sexta-feira, 13 de março de 2015

A modernidade de antigamente


Caros amigos, reservem 20 minutos e vejam este vídeo, um documentário português realizado, escrito e narrado por António Lopes Ribeiro, produzido pela Câmara Municipal de Lisboa no ano de 1948 - todo ele um tratado de boa propaganda, inteligível e fundamentada - "Lisboa de Hoje e de Amanhã". Nessa época o Estado Novo encontrava-se no seu auge e uma renovada Lisboa emergia do rasto de escombros deixado por décadas de instabilidade e miséria. As transformações eram significativas: desde a arborização do actual Parque de Monsanto, a inauguração daquela que era uma das primeiras auto-estradas da Europa, a urbanização das Avenidas Novas, (nunca eu tinha visto a Fonte Luminosa a jorrar água) e a criação de uma variada gama de infra-estruturas sociais e culturais.


Para lá da "pequena história" da génese duma Lisboa que nos é tão familiar, a linguagem auto-elogiosa do filme serve-nos de espelho para quando nos nossos dias nos arvorarmos na quintessência da modernidade. Coloca as nossas conquistas e peneiras em perspectiva. Claro que, como refere Henrique Raposo, a legitimidade de um regime não se deveria fundamentar nas conjunturas económicas que atravessa, conclui-se. 

1 comentário:

  1. Delicioso documentário de António Lopes Ribeiro. Este multifacetado Autor é um dos mais altos representantes, de sempre, da Sétima Arte em Portugal; e, hoje em dia, encontra-se injusta e injustificavelmente esquecido. Em tempos, entre outros textos, escrevi sobre ele o seguinte:
    http://do-futuro.blogspot.pt/2013/02/antonio-lopes-ribeiro-lisboa-1908.html (http://do-futuro.blogspot.pt/2013/02/antonio-lopes-ribeiro-lisboa-1908.html)

    ResponderEliminar

No centenário da "Revolução Nacional"

  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...