Vem-se acentuando de há umas semanas para cá, na minha rua e no jardim em frente ao meu escritório: choupos, plátanos e demais arvoredo numa desavergonhada fúria reprodutora exponenciada pelo vento, expelem carradas de pólens que tornam o ar difícil de respirar. Como num cenário apocalíptico, enquanto se escutam anúncios de anti-alérgicos nas rádios e televisões, muita gente já só vem para a rua de máscara na cara. Consola-nos que por uma vez é a verdejante natureza a culpada de tão incómodo fenómeno e não a ganância do cruel homem branco ocidental. Já para não falarmos da digestão das vacas e dos bois que produzem gás metano em barda que é responsável pelo efeito de estufa. O melhor é não se falar muito deste assunto, se não os Verdes ainda nos proíbem de comer bitoques.
O que você diz que é pólen, não é. São sementes que vão em invólucros que voam para que a reprodução seja mais eficaz. Não são pólens e, por isso, não são alergénicos ao contrário do que é comum dizer-se. Pelo menos a fazer fé nas associações de alergologistas. É o pequeno preço que temos de pagar para termos o ar mais respirável no resto do ano. Era suposto não haver tanto vento nesta altura do ano e chover, para assentar a poeira. Não é culpa das árvores. Não é culpa do homem branco, mas quanto à mulher, não sei bem. Pelo modo como se vestem já não tenho tanta certeza se não haverá alguma culpa por este clima seco e ventoso, uma vez que quanto aos sismos já está provado e é sabido, que são culpadas.
ResponderEliminarO que mais se vê esvoaçar por estes lados são umas finas farripas brancas, qual algodão. Creio que provavelmentes de Choupo ou coisa parecida.
ResponderEliminarEssas farripas dos choupos, ou algodão como lhe chamam, transportam as sementes, que vão agarradas à penugem. É uma estratégia da árvore para que a sua semente voe o mais longe que puder. Não são causadores de alergias, cujo responsável são os pólens principalmente das gramíneas e não das árvores. O certo é que esse algodão pode ser de facto muito incomodativo, mas o choupo sempre foi uma árvore das nossas ruas. O termo alameda a ele se deve (álamo).
ResponderEliminarObrigado pela explicação das gramíneas, que mesmo assim não é tão convincente quanto a dos terramotos, que ao que julgo foi comprovada em 1755.
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