Não foi com grande espanto que ontem escutei na SIC notícias o deslumbrante Luís Delgado a defender a razoabilidade do governo de Tsipras que, segundo o sábio comentador, no confronto com a realidade se vem revelando um moderado, deste modo legitimado a abjurar todas as promessas que o conduziram ao poder. O verdadeiro e adiado choque do governo Syriza irá ser o de governar a Grécia, digo eu. A mesma tolerância se aplicará a António Costa que por esta via pode prometer aos portugueses um qualquer "conto de crianças": os seus complacentes amigos na comunicação social cuidarão duma narrativa que indulgencie o PS das mentiras utilizadas para chegar ao poder.
Com este estado de coisas, nunca foi tão fácil alimentar-se uma propaganda com base nas mais desbragadas ilusões, fundadas nos legítimos anseios dos comuns mortais: se é certo que a democracia liberal é alimentada pela arte dos seus actores venderem quimeras e prometerem o Maná, certo é que por via da desilusão sistemática um dia o regime pode mesmo colapsar. Acontece que, se podemos conceder às Artes que privilegiem a beleza em detrimento da verdade, outro comedimento deveria ser exigido à Politica - e aos comentadores que jogam nesse tabuleiro. A realidade impõe um caminho muito estreito – seja para as pessoas ou para os sistemas – e a democracia nunca se deu bem com isso. E o caos é o ambiente ideal para frutificarem as mais cruéis tiranias.
Há um naipe de comentadores que depois de se debaterem exaustivamente e desesperadamente pela inocência de um filósofo e respectivo direito à presunção de inocência (incluindo alguns da área do direito), logo a seguir proferem os mais contundentes ataques ao Presidente da República em exercício, colando-o (senão responsabilizando-o) ao caso BPN.
ResponderEliminarVenho em missão: divulgar este artigo de um jornal belga: http://www.20minutes.fr/economie/1563175-20150316-hjalmar-schacht-banquier-adolf-hitler-genie
ResponderEliminarDeixo aqui um aperitivo - " L’Allemagne est le pays qui a connu le plus fort allègement de sa dette au XXe siècle –il a bénéficié d’une autre réduction conséquente après la Seconde Guerre mondiale- et au XXIe siècle, il est celui qui se montre le plus intransigeant pour que les autres pays s’acquittent des leurs…"
Tradução (para o caso de não saber tocar piano :) " A Alemanha é o país que teve o maior alívio de dívida no século XX - beneficiou de mais uma redução consistente depois da 2ª G. Mundial - e no XXI é o mais intransigente em relação ao alívio da dívida dos outros países ..."