Anda aí uma espécie de polícia de costumes nas redes sociais a cobrar aos outros (sempre aos outros) solidariedade para com os gays de Orlando - exigem-nos a todos a exibição duma bandeira do arco-íris. Eu nunca fui Charlie de nada nem de ninguém e só Deus conhece e pode julgar a minha compaixão pelas pessoas que sofrem. E recuso-me a catalogar as pessoas pela sua orientação sexual. Se tenho orgulho em empunhar a bandeira duma civilização tolerante e solidária, a do arco-iris não é minha, com todo o respeito.
Tomemos o exemplo de um comunista e um católico que são assassinados num campo de concentração: perante o hediondo acto, aquilo que cada um pensa sobre a solução dos problemas do mundo perde qulaquer relevância, não quero saber mais da vida de um que da vida de outro. E se isso não acontecer tal deveria fazer-nos pensar (uma coisa que não abunda nas redes sociais). O aproveitamento desta tragédia para se marcar pontos na agenda gay é desfocar a questão do essencial.
Insisto: o meu profundo incomodo e consequente compaixão tem origem na comunhão que sinto com as vítimas que são pessoas como eu. Esse é o (enorme) chão comum que pisamos. É nesse ponto fulcral - como seres humanos que somos - onde podemos encontrar e unir todos. E no repúdio aos fanáticos islâmicos, de que ninguém está a salvo. O resto são flores.
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Orlando
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Não foi capaz de ser solidário com as vítimas sem ressalvas e mais ainda sem vir culpar os outros por estas suas ressalvas. Mas de católicos que são monarquicos, ou seja, idólatras, o que esperar senão estas contradições entre a conversa da compaixão e o seu real?
ResponderEliminarEu também nunca fui charlie de causa nenhuma... E não sei qual o ponto fulcral em que os seres-humanos se podem encontrar; enfim, diria que em nenhum. Mas sinto que devo solidariedade aos gays de Orlando que se encontravam no local errado, à hora errada. Sei ainda que a sua reticência inicial se deve ao facto de acreditar num deus, pois isso leva-o a considerar gays como seres doentes, não conformes para com a vida como ela deve ser; tal como os que acreditam no deus do tipo que os matou; só que a si não lhe dá para a violência, como de resto à maioria dos que acreditam e não acreditam em deuses. O absurdo é que nenhum desses deuses existe - o mal, tal como o bem, são hipóteses que habitam somente no coração dos humanos.
ResponderEliminarNão percebi nada do que se pretende com o post. Mas alguém lhe pediu alguma coisa, João Távora? Já agora, para que saiba, aquelas pessoas foram massacradas em Orlando, por serem gays. O resto são flores e o João Távora faz aí um lindo jardim florido.
ResponderEliminarE os desgraçados que foram assassinados no Bataclan? Foram mortos porque eram heterossexuais? Sejam homo, hetero, trans, poliamorosos, o que quiserem, mas não sejam ridículos.
ResponderEliminarOs do Bataclan não foram mortos por serem homossexuais, os de Orlando, sim. Qual é o problema que tem em reconhecer isto?
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ResponderEliminarTanta conversa. Uns foram mortos porque eram homossexuais (Orlando), outros porque eram Ocidentais e se divertiam (Paris), outros porque eram de esquerda (Charlie Hebdo), etc. Todas estas coisas e muitas outras são condenadas pelo Islão radical, custa muito entender isso, ou só temos "pena" de uns e já achamos que a morte de outros é bem feita?
Você é mais um dos que não quer ouvir falar em gays e em outras coisas das quais não gosta, escusa é de ser tacanho, recusando que o terrorismo islâmico também visa os homossexuais, porque só lhe fica mal.
Concordo. Se não se querem solidarizar com os mortos de Orlando só porque eram gays, não se solidarizem. Olha a falta.
ResponderEliminarNão tenho que aceitar uma afirmação imbecil e é esse o ponto. A questão não está nas preferências das vítimas, mas mas crenças dos assassinos. A ver se deixam de ser ridículos e coitadinhos cheios de ódio :-)
ResponderEliminarÓ homem, o tipo matou aquelas pessoas por serem gays. A crença do assassino é que o homossexualismo é um pecado. É também por isso que no Irão, por exemplo, executam os homossexuais.
ResponderEliminarE as crenças dos assassinos visam liquidar quem eles odeiam. As pessoas no Pulse não foram assassinadas por serem maioritariamente latino-americanas, mas por serem LGBT. Percebeu finalmente, ou ainda não?
ResponderEliminarSim, claro, e o assassino matou porque era gay.
ResponderEliminarNão, matou porque odiava gays. Você é burro?
ResponderEliminardito dessa forma, o problema está no islão, e portanto será religioso. Para a próxima poderiam ser cristãos. Mas isso já acontece todos os dias.
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ResponderEliminarJulgo que o autor quis dizer exactamente isso:
crime de ódio.
Também julgo que quis dizer que reduzir o problema aos homossexuais é pretender dizer que a sociedade é intolerante. E o problema neste caso não é esse.
julgo que fui claro. era preciso ler o comentário até ao fim. Não deturpe.
ResponderEliminar«tal fazer pensar...»
ResponderEliminarJoão Távora, é natural. Todos temos dias maus. Mas esta é de cabo-de-esquadra. Creio que nem no AO...