Ao contrário das mais antigas democracias europeias, a arquitectura da república portuguesa está edificada para favorecer a conflitualidade entre instituições.
Não só as prerrogativas do “semi-presidente” da facção triunfante o convidam ao choque com o Parlamento (a sua dissolução, no limite), como o sistema eleitoral saído da nossa última revolução não favorece as maiorias, pelo contrário, promove a instabilidade política. Perante o impopular ajustamento económico que inevitavelmente se vai prolongar pela próxima legislatura, o quadro pode tornar-se verdadeiramente aterrador: imagine-se que à eleição de um governo minoritário e à proverbial incapacidade dos grandes partidos gerarem consensos, se junta um presidente lírico e “interventivo”. Para evitar uma tempestade perfeita que nos atire para uma sequela de mau gosto da tragédia grega, resta-nos confiar na sabedoria dos portugueses que várias vezes já nos surpreendeu com improváveis maiorias absolutas. Só assim se evitará o caos duma legislatura com os políticos às turras, mais preocupados com vantagens imediatas para as suas tribos que com o interesse público.
Publicado originalmente no Diário Económico
Uma maioria absoluta,mas que nao seja do PS.
ResponderEliminarAi
ResponderEliminarque isto de apelar ao voto agitando fantasmas não fica mesmo nada bem
até parece que o PS é o MRPP ou o partido da dona Carmelinda
isso sim, metia medo
agora uma vitória do PS? um partido democrático, de centro-esquerda, do arco da governação, fundamental a impedir uma ditadura comunista em Portugal e a integrar-nos na CEE?
Miguel Relvas, Acordo Ortográfico, 0 fundações e observatórios fechados.
ResponderEliminarImpossível votar neste governo.