De repente toda a gente se esqueceu que o regime é semi-presidencialista.
Quer no funcionamento. Quer na legitimidade democrática. Deputados, através dos partidos, e Presidente da Republica têm de atingir um nível de entendimento pelo menos tácito para a nomeação do PM - para isso é que servem as audições aos partidos -, pressupondo que os partidos, através dos seus deputados vão deixar passar o governo. Isto envolve uma coisa que não está escrita na Constituição: Sentido de Estado.
Se o PR não consegue esse nível tácito prévio e impõe um PM que aos deputados só resta rejeitar, isso não significa que os Deputados poderão ter a veleidade de impor ao PR um outro PM alternativo em resposta vingativa sem a concordância prévia, pelo menos tácita, do PR.
Porque o entendimento tácito funciona nos dois sentidos. E apura-se através de sinais, mesmo quando não há declarações expressas.
É necessário o acordo de ambos os dois - como diria o outro.
A legitimidade democrática é, pelo menos, de igual intensidade - ambos, deputados e PR são eleitos por voto directo. Aliás, os teóricos destas coisas até entendem que a maior legitimidade democrática é a do Presidente por ser unipessoal, universal e directa. E Funcional, devido ao facto do PR estar colocado no topo da hierarquia. É o último elo da cadeia de poder. Por muito que custe ás guinchadoras, a legitimidade democratica e funcional delas é menor. E a educação também, como é manifesto.
Ademais, a legitimidade politica do acordo de coligação da esquerda nem servia para um aluno do primeiro ano de ciencia politica. Aquilo é igual a nada. Como a questão da TAP começou imediatamente a demonstrar. O PCP já apanhou o PS com as calças na mão.
(Obviamente que o PS sempre concordou com a privatização da TAP, vai dizendo umas coisas de esquerda só porque sim, só para fazer o seu papel. Quanto muito há pessoas dentro do PS que gostariam de ter sido elas a fazer a privatização apenas por causas das fotocópias.)
E do ponto de vista pessoal, Partidos politicos, dirigentes politicos que há dez anos têm andado a insultar institucionalmente a presidencia da republica dirigindo insultos pessoais ao Presidente, pondo em causa a dignidade pessoal, as faculdades intelectuais e mentais, tratando-o de atrasado mental para baixo, dirigentes que no entusiasmo das manifestações atingem com insultos a família do Presidente, esperam agora tratamento de favor ?
Aquilo que Mario Nogueira e restantes parasitas - porque não lhes é conhecido trabalho certo - fizeram a Cavaco em certo 10 de Junho está na memória de muita gente. E na de Cavaco também. Era o que faltava Cavaco dar posse ao governo de Costa para reverter as privatizações em curso que só serviriam para atrasar o país com o único efeito útil de garantir o tacho aos amigos do senhor Mário Nogueira.
Cavaco não vai permitir o Reviralho.
Ademais, Cavaco só é politicamente responsável até ao fim do seu mandato. Sabemos que Sampaio não fez isso. Teve o cuidado de largar o poder deixando um psicopata ladrão no poder. Mas Cavaco só tem que gerir o País até ao final do seu período. O novo Presidente que resolva a crise. Aliás, as eleições presidenciais ficam muito mais claras: cada candidato tem que esclarecer como pretende resolver o impasse institucional. (até o Prof Marcelo vai ser obrigado a assumir uma posição e deixar de andar a passar pelos intervalos da chuva).
Daí que para desgosto das Esquerdas e de Passos Coelho, vamos ficar com um governo em duodécimos, o que tem a vantagem de controlar os danos norçamentais.
Eu fico com o desgosto de levar com o ministro dos sacos de plasticos e aquele novo das cheias. Pessoalmente serão pessoas amabilíssimas, não sei, não conheço, mas na TV estão tremendamente longe de resultar. Cá em casa mudamos de canal.
Pena são os 207 mil empregos que o Costa ia criar.
Da caixa de comentários
Ass.: Carneiro
ResponderEliminarExcelente comentário!
O Cavaco não tem culpa que o PS só tenha lixo. Como ele não deve ter pressa em dar posse a porcaria, acho bem que pelo menos faça os xuxas esperarem sentadinhos. Para cabrão, cabrão e meio. O país REAL agradece. E haver eleições, para que os portugueses possam exprimir o que acham disto tudo, era de facto a melhor solução. Ou alguém tem medo? Até a Grécia consegue fazer eleições de um mês para o outro. Logisticamente não haveria problema, ou somos algum país do terceiro mundo? Em termos constitucionais estamos a par da Venezuela, mas espera que seja só nesse ponto.
temos de estar preparados pera internamento em
ResponderEliminarHOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS
GULAGS
Alguns remoques:
ResponderEliminar- Sampaio não deixou um psicopata ladrão no poder, foram 45% dos votantes portugueses;
- O facto da maioria de esquerda ser mais lata e volúvel que a maioria de direita, nada diz sobre a qualidade da mesma, pois sempre me ensinaram que é na diferença que se constroi e não no aquiescer contínuo;
- A democracia a funcionar não é certamente o que pretende o PàF, que a vê de acordo com a conveniência e a tradição que lhe é, passe o pleonasmo, absolutamente conveniente; a maioria não é obrigada a dizer sim politicamente à minoria (excepto para defender socialmente e eticamente as minorias - o que não está de modo algum em causa, pois falamos de um parlamento eleito e dos seus efeitos e intervenção politicos(a));
- Cavaco pode decidir, e tem margem, mas em rigor foi ele que se meteu nesta alhada; pois tivesse convocado eleições para, por exemplo, junho e não estariamos a viver o que estamos a viver.
- A sua direita não é melhor nem pior que a esquerda ou do que a minha individualidade consciente e responsável; garante-me que pensaria igual, caso fosse a direita a pretender exercer a sua maioria não vencedora? Sabe que não me-lo pode garantir, e para isso basta ler o seu post de ontem, onde eviscera contra a esquerda usando os seus filhos como arma (golpe baixo!).
J. T. afirma "... - ambos, deputados e PR são eleitos por voto directo....".
ResponderEliminarQue o PR é eleito "por voto directo", está fora de duvida. Em Portugal a representatividade de um PR , a sua força política, é indiscutível. É a única instituição que pode reclamar essa legitimidade.
Quanto aos deputados serem "eleitos por voto directo" PERMITA-ME que levante sérias dúvidas à sua afirmação.
Que se saiba haverá internamente nos partidos eleições, ou nomeações discricionárias, não fiscalizadas por entidade independente, das quais resultam as "listas" que os partidos anunciam como sendo os seus candidatos a deputados na AR.
Elegem-se sim, em boletim de voto, "sacos de candidatos a deputados". Ainda por cima futuramente sujeitos a disciplina de voto em certas votações.....
Se durante certas votações se atribui representatividade democrática a uma qualquer "maiorias aritméticas ", sujeita a disciplina de voto, estamos perante uma liberdade poética, uma falácia, um flagrante, elementar, erro de análise que infelizmente perdura à 40 anos. Marionetes não são personagem individualmente responsabilizáveis pelo que não represem ninguém além do seu "puppet master".
Uma sua soma aritmética de alguns deputados representa apenas essa soma aritmética de alguns deputados.
Mal ou bem houve apenas obviamente um DIRECTAMENTE votado "saco de gatos" vencedor de estas eleições para a AR.
Muito bem!
ResponderEliminarExplicadinho sem faltar nada.
ResponderEliminarNa mouche!
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