terça-feira, 1 de março de 2016

Deus os perdoe

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A propósito da "conquista enorme da adopção crianças por casais gay", o Bloco de Esquerda engendrou uma paródia de mau gosto com a imagem do Sagrado Coração de Jesus. É perturbador reconhecer que esta estética tem a adesão duma burguesia urbana e niilista (que não sabe que é) profundamente ignorante. No fim como consolo oferecem-lhes a eutanásia. Trata-se de um discurso ancorado no ódio e no preconceito, que visa a fractura social. Acontece que, com uma taxa de divórcios acima dos 70%, um inverno demográfico de consequências incalculáveis, as pequenas comunidades e o modelo de família natural em acelerado processo de extinção, a sociedade caminha para uma atomização sem precedentes. As pessoas isoladas e desprotegidas, sem sólidas pertenças comunitárias, estarão cada vez mais expostas aos caprichos dum monstruoso poder central – menos livres. Este fenómeno não é independente do empenho colocado na laicização da sociedade, da religião sitiada na esfera do privado, e a sua prática na condição de subcultura marginal. Inquietam-me os festejos destes bárbaros alucinados à volta dum incêndio que a cada dia arruína mais os alicerces daquela que se foi tornando a nossa casa comum ao longo dos séculos.


 


Publicado originalmente no Diário Económico

4 comentários:

  1. vivi 10 anos deste séc. na Áustria, com excepção dos invernos.
    os migrantes têm destruido um país civilizado em todos os aspectos.
    o rectângulo vive presentemente um processo de auto-destruição acelerada em todos os campos.  votei no entretainer para PR
    a curva sinusoidal civilizacional mostra que a uma acção corresponde uma reacção
    'enquanto houver alguém com um pão, a revolução continua'
      

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  2. João Távora, a verdade incomoda, as pessoas preferem a ilusão.

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  3. Um bom artigo! O bloco é um partido muito preconceituoso.

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  4. O cartaz é de uma extrema falta de gosto. Já  o silêncio da hierarquia da igreja católica portuguesa, sobre o assunto do casamento e da adopção gay, é asqueroso.

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