sábado, 5 de dezembro de 2015

É preciso acreditar

(...) O Natal tem, no entanto, uma verdade essencial. E essa verdade é tragicamente ilustrativa da condição humana. Se o facto de o Filho de Deus não ter vindo ao mundo num esplendoroso palácio (mas sim na palha de um estábulo) sugere a mais requintada das verdades poéticas, já o massacre dos inocentes ordenado por Herodes faz soar uma nota amargamente realista, visto que genocídios e massacres pautam desde sempre a história da humanidade. Deus decidiu vir ao mundo? Então o mundo é isto: um local de onde um bebé recém-nascido não só não tem  abrigo condigno como está na iminência de ser morto à nascença. Mais tarde, nesse Menino já crescido, cuspir-lhe-ão a roupa, fustigá-lo-ão. Este Deus não veio ao mundo para ser recebido como Deus, mas como um marginal, um criminoso, um "pobre de Cristo". Nesta mais extraordinária de todas as ideias (lindíssima, sim) é possível - e preciso - acreditar. 


A ler na integra Frederico Lourenço na Revista do Expresso de hoje.

1 comentário:

  1. na África do Sul os indianos, na época de Gandhi, eram considerados 'castanhos', ou seja nem brancos nem pretos.
    actualmente tudo se resume a preto e branco. desapareceram as situações intermédias: ou fascista ou social-fascista.
    digo isto porque o Natal de Cristo, não o das compras, pinheiros e iluminações, destina-se a fascistas.
    a manjedoura das vacas e burros da política passou a ser o local onde abocanham tudo e todos
    onde não se fomenta Leben und Werk ocorre a paupertas mundi

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