias da Carochinha.
Pois gostamos... basta estudar o básico da história de Portugal para se chegar a essa conclusão muito desconfortável.
ResponderEliminarAnedótico é este comentário, Portugal é um regime republicano e democrático.
ResponderEliminarUm país que avança. em que os direitos, a igualdade e a consciência social, apesar do psd e do cds, estão a progredir, desde o SNS à Escola Pública, ao combate à analfabetização e ao fechamento a que o Estado Novo nos condenou durante aquelas décadas de trevas. Trevas essas que se aproximaram de novo com a paf a desgraçar os portugueses e a levar direitos adquiridos em muitas lutas, pela dignidade, pela felicidade das pessoas! Querem pôr outra vez o país a pão e àgua, mas não vão conseguir, porque temos uma maioria estável e com consciência social.
Complexo vira-lata à portuguesa.
ResponderEliminarCarlão, o regime pode chamar-se situacionismo, a qualidade mais relevante são os direitos adquiridos pelos instalados, a obrigar á exploração de todos ou outros, especialmente dos mais novos. Totalmente íniquo.
ResponderEliminartemos aquilo que emrecemos de facto. agora pergunte-se porque é que o seu amigo inglês gosta tanto de portugal...
ResponderEliminar