segunda-feira, 20 de julho de 2015

A tempestade perfeita



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Ao contrário das mais antigas democracias europeias, a arquitectura da república portuguesa está edificada para favorecer a conflitualidade entre instituições.






Não só as prerrogativas do “semi-presidente” da facção triunfante o convidam ao choque com o Parlamento (a sua dissolução, no limite), como o sistema eleitoral saído da nossa última revolução não favorece as maiorias, pelo contrário, promove a instabilidade política. Perante o impopular ajustamento económico que inevitavelmente se vai prolongar pela próxima legislatura, o quadro pode tornar-se verdadeiramente aterrador: imagine-se que à eleição de um governo minoritário e à proverbial incapacidade dos grandes partidos gerarem consensos, se junta um presidente lírico e “interventivo”. Para evitar uma tempestade perfeita que nos atire para uma sequela de mau gosto da tragédia grega, resta-nos confiar na sabedoria dos portugueses que várias vezes já nos surpreendeu com improváveis maiorias absolutas. Só assim se evitará o caos duma legislatura com os políticos às turras, mais preocupados com vantagens imediatas para as suas tribos que com o interesse público.


 


Publicado originalmente no Diário Económico 



3 comentários:

  1. Uma maioria absoluta,mas que nao seja do PS.

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  2. Ai
    que isto de apelar ao voto agitando fantasmas não fica mesmo nada bem
    até parece que o PS é o MRPP ou o partido da dona Carmelinda
    isso sim, metia medo
    agora uma vitória do PS? um partido democrático, de centro-esquerda, do arco da governação, fundamental a impedir uma ditadura comunista em Portugal e a integrar-nos na CEE?

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  3. Miguel Relvas, Acordo Ortográfico, 0 fundações e observatórios fechados.
    Impossível votar neste governo.

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