Desgosta-me muito e desinteresso-me da política por estes dias em que os reaccionários recuperaram o poder, desconstruindo à golpada todas as convenções em que se foi fundando a nossa jovem democracia. As convenções que afinal deveriam ser preservadas e respeitadas como regras de uma constituição não escrita, emanada da da experiência e aplicada para o bem (mesmo) comum. Não é só o recuo das (poucas) difíceis reformas instituídas pelo governo do resgate, em favor das mais poderosas corporações que teimam bloquear o mérito e a exigência como valores cruciais, mas a estética revolucionária e desconstrutiva com que teremos de conviver impotentes, que esse é o preço que os socialistas pagam aos seus parceiros para aplicarem mais “austeridade”, tolerada agora como virtuoso "rigor". A semântica é uma batata. É tempo da comunicação social assobiar para o lado, para as ameaças da ascensão das extremas-direitas na Europa ou do fenomenal papão Donald Trump nas eleições americanas. Por cá o regime foi devolvido aos seus donos e a nova oposição está condenada a uma longa noite assombrada pelos seus esqueletos nos armários. Ou de crescimento e reconstrução.
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Quais esqueletos nos armários?
ResponderEliminarAcho que a esquerda ainda não interiorizou o que é viver sob o Tratado Orçamental, mas vai perceber rapidamente. Por um lado, poupa-nos outra bancarrota como a de 2011, mas por outro somos logo projectados para os "penalties".
Isto vai ter um de dois efeitos: ou arrasa o PS, ou arruina a extrema-esquerda. Só depois pode Portugal evoluir para além da III República, que é quando interessa ao centro-direita voltar a governar. Antes disso, com esta Constituição e com o Tratado Orçamental é preferível ser a esquerda a bater com os cornos na parede, porque é a esquerda que está a bloquear a reforma do país.