segunda-feira, 4 de julho de 2016

Da invisibilidade selectiva

Decapitado. Com as mãos cortadas. Antes estivera sequestrado. Mas não, ninguém se sentiu Carlos Gouveia, era assim que se chamava este português de 42 anos, assassinado e mutilado pelos seus sequestradores. Ninguém escreveu no facebook “Je suis Carlos Gouveia”. Nem sequer o facto de as autoridades da Venezuela, país onde Carlos Gouveia estava emigrado, terem enterrado secretamente o seu cadáver suscitou qualquer indignação ou solidariedade com a sua família. Não houve velas na porta da embaixada da Venezuela, não houve petições, não houve praticamente notícias.


E contudo, nos dias em que acontecia o calvário de Carlos Gouveia, não faltaram indignações e comoções em Portugal. Com gatinhos abandonados. Com o facto de existirem matadouros, touradas e pais que mostram os filhos no Facebook. Ou que não mostram os filhos. Com o machismo, o micromachismo, o problema das casas de banho para os transgender e as máquinas de venda automática de comida. Ler Mais»»»

2 comentários:

  1. O texto de autocrítica muito valioso.
    O jornalista da próxima vez em vez de andar a reboque a comentar as notícias internacionais pode passar a dar as notícias em primeira mão. É para isso que serve os jornalistas, não para se indignarem por os outros não terem feito campanhas.

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  2. Sabemos como a memória da "malta" é selectiva; sabemos como as "causas" da malta não são causas, mas antes fibrilhações mentais.
    Por isso, a pergunta é:
    E, NÓS, HOMENS ÀS DIREITAS, O QUE FIZEMOS?

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